Crônica Poética:
A maior parte das pessoas cruzava meu caminho indiferente. Eu havia parado à beira da estrada e, sobre os campos e cerros, a tarde projetava-se, insistindo em ceder lugar ao breu da noite. Eu queria ver o Sol se pôr contigo. Por um momento, apenas. Um instante banhado por cores que se derramam por lugares onde não andei, perdendo-se aonde a vista não alcança.
O momento mágico em que as palavras se dispersam. Os sentidos entram em letargia ao perceber que as ondulações que modulam o horizonte não são a distância, mas a finitude de um encantamento. A magia da espera, com a certeza de que, mesmo ali, distante, ainda havia algo que nos mantinha em comum.
As palavras que perdem o sentido conduzem ao parapeito do mirante, onde a brisa chega por entre os vales e roça meu rosto, minhas mãos, numa ternura etérea que acarinha os olhos, seca a lágrima bendita que me lembra do quanto ainda preciso aprender contigo. O convívio nunca foi suficiente, mas as ausências ensinaram-me a dar valor ao que transformei em rotina — a banalidade na qual esqueci de saborear o quotidiano.
Sei que, onde estiveres, procuras pelos mesmos raios de luz que compartilhamos. No instante em que os contornos do que se avista tornam-se indefinidos, na ausência da luz, recolho-me à certeza de que preciso passar por este tempo de espera. Entender que a noite guardou consigo todos os meus afetos. No lugar em que os sonhos submergem na sofreguidão insaciável do Destino…
(Revisão e imagem: Gemini)

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