terça-feira, 9 de novembro de 2010

A lição que deveríamos aprender

Uma das primeiras declarações da presidente Dilma Roussef foi de que sua grande meta é acabar com a miséria no Brasil. Num país em que seus governantes se orgulham de terem incluído mais da metade da população na classe média, tem ainda uma significativa parcela que vive em situação crítica. Para se testemunhar, basta visitar as periferias das grandes e médias cidades. Lá está a nossa chaga social.
Infelizmente, boas intenções não são o suficiente para tornar realidade propostas estabelecidas. Recentemente, os presidentes Fernando Henrique e Lula estabeleceram metas para as áreas da saúde e as reformas política e previdenciária, por exemplo, mas chegaram ao final de seus mandatos do mesmo jeito que iniciaram.
O noticiário internacional mostra países africanos - fortes em extrair minerais - anos a fio, tendo à frente grandes empresas internacionais, sem que sua população tenha visto a cor de um centavo. Na América, Hugo Chávez, na Venezuela, tem na produção do petróleo a grande riqueza. No entanto, recente derrota eleitoral se deve ao fato de que prometeu e não cumpriu. As favelas cobraram no voto as benesses feitas em campanha.
Seria bom se aprendêssemos esta lição. Aqui, estamos em fase de encantamento com o pré-sal. Estimativas dão conta de que estamos bem na questão petrolífera (mesmo não entendendo como não repercute no preço da gasolina, por exemplo) e este novo achado nos colocará entre os maiores produtores e exportadores. Grupos da sociedade civil defendem que estes recursos sejam destinados, por lei, para programas sociais.
Todos querem erradicar a miséria. Não só a que o dinheiro resolve, mas a que se estabeleceu na cabeça das pessoas que apanharam do Mundo e, hoje, acham que não vale a pena viver socialmente, mas aproveitar-se e fazer a sua vida, do seu jeito, nas manhas e pequenos golpes que garantem a sua sobrevivência. Difícil vai ser vencer a miséria intelectual e moral. A lição que se precisa aprender é reeducar um corpo social doente e necessitado de uma reinvenção, iniciando pelo convívio familiar e a educação básica, onde são plantadas as primeiras sementes da arte de viver em sociedade.
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