domingo, 3 de maio de 2026

O Manifesto de um Velho Bobo

 

Crônica poética:


​Dizem que sou apenas “um velho bobo”. É um bom título. Aceito sem resistência, pois, no fim das contas, só os “bobos” ainda conseguem enxergar o que é “essencial aos olhos”.

Admiro a criança na sua plena inocência, desconhecendo as convenções e livre de preconceitos. Ela é solidária por natureza. Ainda imune ao vírus predador das relações de exploração e medo que o mundo tenta, precocemente, inocular.


Admiro o jovem que teima em acreditar nas suas potencialidades. Pedem-lhe, com pressa, que amadureça — como se a vida fosse um prazo a vencer — quando ele apenas deseja que não matem os seus sonhos. Resiste para que não lhe privem dos amigos e dos amores, nem engessem sua caminhada, exigindo que abra mão de um tempo de aventuras.

Admiro o idoso que, reconhecendo a finitude, ainda se permite o devaneio. O direito que pede de ser feliz não é para atender a seus interesses, mas irradiar a energia que contamina a família e o meio onde vive. Um farol que pisca, mas teima em não se apagar.

​Minha prece pela humanidade não é uma utopia desprovida de  sentido. Ela encarna no cerne do mundo, sabendo que faz parte da vida: sofrer, surpreender-se e, acima de tudo, ser feliz.

​Sim, sou apenas um velho bobo. Um desses que, apesar de tudo, ainda escolhe acreditar no ser humano, na vida e no amor!

(Revisão e imagem: Gemini)

Nenhum comentário: