Crônica poética:
Era um período de final de ano, em plena primavera. Havia tido dificuldade em alguma matéria do currículo escolar e precisei das chamadas aulas de reforço. Elas aconteciam no declinar da tarde e, quando acabavam, já era noite. Da escola paroquial que frequentava até a minha casa eram quatro quadras. Na primeira, havia iluminação pública. Depois, para mim, ainda criança, restava a escuridão.
Era uma época de poucas casas no flanco direito da vila, enquanto um sítio se alongava por toda a margem esquerda. No pedaço de terra em que se plantavam verduras e hortaliças não havia cercas; a proteção era feita com maricás e outros arbustos espinhentos. A rua era de chão batido, com valetas e calçadas servindo como prolongamento dos pátios.
O silêncio absoluto era quebrado apenas pelo piado tardio de uma ave (que eu julgava agourenta) ou pelo ladrar de um cachorro que fazia a ronda ao redor de sua morada e pressentia a presença de estranhos. Parecia uma distância infindável. Eu apenas ansiava pelo aconchego do meu lugar de referência: meu lar, meu porto seguro.
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" Era o suficiente para esboçar um sorriso e sentir que ali residia o meu lugar, cercado pela família, por amigos e pela doce compreensão de que a vida havia sido gentil comigo… E com a minha história!"
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O coração desacelerava ao vislumbrar a tênue luz de lampião que saía pela porta do Bar e Armazém Raulin, a venda de meu pai. Já mais próximo, era possível ouvir as vozes dos vizinhos que paravam para um aperitivo antes de se recolherem. Aquilo era o suficiente para esboçar um sorriso e sentir que ali residia o meu lugar, cercado pela família, por amigos e pela doce compreensão de que a vida havia sido gentil comigo… E com a minha história!
(Revisão e imagem: Gemini. Áudio e vídeo em https://youtu.be/79e2sOLwCdE)
