Crônica poética
Sou catador pelas lixeiras das ruas esquecidas. Percorro as avenidas enquanto ainda dormes. Procuro no lixo a minha sobrevivência. Quando o dia desperta, andei por alamedas onde as pessoas dormiram sem frio, no calor dos seus leitos. Enquanto, no beco onde me abrigo, apenas papelões atenuam os efeitos da umidade e do abandono.
Sou catador pelas lixeiras das ruas esquecidas. Entre aqueles que dormem ao meu lado, não há discursos, mas sim o instinto por sobrevivência. Vivenciam sem teorias a partilha que religiosos e ativistas sociais defendem, sem conhecer a prática. “Benemerentes” e aliviados em suas consciências, muitas vezes, voltam “satisfeitos” para o aconchego da sua casa, na madrugada.
Não sabem o quanto é doloroso partilhar do pouco que se tem com quem vive da mesma miséria. Na manhã, zumbis que ressurgem de sobe a ponte, o beco, o parque… Apagados para a sociedade, esquecidos pelo mundo… Aquele que viu definhar a chama no olhar sabe que dignidade é artigo de luxo que já não lhe pertence. E a sociedade não se importa em colocar ao seu alcance…
(Revisão: IA Gemini. Formatação e imagens: Canva. Este e outros textos em manoeljesus.blogspot.com. Áudio e vídeo em https://youtu.be/FXfBHoBKQnM)






