Crônica poética:
Um bombril aceso foi a primeira e mais pura experiência de iluminar os céus. Na infância, longe dos foguetes sonoros que sempre evitei por medo dos estrondos, encontrava refúgio na simplicidade da brincadeira inocente. Era solidário com crianças, pessoas especiais, idosos e animais, pois sentia que a verdadeira celebração não deveria causar o medo ou o susto de quem, como eu, buscavam apenas a diversão e a paz.
A brincadeira preferida nas festas de São João, São Pedro e Santo Antônio era colocar um bombril na ponta de uma vara e acendê-lo na fogueira. Depois, correr ao redor, girando aquele fogo nas mãos enquanto vertia centelhas, transformadas em estrelinhas, no que considerava o mais belo espetáculo da Terra. A magia criada por nossas mãos, iluminando os olhos das crianças, sem ferir o silêncio da noite ou a tranquilidade de quem quer que fosse.
Nas festas de final de ano, ainda hoje, ouve-se o lamento de alguns rojões insistentes. No entanto, prefiro observar quando os céus se vestem com o colorido dos fogos de artifício silenciosos, que não agridem a sensibilidade. A luz que floresce no alto, sem o peso do barulho, tem a vocação mais nobre para acolher o olhar e propiciar o descanso.
Melhor ainda quando as luzes desenham no firmamento imagens que alimentam sentimentos mais profundos. O espetáculo que ilumina sem ferir acaba sendo, ele próprio, uma tela de aconchego para quem se encanta. Nos pátios das igrejas, das escolas ou nas ruas, no fim das contas, a beleza que perdura é aquela que desenha esperança sem precisar tirar o sono de ninguém.
(Revisão e imagem: Gemini)






