Crônicas Poéticas:
Derramei muitas lágrimas ao longo da vida. Sempre com a impressão de que a alma purga uma apenas — somente uma —, o suficiente para dar sentido à tristeza e à melancolia. Há momentos em que podem faltar as palavras, os gestos e os olhares, mas não pode faltar a presença... São as ausências que a tornam irreversível.
Quando desliza, sentida e incontrolada, através de um terreno já desgastado — uma face sulcada pelos sinais que mapeiam os afetos -, ali onde é impossível detê-la, quando finalmente vence as barreiras da face, é que se encontra o sentido do incalculável.
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"A lágrima que liberta a alma parece perder o sentido quando rompe a represa da razão. Navega em busca dos sentimentos, onde a própria bússola não encontra o seu norte..."
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Basta apenas uma, forjada na dor e no ressentimento, para se transformar na tormenta que já não respeita o silêncio nem a sobriedade. Troa no soluço desencadeado pelo represamento de todos os males sufocados, suportados, vividos na solidão.
A lágrima que liberta a alma parece perder o sentido quando rompe a represa da razão. Navega em busca dos sentimentos, onde a própria bússola não encontra o seu norte. Com os olhos toldados pela emoção, as mãos ficam livres para procurar uma fronte, reencontrando o gosto de mar nas quebradas de um corpo que esqueceu a geografia para perpetuar a sua própria história…
(Revisão e imagem: Gemini)

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