Crônica poética
Um dia fui parido pela terra. Em algum momento, atravessei fronteiras; em outro, deixei no horizonte meu lugar de origem. Onde nasci, já não me dá o direito de sobreviver. Partir era apostar num resquício de esperança, sempre com a vontade de um dia voltar.
Fui europeu marcado a ferro e fogo pelas chacinas mundiais; judeus na diáspora que me levou pelo mundo; negro ao deixar a mãe África, agoniado nos porões dos navios negreiros.
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"O desejo da solidariedade sem preço, sem cor, sem gênero. Livre de preconceitos, apenas o sonho de pertencer à comunidade universal do ser humano!"
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Refugiado das guerras fratricidas que não provoquei. Criança, mulher e velho chicoteado pela fome. Vítima de regimes políticos que falam em defender-me, no entanto, descaradamente, cerram as portas da fraternidade.
Como Jesus, no Egito, virei refugiado, à procura de abrigo e proteção. O desejo da solidariedade sem preço, sem cor, sem gênero. Livre de preconceitos, apenas o sonho de pertencer à comunidade universal do ser humano!





