segunda-feira, 20 de abril de 2026

Café com a Palavra: A luz que vem pelo teto

 

Personagem (Voz):
Um observador que estava na casa em Cafarnaum.

1. Abertura:

  • "Bom dia. Uma boa e abençoada segunda-feira. O Café com a Palavra continua acompanhando o paralítico de Cafarnaum. Ouvimos o depoimento do próprio paralítico e de um companheiro que o ajudou. Desta vez, pelo olhar de quem estava lá dentro, sentindo o calor e a pressão da multidão".

2. A proclamação do Evangelho.

3. O depoimento do assistente:

"A casa estava tão cheia que mal dava para respirar. O calor era forte e Jesus parecia não se incomodar com a discussão dos mestres da lei que o confrontavam e deixavam um peso extra no ambiente. De repente, o inusitado, a luz do sol invadiu a sala por cima, vindo do telhado, junto com a poeira do teto sendo aberto por mãos estranhas. Todos olharam para cima, irritados com a interrupção".

"Suportada por quatro homens, uma esteira tocou o chão, bem na frente de Jesus, com um paralítico acamado. Era uma cena surreal. O clima mudou completamente. Eu estava perto o suficiente para ver o rosto do Mestre. Ele não pareceu incomodado com a bagunça ou com o buraco no teto. Apenas sorriu e focou seu olhar naquele que, com seus amigos, demonstravam tanta fé".

"Quando Jesus disse 'teus pecados estão perdoados', para a grande maioria, um calafrio percorreu cada parte do corpo. Dizer “levanta-te e anda” era um desafio à natureza que parecia impossível de se concretizar. E, no entanto, fui testemunha. Vi o momento exato em que a cor voltou ao rosto do paralítico. Confesso que, depois do paralítico ter se levantado, tomado sua esteira nas mãos e se posto a caminho eu me sentia atônito. Emocionado, tive a prova que me faltava para acreditar no Filho do Homem. De alguma forma, aquele teto aberto também tinha deixado a luz entrar na minha própria vida".

4. Mensagem final

O mundo hoje precisa de quem cuida e de quem abre caminhos, não de quem julga. Que a palavra de hoje seja o fôlego que precisas para atravessar a semana com a alma leve.

Que esta nossa reflexão te acompanhe e te dê coragem. Nos encontramos na próxima segunda-feira. Se gostou, compartilha em tuas redes sociais. Deus te abençoe. Meu grande abraço.

(Revisão e imagem: IA Gemini)

domingo, 19 de abril de 2026

Crônica poética: ​O voo da alma no ocaso do corpo

 

    A suavidade do tempo, esse artesão silencioso, encarquilha a pele e desenha sulcos pelo corpo, passando ao largo do espírito, incapaz de domá-lo. Tornei-me, é verdade, mais lento; os passos perderam a impetuosidade das urgências inúteis. Contudo, há uma chama que arde, teimosa e clara, bem no centro da alma…


    É uma luz que não resiste ao deboche - um riso leve e travesso - diante de quem aceita envelhecer sem preservar o sentimento de liberdade. Aqueles que entregaram as folhas e as flores antes mesmo do outono chegar.

    Reivindico todos os dias:

  • O direito de caminhar as distâncias possíveis, sem a pressa de chegar, mas com o prazer de ainda estar na estrada;

  • O convívio com os olhos de quem preserva a pureza, não carrega o peso do preconceito e enxerga na velhice a continuidade natural do tempo, não o brete estreito que anuncia o fim;

  • A doçura de conversar e sorrir sozinho, em um monólogo que é, na verdade, um banquete de memórias.

    Sigo, assim, arrastando lembranças como quem carrega tesouros, e muito bem acompanhado. Pois há quem deixou a caminhada do meu dia a dia, sem jamais se ausentar da minha vida. Estão aqui, nas entrelinhas das minhas saudades e no silêncio do que sinto, provando que o espírito, que ainda respira liberdade, desconhece o que seja a despedida!

(Revisão e imagem: IA Gemini)

sábado, 18 de abril de 2026

Janelas do Tempo: Um Farol no Pampa, de Letícia Wierzchowski

O livro que dá sequência à história iniciada em A Casa das Sete Mulheres chama-se Um Farol no Pampa. A história se passa anos após o fim da Revolução Farroupilha (1835 a 1845). O cenário central deixa de ser apenas a Estância da Barra (Em Camaquã, no sul do Rio Grande do Sul) e se expande. A narrativa foca em Mariana, a neta de Bento Gonçalves, que agora é uma jovem mulher tentando encontrar seu lugar em um mundo que ainda carrega as cicatrizes dos conflitos passados.

O livro explora o destino das "sete mulheres" originais, agora mais velhas, lidando com as ausências e com o peso das memórias. Enquanto A Casa das Sete Mulheres era sobre a espera e o confinamento, esta sequência é sobre o deslocamento: os personagens cruzam o pampa, enfrentam a solidão das distâncias e buscam reconstruir a identidade da família Silva e Oliveira sob a sombra de um patriarca que já não está presente.

Em destaque:

  • A Passagem do Bastão: O foco em Mariana traz um frescor à narrativa, mostrando como os ideais da revolução impactaram as gerações que não lutaram no campo de batalha, mas herdaram suas consequências.

  • O Amadurecimento: Vemos figuras como Caetana e Perpétua em fases mais avançadas da vida, oferecendo uma perspectiva reflexiva sobre o que restou de seus sonhos de juventude.

  • A Ambientação: A autora utiliza o "Farol" do título como uma metáfora poderosa para a luz que guia os navegantes e os perdidos, contrastando com a imensidão muitas vezes árida e isolada do pampa gaúcho.

Este livro é particularmente rico por dois motivos:

A Memória como Herança: O livro trata de como as histórias que contamos (ou escondemos) moldam quem somos. A transição dolorosa entre a glória da revolução e a realidade da reconstrução. E a Estética da Solidão: Diferente do primeiro livro, onde as mulheres estavam juntas, aqui a solidão é individualizada. 

Há uma beleza melancólica na forma como cada personagem enfrenta seus próprios "fantasmas" em meio à paisagem vasta do Rio Grande. É uma obra que fala menos de espadas e cavalos e muito mais de sentimentos represados e a necessidade de dar continuidade à própria vida…
(Revisão e imagem: IA Gemini)

sexta-feira, 17 de abril de 2026

O fio da meada: o laberinto e a ilusão do lucro fácil

O cenário econômico brasileiro enfrenta um novo e agressivo vilão: a explosão das apostas eletrônicas e do crédito fácil. O que antes era restrito a ambientes específicos agora habita o bolso de cada cidadão, acessível a um toque na tela do celular. Essa “democratização do vício”, impulsionada por algoritmos e promessas de ganhos rápidos, tem corroído a base financeira das famílias de forma silenciosa. O "canto da sereia" dos consignados agora se mistura ao brilho das plataformas de jogos, criando um ciclo de dependência que ultrapassa o campo financeiro e atinge a saúde mental do trabalhador.

​A publicidade massiva desempenha um papel crucial nessa engrenagem de endividamento, ocupando horários nobres e invadindo as redes sociais com influenciadores. Ao vender a ideia de que a aposta é um investimento ou uma saída viável para a pobreza, os meios de comunicação legitimam uma prática de alto risco. Para muitos, o jogo deixa de ser lazer e passa a ser uma tentativa desesperada de salvar um orçamento que já opera no limite. A enxurrada de comerciais cria uma falsa sensação de segurança, normalizando um comportamento que, na prática, retira recursos de necessidades básicas como alimentação e moradia.

​A estrada da dependência é pavimentada pela esperança renovada a cada perda: a crença de que a próxima jogada será a redenção. Esse mecanismo psicológico aprisiona o indivíduo em um looping de perdas, onde o prejuízo acumulado é o combustível para novos depósitos. O orçamento familiar, já fragilizado pela inflação e pelo baixo poder aquisitivo, acaba sendo sacrificado no altar da jogatina. O que começa como um sonho de liberdade financeira rapidamente se transforma em uma realidade de restrição extrema e estresse constante para todos que convivem com o apostador.

​Os reflexos dessa crise transbordam para o convívio familiar, gerando conflitos, quebra de confiança e isolamento social. Quando o salário desaparece em plataformas de apostas antes mesmo de pagar o aluguel, a estrutura doméstica entra em colapso. O endividamento desenfreado não é apenas um número em uma planilha, mas uma ferida aberta que gera ansiedade e desespero. Muitas vezes, a vergonha impede que o sujeito busque ajuda, fazendo com que o problema cresça nas sombras até que a derrocada financeira se torne inevitável e pública...

​Enquanto alguns conseguem encontrar o caminho de volta através de auxílio especializado e grupos de apoio, outros acabam submergindo sob o peso das dívidas e da depressão. É imperativo que haja uma discussão séria sobre a regulamentação dessas plataformas e o limite ético da publicidade no país. A proteção do consumidor e a educação financeira precisam ser tratadas como questões de saúde pública para evitar que o sonho da ascensão social seja devorado pelo jogo. O fio da meada, neste caso, revela que a verdadeira sorte está em manter o controle sobre o próprio destino e o próprio bolso.

(Revisão e imagem: IA Gemini)


segunda-feira, 13 de abril de 2026

Café com a Palavra: Esforço, amizade e fé

Bom dia. Uma boa e abençoada segunda-feira. Um bom e abençoado início de semana.

O Café com a Palavra continua acompanhando o paralítico de Cafarnaum. Desta vez, com o depoimento de quem ajudou a descer a maca. Um esforço possível pela amizade e a fé. escuta o depoimento do do amigo e companheiro. Podes encontrar o texto no evangelho de Lucas, capítulo 5.

“Certo dia, quando Jesus ensinava, estavam sentados ali fariseus e mestres da lei, procedentes de todos os povoados da Galileia, da Judeia e de Jerusalém. E o poder do Senhor estava com ele para curar os doentes.

Vieram alguns homens trazendo um paralítico numa maca e tentaram fazê-lo entrar na casa, para colocá-lo diante de Jesus.

Não conseguindo fazer isso, por causa da multidão, subiram ao terraço e o baixaram em sua maca, através de uma abertura, até o meio da multidão, bem em frente de Jesus.

Vendo a fé que eles tinham, Jesus disse: "Homem, os teus pecados estão perdoados".

Os fariseus e os mestres da lei começaram a pensar: "Quem é esse que blasfema? Quem pode perdoar pecados, a não ser somente Deus?"

Jesus, sabendo o que eles estavam pensando, perguntou: "Por que vocês estão pensando assim?

Que é mais fácil dizer: 'Os teus pecados estão perdoados', ou: 'Levanta-te e anda'?

Mas para que vocês saibam que o Filho do homem tem na terra autoridade para perdoar pecados" - disse ao paralítico - "eu te digo: Levanta-te, pega a tua maca e vai para casa".

Imediatamente ele se levantou na frente deles, pegou a maca em que estava deitado e foi para casa louvando a Deus.

Todos ficaram atônitos e glorificavam a Deus e, cheios de temor, diziam: "Hoje vimos coisas extraordinárias!"


O amigo que não abandona:

"A gente não sabia se o telhado aguentaria, mas o peso da necessidade do nosso amigo nas nossas costas era maior do que qualquer medo de estragar a casa de alguém. Lembro do suor nas mãos e da corda queimando a palma enquanto baixávamos a maca. 

O que vimos de cima foi um mar de gente, mas, conforme ele descia, o silêncio foi tomando conta. Quando nossos olhos encontraram os de Jesus lá embaixo, entendemos que não estávamos apenas baixando um homem doente; estávamos entregando nossa esperança nas mãos de quem realmente podia carregá-la. O tempo parou enquanto ouvíamos a voz do Mestre que era como a brisa soprando em meio ao calor.

As palavras precederam o gesto. Sem levantar a voz, o “teus pecados te são perdoados” e o “levanta-te e anda” soaram como uma promessa de compreensão, aceitação e perdão. Ver ele se levantar e ir em direção à porta foi como se cada um de nós mesmos estivéssemos recuperado o movimento, tomando um leito que agora era inútil e encontrando sentido no simples gesto de caminhar."


O Mundo, hoje, precisa de quem cuida, não de quem acusa ou julga. São muitas as carências pessoais e coletivas e a solidariedade é o gesto maior na prática da caridade. Seja a mão que Deus estende ao teu próximo. Novamente, que a palavra de hoje não seja um peso, mas o fôlego que precisas para atravessar a semana com a alma leve e um sorriso no rosto. Se gostaste, compartilha nas tuas redes sociais. Nosso próximo encontro já está marcado para a próxima segunda-feira. Te espero. Deus a abençoe. Deus o abençoe. Deus nos abençoe. Meu grande abraço.

(Revisão e imagem: IA Gemini)


domingo, 12 de abril de 2026

A finitude do horizonte

 Crônica poética


Há um tempo em que o
corpo já não acompanha o que devaneia a mente e o coração. Embaça a visão e o que se sonhou fica restrito ao aqui e agora. Adormecem as pálpebras e letargia cada fibra de um ser cansado, dificultando a possibilidade de se estabelecer horizontes. É uma longa jornada até superar o afã do desejo e conquistas, descobrir que é tempo de adormecerem os sonhos…


Desvelar rumos e chegadas têm o gosto do que se torna idealização: metas possíveis, o desejo de tocar no que foi quimera, onde repousam aspirações e se deseja que alguém ajude a espantar o que se torna pesadelo…

 

A finitude do horizonte. O Sol transborda as nuvens num espelho que abre mão do tempo. Onde imagens se transmutam, ganhando contornos irreais. Mesmo diante do que é desejo, há uma fronteira delimitando que se viva as consequências das próprias decisões.

 

Um álbum de retratos onde o destino esmaeceu os traços, preservou os contornos, restando fragmentos de recordações. Nas andanças, o Sol se pondo, demarca veredas, alimenta o olhar na chegada do possível. A derradeira luz permite que se sinta os passos cansados, trôpegos, as marcas que sulcam um pouco da história que se relutou em viver… (Revisão e imagem: IA Gemini


sábado, 11 de abril de 2026

A Casa das Sete Mulheres

 Janelas do Tempo: 

A Casa das Sete Mulheres, de Letícia Wierzchowski
, nos transporta para 1835, início da Revolução Farroupilha. Enquanto os homens da família de Bento Gonçalves partem para o combate, as mulheres — Ana Joaquina, Maria, Manuela, Rosário, Mariana, Caetana e Perpétua — são enviadas para a estância da Barra, em Camaquã. Ali, em busca de segurança, passam a conviver apenas com os parentes, escravizados e peões, transformando a estância no cenário de uma espera que duraria dez longos anos.

O livro é narrado através do diário de Manuela, sobrinha de Bento, que se apaixona perdidamente pelo revolucionário italiano Giuseppe Garibaldi. Trata-se de um amor platônico correspondido na ficção, mas que o destino trataria de desviar. Garibaldi encontraria em Anita aquela que o acompanharia como o "herói de dois mundos", deixando para Manuela o peso de uma saudade que se tornaria eterna, marcando a transição da juventude para a maturidade sob a sombra da guerra.

Durante uma década, a casa torna-se um microcosmo de resistência e sofrimento. O tempo na estância é marcado apenas pelas notícias esparsas que chegam do front e pelas transformações internas de cada uma daquelas mulheres. Crianças saíram dali adolescentes e as adultas envelheceram testemunhando inúmeros casos de amores que foram sepultados nas coxilhas do Rio Grande, provando que a guerra fere profundamente mesmo aqueles que não empunham espadas.

Se nos livros de história aprendemos sobre as batalhas de Seival ou a Proclamação da República Rio-Grandense, em Letícia aprendemos sobre a "guerra da espera". O grande trunfo desta obra é dar voz ao silêncio das estâncias na imensidão do pampa. É um mergulho no avesso dos fatos, onde a historiografia cede espaço para a subjetividade de quem sentiu, na pele e no isolamento, os reflexos de um conflito que parecia não ter fim.

Na humanização do mito, Bento Gonçalves deixa de ser apenas o general para ser o marido e tio cuja ausência molda o destino das sete protagonistas. A "Casa" do título deixa de ser uma construção de pedra para se tornar um estado de espírito: a resiliência gaúcha sob uma ótica íntima e poética. É o Rio Grande do Sul sendo forjado não apenas pelo aço, mas pela força de quem ficou para trás com a missão de não deixar ruir o mundo da identidade gaúcha.