domingo, 9 de maio de 2010

“Querido professor”

Expressões de carinho sempre encantam, enternecem, especialmente quando surgem de forma inesperada. Semana passada, recebi duas mensagens - de um aluno e de um ex-aluno - que iniciavam assim: “querido professor”. Pode-se dizer que é uma expressão diferenciada, porque no meio universitário não se chega a um vínculo afetivo, que mostre outro jeito de estabelecer a relação de educador e educando.
Mas acontece. Alguns alunos conseguem vencer, inclusive, barreiras afetivas, preconceitos de que estamos em situação e patamares diferentes e que somente isto mantém uma suposta “respeitabilidade”. Não sou das pessoas mais afetivas fora do âmbito da minha família, mas confesso que tem um aperto de mão, um olhar carinhoso e um abraço de pessoas com as quais convivo, inclusive alunos, que melhoram em muito a qualidade de vida, porque fazem esquecer momentos menos agradáveis, valendo a pena apostar na educação.
De alguns alunos, é comum que isto se estabeleça depois de concluído o curso, quando se dão conta de que poderiam ter aproveitado mais – e foram avisados – mas não o fizeram, e querem uma espécie de segunda chance, uma nova oportunidade, sem matrícula oficial. Talvez seja por este motivo que não consigo me acostumar com a expressão “ex-alunos”. Muitos deles continuam mantendo contados, fazendo consultas, procurando informações sobre redação de texto, oportunidades de trabalhos e, até... situações emocionais.
Minha experiência educacional não é das maiores: leciono em comunicação social há 16 anos. Alguns de meus colegas têm 20 e até 30 anos nesta área, mas já disse que não devo lecionar mais do que três ou quatro anos. Em respeito aos próprios alunos, pois nas áreas que atuo – gráfica, redação e marketing – as mudanças são constantes, exigindo renovação. Fica uma certeza: auxiliar jovens a descobrir seus caminhos, estimulá-los a enfrentar desafios, mostrar que mesmo diante de seus medos sempre há uma alternativa, faz esperar mais vezes recados eletrônicos que iniciem por um simples: “querido professor”.
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