Quartas com gosto de poesia:
Onde, ao partir, deixei apenas uma árvore,
As pedras de onde mirava o horizonte e
A vista que se estendia além do alcance do meu olhar.
Para lá me dirigi, levando os meus sonhos.
Ali, a brisa da tarde ainda me reconhecia.
Murmurando por entre as folhas
Segredos que não entendi.
Até que encontrei a estrada,
No sopé do meu refúgio,
Por onde segui em busca do meu destino.
Fez-me falta aquele lugar de contemplação.
Voltar não significou reencontrar o que vivi:
Era fechar um ciclo de partidas e regressos,
A vida, com suas surpresas e desilusões.
Um lugar para entender e aceitar
Que ali eu encontrava o meu aconchego.
Vê-la, à distância, era um bálsamo,
Onde as minhas memórias encontraram descanso.
Sentir o vento na pele e semicerrar os olhos
Lembrou o que fui e o que sobrou de mim.
O Sol, no ocaso, abraçando o horizonte,
E a penumbra, sem pressa, revela
Que resta o bastante para iluminar
O que sou, o que fui e o que ainda desejo ser…
(Revisão: Kimi. Imagem: Gemini.)


