Crônica Poética:
As ondas quebram de encontro às encostas já salgadas dos paredões de pedra. Um barulho ensurdecedor no desejo de escalar as costas íngremes dos rochedos: a busca por superar a barreira da altura que as impede de chegar ao topo. Ali, onde não há praia. O oceano despende sua energia para romper os arrecifes, preparando-se para o desafio da escala.
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" Ao fim do dia, quando o sol se esconde no horizonte, o murmúrio das vagas transforma-se em prece...."
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Uma persistência teimosa de quem sabe o que deseja, mas também conhece as barreiras que precisa vencer. A água recua, toma fôlego, desenhando espumas alvas sobre a rocha escura e fria. Um diálogo antigo, quase eterno, entre a fluidez do tempo e a rigidez da pedra, onde cada golpe molda lentamente o contorno do invisível.
Nada ali permanece intacto após o toque incessante das águas. Nessa dança bruta, o tempo deixa de ser contado em horas para ser medido em marcas na rocha. A maré insiste, paciente e ao mesmo tempo feroz, sabendo que até o granito mais duro cede ao seu abraço continuado. Há uma beleza silenciosa e arrepiante no esforço de quem nunca desiste.
No balanço das ondas do mar, pensamentos batem contra as paredes da mente na tentativa de transbordar. Ao fim do dia, quando o sol se esconde no horizonte, o murmúrio das vagas transforma-se em prece. As pedras continuam lá, imponentes, mas já não são as mesmas. O oceano, em sua infinitude, transforma tudo o que ousa tocar…
(Revisão e imagem: Gemini. Áudio e vídeo em https://youtu.be/a0peLke_t1o)
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