domingo, 22 de fevereiro de 2026

Sou: Rebento

 Crônica poética

Sou o fruto gerado no teu ventre. Fomos cúmplices no tempo de silêncios em que éramos apenas nós dois. Compartilhei tuas dúvidas, entendi tuas angústias. Quis secar a lágrima que selou a notícia da minha chegada. Agora, finalmente, habito os teus braços.

Sou o desejo de tornar perene o sentimento que nos uniu
, o ser que complementa a tua humanidade. Sou fruto da tua vontade e do teu amor. Quando as primeiras imagens revelaram meu corpo, eu ainda não mensurava o carinho que transbordava do teu olhar.

Ao ouvir-te agradecer a Deus pelo rebento que germinava, sentia o doce afago que me envolvia no teu seio. Meu leito será o aconchego do teu corpo, onde caberão os sonhos… e as conquistas… e as decepções… O tempo da espera e, também, o tempo da partida!

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"Meu leito será o aconchego do teu corpo, onde caberão os sonhos… e as conquistas… e as decepções…"

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(Revisão: IA Gemini. Imagem: Canva. Áudio e vídeo em https://youtu.be/QHWD-u0RDnM)



sábado, 21 de fevereiro de 2026

Eternidade por um Fio, de Ken Follet

Janelas do Tempo

Chegamos ao capítulo final da trilogia O Século, de Ken Follett. Se iniciamos a jornada com a queda das monarquias e atravessamos o rigoroso inverno da 2ª Guerra, em "Eternidade por um Fio" abrimos a janela para um mundo dividido por um muro de concreto e uma cortina de ferro.

Acompanhamos agora a terceira geração das famílias que o leitor aprendeu a conhecer. O palco principal é a Guerra Fria. Estamos nos anos 60, em meio à luta pelos direitos civis nos Estados Unidos (ao lado de Martin Luther King), a crise dos mísseis em Cuba e o surgimento do Muro de Berlim. É um período em que a humanidade viveu, literalmente, com a vida por um fio, sob a ameaça constante de um conflito nuclear.

O que toca profundamente nesta conclusão é a percepção de que a história não é feita apenas de grandes tratados, mas de pequenos atos de coragem. Vemos jovens em Berlim Oriental arriscando tudo por um sopro de liberdade, enquanto, no Ocidente, outros jovens lutam para romper as barreiras do preconceito.

Ken Follett mostra que a "Eternidade" do título é essa busca incessante do ser humano por conexão e justiça, algo que parece sempre escapar por um fio, mas que nunca se rompe totalmente. É um livro sobre a queda dos muros — físicos e mentais. É um exercício de memória afetiva: lembrar de onde estávamos quando o Muro de Berlim caiu ou quando os primeiros acordes do rock mudaram o comportamento social.

Ao fechar este terceiro livro, é impossível não refletir que a história é um ciclo de desafios. No entanto, a dignidade humana e o amor familiar são o fio de ouro que mantêm o tecido da vida unido, não importa quão forte sejam as tempestades políticas.

(Revisão e pesquisa: IA Gemini. Imagens: Canva. Áudio e vídeo em https://youtu.be/FLdFLUFKhks)

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

As Jovitas, as Saturnas e a história viva…

O fio da meada:

Meus avós tinham nomes daqueles bem antigos, incomuns hoje em dia. Com exceção do vô Eduardo, por parte de pai, os outros eram Claudestino (que acabou dando nome ao meu irmão: “José Claudestino”), Saturna e Jovita. Jovita, em particular, era o nome de minha avó materna. Todos já falecidos, são nomes que guardam a memória de meus antepassados.

Recentemente, em uma reportagem do programa Globo Rural na Serra do Espinhaço, em Minas Gerais, outra Jovita apareceu. O programa inteiro era uma poesia em forma de jornalismo. Mostrou como a formação daquele acidente geográfico permite que a população rural migre sazonalmente para o sopé da montanha, onde trabalham na colheita de uma flor singular: a sempre-viva.

O que chamou a atenção ao percorrer o "interiorzão" do Brasil através desta reportagem foi a semelhança da população rural em termos de nomenclatura, costumes, tradições, crenças e convivência. Atividades como os mutirões para a colheita ou para o abate de um porco conectam a Serra do Espinhaço ao resto do Brasil profundo.

Na época da colheita, essas pessoas moram nas "lapas", sob paredões de pedra, fazendo da chapada um "quintal de montanha". Nos moradores que vivem, hoje, esta realidade - assim como em minhas lembranças do convívio com minhas avós no interior de Canguçu, a serenidade tem a marca do tempo e do sofrimento inscrita nos próprios corpos.

O que verdadeiramente conecta o interior do Brasil é o seu povo, que constrói uma história que não está nos livros, mas em memórias invocadas nas lembranças. Percorrendo as chapadas, o sertão, os cerros de Canguçu ou um quintal da montanha onde o olhar se perde no horizonte. É a ancestralidade viva, forjada no trabalho e na simplicidade, que ressoa no nome de uma flor colhida sob a rocha e de todas as “Jovitas”, “Saturnas” que escrevem a autêntica história viva…

(Revisão: IA Gemini. Imagem: Canva. Este e outros textos em manoeljesus.blogspot.com. Áudio e vídeo em https://youtu.be/wEWAX8tphQY)


domingo, 15 de fevereiro de 2026

Sou: Migrante

Crônica poética

Um dia fui parido pela terra. Em algum momento, atravessei fronteiras; em outro, deixei no horizonte meu lugar de origem. Onde nasci, já não me dá o direito de sobreviver. Partir era apostar num resquício de esperança, sempre com a vontade de um dia voltar. 

Fui europeu marcado a ferro e fogo pelas chacinas mundiais; judeus na diáspora que me levou pelo mundo; negro ao deixar a mãe África, agoniado nos porões dos navios negreiros.

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"O desejo da solidariedade sem preço, sem cor, sem gênero. Livre de preconceitos, apenas o sonho de pertencer à comunidade universal do ser humano!"

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Refugiado das guerras fratricidas que não provoquei. Criança, mulher e velho chicoteado pela fome. Vítima de regimes políticos que falam em defender-me, no entanto, descaradamente, cerram as portas da fraternidade. 

Como Jesus, no Egito, virei refugiado, à procura de abrigo e proteção. O desejo da solidariedade sem preço, sem cor, sem gênero. Livre de preconceitos, apenas o sonho de pertencer à comunidade universal do ser humano!

sábado, 14 de fevereiro de 2026

O Inverno que Mudou a História, de Ken Follet

 Janelas do Tempo

(Marcando histórias e memórias)

Se no primeiro livro vimos a "queda dos gigantes" das velhas monarquias na 1ª Guerra, em Inverno no Mundo, o foco muda para os filhos daqueles personagens. O cenário começa na Berlim de 1933, onde a democracia respira por aparelhos. Acompanhamos a família alemã von Ulrich tentando resistir à sombra do nazismo, enquanto, do outro lado do oceano, os americanos e ingleses despertam lentamente para o perigo que se aproxima. 

O livro passa pela Guerra Civil Espanhola, o ataque a Pearl Harbor e o desenvolvimento da bomba atômica. Um "inverno" metafórico: tempo de frio, medo e escuridão sobre a humanidade.

O que mais fascina nesta obra não é apenas o rigor histórico de Follett, mas a forma como humaniza os grandes eventos. Para o público que valoriza as relações familiares e a memória, o livro toca em um ponto sensível: como as escolhas dos pais ecoam nos filhos. Vemos jovens que precisam decidir entre a ideologia e a ética, entre o silêncio covarde e a resistência perigosa. 

É um livro sobre a perda da inocência. Se o primeiro volume era sobre a luta por direitos e espaço, este segundo é sobre a luta pela sobrevivência da própria dignidade humana. Para quem gosta de uma boa narrativa que faz viajar no tempo, é um convite a refletir sobre como as "nevascas" da política podem congelar, mas nunca destruir totalmente, o calor dos afetos humanos.

(Revisão, pesquisa e imagens: IA Gemini. Formatação: Canva. Este e outros textos em manoeljesus.blogspot.com. Áudio e vídeo em https://youtu.be/BApuKDjnsB0)


sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Para além do que a vista alcança

O fio da meada: 

Diz o ditado que os olhos são a janela da alma. No entanto, na pressa, a gente se limita a enxergar superfícies e esquece a arte de olhar. Enquanto a visão é processo biológico, o olhar é uma escolha. Que exige demora. Requer que estaciones o foco naquilo - ou naquele - que está diante de ti.

No convívio com alunos e nas conversas do dia a dia, percebo que o olhar é o “gesto” que aproxima. Quando olhas para alguém com atenção, dizes: "Eu reconheço a tua existência". É então que o tempo revela o que estava oculto.  Passas a ler as entrelinhas de um sorriso ou o silêncio de uma saudade…

Porque o olhar não registra apenas imagens, ele constrói pontes. Afinal, a vida não está no que se vê, mas na profundidade da observação. Se a vista cansa, o olhar amadurece… Eis o motivo pelo qual quero fazer do meu 2026 um ano dedicado à "inculturação". O nome soa sofisticado, mas trata-se de entender que não basta lançar informação de cima para baixo. É preciso cuidar do chão onde a semente cai. Conhecer o cotidiano, a vivência e o jeito de cada um em sua realidade.

Com os recursos da modernidade, comunicar não é mais acumular teoria ou bagagem de informações. É transformar conhecimento em sabedoria para cada vivência específica, como os antepassados faziam. É garantir que a fala faça sentido na mesa da cozinha, no trabalho, no estudo, na diversão ou na fila do pão.

A comunicação acontece quando o meu olhar encontra o teu e se percebe, juntos, que puxamos o mesmo fio da meada: o convívio de gente que ainda - e sempre - quer aprender a cuidar de gente!

(Revisão: IA Gemini. Imagens: Canva. Este e outros textos em manoeljesus.blogspot.com. Áudio e vídeo em https://youtu.be/WloeHvowKDU)


domingo, 8 de fevereiro de 2026

Sou: Catador

Crônica poética

Sou catador pelas lixeiras das ruas esquecidas. Percorro as avenidas enquanto ainda dormes. Procuro no lixo a minha sobrevivência. Quando o dia desperta, andei por alamedas onde as pessoas dormiram sem frio, no calor dos seus leitos. Enquanto, no beco onde me abrigo, apenas papelões atenuam os efeitos da umidade e do abandono.

 Sou catador pelas lixeiras das ruas esquecidas. Entre aqueles que dormem ao meu lado, não há discursos, mas sim o instinto por sobrevivência. Vivenciam sem teorias a partilha que religiosos e ativistas sociais defendem, sem conhecer a prática. “Benemerentes” e aliviados em suas consciências, muitas vezes, voltam “satisfeitos” para o aconchego da sua casa, na madrugada.

Não sabem o quanto é doloroso partilhar do pouco que se tem com quem vive da mesma miséria. Na manhã, zumbis que ressurgem de sobe a ponte, o beco, o parque… Apagados para a sociedade, esquecidos pelo mundo… Aquele que viu definhar a chama no olhar sabe que dignidade é artigo de luxo que já não lhe pertence. E a sociedade não se importa em colocar ao seu alcance…

(Revisão: IA Gemini. Formatação e imagens: Canva. Este e outros textos em manoeljesus.blogspot.com. Áudio e vídeo em https://youtu.be/FXfBHoBKQnM)