sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Suicidio: o desafio de ser presença na dor

O Fio da Meada:

Setembro chega em tons de amarelo. Não é o amarelo festivo do verão, nem o dourado das igrejas em outubro: é o amarelo da campanha que lembra, com delicadeza, que existem feridas que não sangram para fora, mas doem por dentro. No Brasil, o mês se tornou símbolo de uma causa que ainda tropeça no próprio nome: falar sobre suicídio. Falar, não gritar. Falar baixinho, como quem acende uma vela em lugar de apitar uma sirene.

Os números não mentem, mas também não precisam ser nosso único espelho. O Brasil ainda ocupa posições alarmantes em estatísticas de suicídio, especialmente entre jovens e idosos. Diante disso, é fácil cair no discurso alarmista ou no silêncio constrangido.
O desafio maior, porém, é outro: é saber olhar para esses números sem transformar vidas em planilhas, e sem transformar dor em espetáculo. Cada dado esconde um nome, uma história interrompida, uma mesa com lugar vazio.

A campanha nasceu da ideia de que prevenir não é apenas informar: é criar espaço. É o vizinho que pergunta "como vai?" e espera a resposta de verdade. É o filho que sente que pode falar sem ser julgado. É o amigo que nota o silêncio diferente e não deixa passar. A cor amarela, nesse sentido, não é um aviso de trânsito: é um sinal de que a estrada ainda pode ser compartilhada, que ninguém precisa dirigir sozinho no escuro.

Há quem diga que a vida é um dom. Para quem acredita, isso não é um bordão: é uma âncora. Mas âncora só segura quem sente que há um barco ao redor, uma tripulação, um porto. A fé, quando é verdadeira, não nega a tempestade: ela oferece companhia dentro dela. Não é sobre prometer céus distantes, mas sobre reconhecer que o hoje de alguém pode ser salvo por um gesto simples, por uma presença que não se importa com a hora.

O Setembro Amarelo convida a ser essa presença. Não é preciso ser psicólogo para ouvir, nem santo para acompanhar. Basta ser humano disponível. A cor amarela, no fim, é a cor da luz que antecede o amanhecer: fraca, mas suficiente para quem está no escuro saber que o dia ainda vai raiar. E raiar — porque nenhuma noite é tão longa que impeça o amanhecer de quem tem uma mão ao seu lado… 

(Revisão: Kimi. Imagem: Gemini. Áudio e vídeo em https://youtu.be/PLFU5rSIIn4)

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