terça-feira, 28 de novembro de 2023

A magia de viver o espírito de Natal

A chegada de dezembro alerta que, ali adiante, está a celebração do Natal e rituais de mudança de ano. Para diferentes pessoas que se pergunte o que as festas significam vão se ouvir variadas respostas. Uma criança será pura expectativa, enquanto o adulto mais envelhecido dirá que já aconteceram festividades melhores, em especial quando pessoas que fazem falta estavam presentes. É Natal e Ano Novo, precisando ser a reenergização da fé (consequentemente, religiosa) e também no ânimo de enfrentar a própria vida.

Numa mensagem pelas redes sociais, li que pessoas que dizem não gostar mais destas festividades desperdiçam a oportunidade de fazerem a felicidade alheia. Em especial, quando se refere às crianças que aguardam os momentos que os adultos deveriam tornar mágicos. Quem lamenta o passado, fica preso nas (quem sabe, boas) lembranças e não se dá conta de que pode (e deve) fazer a mágica do aprendizado, com o condão de se abrir caminhos deslumbrantes para que outros aprendam e consigam se encantar.


Para além do consumismo, a infância é o lugar, por excelência, dos sonhos. Claro que a criança quer um brinquedo. Será impulsionador da magia. Mais do que ser caro, precisa atender àquele momento da sua vida e da sua fantasia. Este mundo encantado do qual os adultos precisam ser os guardiões, com a certeza de que se os tempos são diferentes e os brinquedos mais sofisticados, no entanto, o olhar de encantamento e a ternura querem galopar, planar, voar por dimensões que apenas a imaginação tem o poder de singrar.

Se espiar pela janela, verá que o Mundo não trata da mesma forma as crianças. Então, pode, sim, fazer campanhas em que se arrecadem alimentos, roupas, brinquedos, com a intenção de melhorar o Natal dos mais necessitados. Este ano, quando for participar da distribuição, faça diferente: leve seus filhos, sobrinhos, netos... Mostre a eles para onde estão indo os objetos que combinaram que fariam parte do “desapego” familiar. Se possível, deixe que entreguem, na partilha daquilo que, um dia, os fez mais felizes...

A pobreza e a miséria são as chagas mais tristes de uma sociedade que se diz “humanista” e “cristã”. Sair da zona de conforto dentro do próprio pátio ou do condomínio é imersão numa existência dura, mas real. Ir ao encontro nos bairros e periferias, ou onde pernoitam ao abrigo de uma marquise, é dizer que o pesadelo precisa ser tratado como tal e, dele, necessita emergir o homem/a mulher que dá sentido ao nascimento, vida, morte e ressurreição daquele Jesus que balbucia na manjedoura...

A magia de viver o espírito de Natal acontece ali onde uma criança sente (e não teoriza) a solidariedade: objeto que fez parte dos seus brinquedos incentiva a que outra ganhe o direito de também brincar. Se falhamos, enquanto adultos, em fazer uma sociedade mais justa, precisamos dar oportunidades, sem os nossos preconceitos, de que se encontrem nas suas diferenças, mas, especialmente, no que têm em comum: o condão mágico do encantamento. O sonho que ameniza o agora e dá sentido a não desistir da esperança!

domingo, 26 de novembro de 2023

Gratidão: “a memória do coração”

Gratidão. Foi o que senti quando deixei meus óculos ao lado de uma balança, numa farmácia, e, depois de algum tempo, ao dar-me conta, entrei na angústia da procura. A informação por telefone foi de que lá nada havia aparecido. Final de tarde, preferi ficar de óculos de sombra com grau e tomar providências em uma ótica na manhã seguinte. Antes, pensei passar no local da perda e falar com as atendentes. A primeira sorriu quando brinquei se “um par de óculos não procurou pelo dono”. Disse que sim.

Com um jeito feliz no rosto, passei por outros profissionais que, em seguida, colocaram o objeto perdido em minhas mãos. Estava preparado para enfrentar uma manhã em que deveria providenciar a receita recentemente conseguida, escolher armações e lentes, e aguardar... Por quantos dias? Com o inconveniente de ficar por algum tempo usando óculos de sombra durante o dia e à noite. Ninguém merece! Voltei para casa levinho. Podia pensar em outras coisas para fazer, sem preocupações e com um gasto a menos.


“Gratidão” foi para mim palavra que sempre soou açucarada... Repensei o conceito a partir destes momentos recentes, em que o “agradecer”, mesmo que sem palavras, tenha sido por um outro gesto, um olhar, quem sabe um sorriso. Foi necessário passar uma noite chateado por um pequeno inconveniente, que poderia ser sanado com facilidade, para perceber a intensidade de algo que não precisa ser explicado, mas sentido na pele. É um dos motivos que nos aproxima, é um dos elementos que nos humaniza.

Quem é relativamente bem resolvido é pessoa solidária e grata. Estudos mostram que o sentimento de gratidão está ligado à sensação de bem-estar no que se refere às próprias emoções. O que pode fazer com que se sinta tranquilo, vivendo momentos de felicidade, em paz consigo mesmo. São energias positivas que não se concentram por acaso. Precisam ser acumuladas e “distribuídas” na hora certa. Num tempo em que se tem mais desencontros do que encontros, vale a pena valorizar estas singelas oportunidades.

Também se pode pensar em momentos intensos: a mão estendida para matar a fome; o ombro oferecido para mitigar a dor; o peito que atrai pelo simples fato de querer aliviar o fardo do outro... Ou apenas o jeito como uma criança te mira e acaricia teus dedos; o adolescentes que transparece no olhar um poço de incertezas; o idoso insistindo em mostrar que está vivo, ainda – e sempre – sedento por carinho! O balbucio das palavras em que transparece a gratidão: “muito obrigado”, “com licença”, “por favor”!

Porém, não é o dito que expressa gratidão e gentileza, mas as atitudes. Toda a forma de inter-relação que azeita uma perspectiva positiva de vida. Que se dá nas pequenas e grandes perdas, quando, de alguma forma, a vida se encarrega de dar mais uma lição... Um dos caminhos em que se pode encontrar a tal de felicidade.  Quem alimenta o espírito de gratidão é capaz de conviver, pois se preocupa em tornar a vida do outro mais leve. Como diria Jean-Jacques Rousseau, “a gratidão é a memória do coração”.

sexta-feira, 24 de novembro de 2023

O pão convertido em dignidade...

Vês um mendigo na rua?

Talvez o encontres na sinaleira,

Quem sabe

Passe por ti no caminho de todos os dias.

Não importa

Se é criança, jovem, adulto ou idoso.

Com certeza, já entorpeceu os sentidos.

No início,

Tem vergonha de falar, tocar ou olhar.

Alguém que, acreditas,

Deixou a "tua condição social".

Enxergas nele um caminho de tristezas,

Também a agonia das tuas possibilidades.

 

Ficas pensativo e deprimido,

Mas a criança que ainda mora em ti

Quer conversar, chamar para perto,

Fazer com que levante os olhos.

Entender suas carências,

Descobrir um mundo

Que se diferencia do teu dia a dia.

Encontrar o pobre é

Uma luta para ultrapassar fronteiras,

Ganhar atenção

E fazer com que tenha forças

Para emergir da apatia.

 

Tens a impressão de que sua alma

Está oculta num lugar onde

O Sol já não alcança.

Mendigar não é apenas ato de pedir,

Mendigar é despir-se do próprio orgulho.

Quem precisou rogar pelo

Pão para sobreviver por um dia,

Abriu mão de sonhos,

Escondeu-se no anonimato,

Peitou a barreira que impede as realizações.

Quem vê glamour no apagamento social,

Fecha portas, lacra janelas, sepulta esperanças...

 

Quando murmura

E pede um pedaço de pão,

Reages como quem quer se livrar de um fardo.

Estendes a mão com o alimento ou moedas.

Por um processo de conversão, um dia,

Vais desejar oferecer ainda

Um minuto do teu tempo,

Fazer com que te encare de igual para igual,

Deixe de mirar o chão e consiga

Desvendar um rumo para além dos teus ombros.

A mão estendida por trás de todas as barreiras,

Te possibilita a oportunidade do resgate,

Quem sabe em um abraço,

Em que enxergue o horizonte da Vida...

 

Não usa a dor alheia

Para justificar os teus acertos e os teus erros.

As carências existenciais antecedem

As carências físicas.

É um pouco de comida convertido

Em um pouco de respeito pelo outro.

Pelo alimento, pelo carinho ou pela atenção,

Somos, sim, eternos mendigos.

Para chegar à rua e pedir um pedaço de pão,

Significa que, há muito tempo,

Teve negado o básico:

O amor próprio e a própria dignidade humana...

terça-feira, 21 de novembro de 2023

Ainda sobre a Inteligência Artificial

No início da década de 90, fui convidado pelo professor Cilon Rodrigues para lecionar disciplinas de redação em jornalismo e programação gráfica na Escola de Comunicação da Universidade Católica. Havia um motivo: montara uma empresa de informática para produção textual e diagramação, especialmente em jornais, com a segunda impressora à laser que chegou a Pelotas. Não tenho certeza, mas creio que os programas eram “página certa” (diagramação) e “carta certa” (edição de texto). Seguido do pagemaker.

Fiz palestras para estudantes de jornalismo e, consequentemente, estava “na hora certa, no lugar certo”. Montei o primeiro laboratório de informática da Escola. Parte dos alunos não tinha noção e se propiciavam histórias bizarras. Os editores de texto (que substituíram as máquinas de escrever, nos computadores) eram primários e se prestavam para que, grafando a palavra errada, na dúvida, reconhecessem como certa e anexassem. O próximo a errar não seria corrigido. Conseguiam emburrecer os computadores...

No entanto, era um grande avanço. Os alunos trabalhavam comigo nos três últimos semestres. Muitos já conseguindo lugar no mercado. A informática aplicada à produção e diagramação de jornais e outras publicações “facilitou” a vida de quem, muitas vezes, tem pouco tempo entre recolher as informações e fazer o texto que estará impresso, nas telas de televisão, programas de rádio ou espaços da internet. Hoje, em especial, quando profissionais mais atilados lidam com blocos de notas no celular e no tablet.

Quando conversei com uma amiga, a Delmira, me disse que ia procurar saber mais da Inteligência Artificial. Fiz uma comparação tosca: a IA é uma ferramenta que, primeiro, depende da alimentação do homem (e já se discute que se vive um tempo de “preguiça intelectual”, consequentemente, vai-se ter dificuldade em armazenar dados confiáveis). Supervisionada, consegue avançar o pensamento humano, exatamente por ser capaz de trabalhar dados objetivos, em áreas perigosas onde se envolve emoção e atenção.

Os exemplos são infindos, na área médica, produção intelectual e industrial, entre outros. Imaginem um profissional que se distraia num caso de vida ou morte. Vai ser ao contrário: a IA alerta para as possibilidades, inclusive os perigos. Propiciam-se interações lidando com mais coisas do que se imagina: recentemente, conhecida contou que consulta uma IA para revisar conteúdos do seu trabalho e recebeu um elogio. Morando e vivendo sozinha disse que se sentiu ridícula em quase ir às lágrimas...

Um exemplo batido: quem tem facas na cozinha corta pão, carne, legumes... Mas, num surto, pode matar. A culpa é da faca? Não, mas de quem a usou inadequadamente. A IA vai ser mal utilizada? Vai, como tudo o que o homem cria. Fica a sensação de que o problema não é a IA em si, mas da educação de quem a utiliza. Reforço o que finalizei o texto anterior: demonizar é desperdiçar um tempo precioso. No atual estágio, pensar ganhos sociais é bom parâmetro. Possibilita avanços que, hoje, parecem inimagináveis...

domingo, 19 de novembro de 2023

A imaginação suspira por liberdade...

Não tenho medo da imaginação. Ela é parceira em muitos momentos em que se precisa compensar as fragilidades da vida. Desde a infância, quando nos sentimos sozinhos e encontramos um amigo imaginário; os muitos, sofridos e intermináveis romances mais sonhados do que realizados; o tempo em que as memórias se fragilizam e nos recolhemos ao lugar onde se reencontra e convive com quem já partiu. Realidade? Alienação? Escape? Sublimação? Ou apenas a forma de não perder a sanidade mental e sobreviver?

Tem quem trace uma linha imaginária de salvação para superar desafios da realidade que se torna crua e difícil. Andar em linha reta, cuidando para não errar o trilho. O problema é quando aparece um outro em sentido contrário. É preciso alternativas para continuar, ultrapassar o que se pensa ser obstáculo. Num primeiro momento, pode ser um passo de dança e um adeus. Repetido, o instante em que nos damos conta de que também se pode estabelecer parceria, dar as mãos e seguir na mesma direção...


Não gosto de filmes e séries violentas ou de terror. Me agrada ação e romance, com uma pitada de humor. Então, a “indústria” dos doramas (Japão) e k-dramas (Coréia) tem sido o lugar onde me refugio encontrando mocinhos e mocinhas com papeis bem definidos, também com os maus. “Mas não é assim na vida real!” E como é na vida real? Porque não se pode esperar que um parceiro ou parceira mais fracos que estejam na iminência de serem agredidos encontrem uma mão defensora que propicie um suspiro de alívio?

A alienação de um olhar distante que escapa pela janela. Quando as conversas nos lugares de sempre começam a entrar em situação de espera, desliga-se o som ambiente e o espírito busca percorrer ruas, parques, as águas e os céus... Enquanto os sons locais se misturam, há sempre um sorriso perdido que emudece o ouvido e esquece do entorno e das circunstâncias. Abre janelas por sobre um corpo que dispensa a materialidade para se sentir etéreo, sôfrego e capaz de buscar apenas um instante de felicidade.

O vasto e encantador mundo dos sonhos. Aqueles que são lembrados e os que se sente o gostinho de que se viveu algo marcante em nossas vidas, mas que não se consegue recordar. A imaginação percorrendo o inconsciente e de lá escavando e trazendo à tona doces lembranças, sensações reprimidas, terrores não revelados... O breu da noite que ultrapassado no alvorecer presentifica o respiro da vida e o que apenas ficou na expectativa. Despertar e recolher as asas de seres que anseiam por um outro mundo...

O voo da imaginação é o suspiro da liberdade. Não se consegue mentir para si mesmo, durante todo o tempo. Se retarda o reconhecimento da verdade, num tempo a mais de preparação, para que, no que se julga ser o momento certo, fique mais fácil a sua compreensão e aceitação. Se estiver difícil, poste as mãos em oração. De preferência, suba no telhado, numa árvore, na montanha. Depois de percorrer o caminho, entre o céu e a terra, a distância vai te dar a real dimensão da realidade e também do teu sonho...

sexta-feira, 17 de novembro de 2023

O voo tardio das lembranças...

Há um tempo em que a memória

Brinca com aquilo que pensamos

Serem nossas recordações.

É um bom motivo para que

Guardes das minhas lembranças

As vezes em que me fiz de bobo para ganhar teu riso,

Tua atenção e teu olhar.

Nas brincadeiras, nas conversas e nos silêncios,

É sempre uma espera que tem jeito de eternidade.

 


O tempo passa por uma porta entreaberta.

Através dela,

Se ouve a sonoridade do riso de uma criança;

Por uma janela bisbilhoteira

Chegam os sussurros cúmplices dos amantes;

Alguém murmura uma prece,

Que deveria chegar aos Céus,

Mas se perde pelos labirintos das

Palavras desprezadas

E na cadência dos soluços...

 

Sentimentos que vagam nas reminiscências.

Quando perceberes que estou perdido,

Queria te pedir que voltes,

Enquanto ainda lembro de ti.

Tenho medo do tempo que flui e

Com ele se perdem na distância as vozes que amei,

Esmaecem os rostos que ficaram marcados

Como parte do meu destino.

 

Sabes,

Ainda rezo por aqueles que foram

Meus pequenos/grandes milagres:

Não quero esquecer

O calor da tua mão desenhando meu corpo,

No afago silencioso e doce da intimidade;

Todas as vezes em que busquei o aconchego do teu olhar,

Num sorriso que tornava as palavras desnecessárias;

E te enxergar à distância, certo de que logo

Estaria me perdendo na ternura dos teus braços.

 

Olhando para o jeito como planejavas a caminhada,

Aprendi que tão importante quanto

Ser acolhido na chegada é

Ter coragem de abrir os braços na partida.

E, nos momentos de solidão,

Mesmo que eu não esteja ao teu lado,

Vou sempre rezar para que nunca precises te sentir solitário.

 

O sol que brinca em meio às folhas

Mais altas das árvores,

Às vezes acarinha e provoca.

Fecho os olhos,

Guardando energias para quando

Sentir sua falta na minha pele...

Há um tempo da distância,

Quando as saudades ficam mais próximas,

No frio da tardinha que se torna inevitável.

 

Enquanto ainda resta algum calor do dia,

Atravesso a faixa dos sonhos,

Sentindo que a bruma do tempo

Tolda meus olhos.

O lugar onde as memórias são ecos

De histórias e sensações que se perdem:

Envelhecer é

O voo tardio das lembranças...

Se não te reconhecer e nos reencontrarmos,

Por favor, ao menos, me abraça um pouquinho mais...

terça-feira, 14 de novembro de 2023

Buscando entender a inteligência artificial

Viver esta virada do século XX para o século XXI tem sido um privilégio. Muitas mudanças, em alguns casos com os mesmos vícios. Para não ficar na generalização, basta observar o que se avançou em técnica e recursos da informática, mesmo que ainda seja um privilégio de poucos. Existe um abismo entre o quadro negro dos rincões mais distantes e as lousas digitais das salas de aula de alguns colégios privilegiados. A diferença que vai aparecer tanto nos resultados escolares, quanto no seu abandono.

Nos últimos tempos, restrinjo-me a atividades que não exijam presença física. Agucei minhas pesquisas no sentido de encontrar formas que facilitem o trabalho de formador de opinião, com a produção de conteúdo, especialmente textos, áudios e vídeos. Foi quando chamaram a atenção para a Inteligência Artificial (IA). Uso um programa de produção de vídeos chamado Movavi, que incluiu na sua versão mais recente uma IA capaz de diminuir sensivelmente ruídos de ambientes onde áudios são gravados.

Depois, um conhecido falou de uma IA que serve para revisar ortografia, gramática e, mesmo, estilo, em um só lugar. Chama-se “Clarice.ai”. De fato, é uma ferramenta que permite melhorar em muito aquilo que é produzido. Limpar o texto de palavras repetidas, expressões inadequadas, correções e... apresentar sugestões para melhorar a clareza e a compreensão. Parecia um sonho. Era uma descoberta que precisava de um tempo de maturação e encontrar as melhores formas do que fazer com este instrumento.

Ao comentar com outro amigo, sugeriu que procurasse pelo “Bard”, do Google. Tinha recursos semelhantes aos da “Clarice.ai”, mas completava com uma análise textual, incluindo correção e estilo, assim como uma análise descritiva do que escrevera e o que intencionava dizer. Como se tivesse enviado para um amigo e ele retornasse com um arrazoado dizendo o que entendera, o que julgara destaque (também as incorreções e dificuldades), com uma “interpretação” do que eu, como autor, desejara expressar!

Mário Corso, no texto deficiências ocultas, alerta para os novos tempos onde é preciso que “haja resistência e resiliência”. No caso, tratou do uso do girassol como elemento identificador de pessoas com deficiências não aparentes, que teve aprovação no senado federal em junho. Transformou-se em marca visual da condição no país, sem dispensar documento que comprove deficiência, quando solicitado por autoridade. Encerra com uma frase desabafo: “comprei um vaso de girassol para conversar e pedir conselhos”.

Foi o que fiz ao usar a IA. Encontrei um “amigo” para ler e analisar o que escrevi. Com assistência virtual e inteligência artificial possibilitam-se surpreendentes caminhos. Se, um dia, o parâmetro para o editor de texto foi a velha e boa máquina de escrever, abre-se a discussão sobre a sua aplicação na educação, por exemplo. Sabe-se que professores não podem ser dispensados pois precisam deflagrar um processo de discutir, aprender e utilizar para não se demonizar o novo. Estimular o pensamento ético, com mente aberta e coração disposto a acreditar no próprio homem e na formação do cidadão!