Manoel Jesus
terça-feira, 12 de maio de 2026
domingo, 10 de maio de 2026
Mãe, obrigado por ter me ensinado a amar!
Crônica Poética:
Difícil definir o que seja “mãe” - assim como a palavra “amor”. É um contorcionismo verbal, uma tentativa sempre acompanhada da impressão de que faltou alguma coisa. Da mesma forma que o “amor”, a "mãe" se experimenta na realidade do dia a dia, em um tempo de vivências tão intensas das quais não se tem noção, até que os anos passem e as memórias sejam depositadas no altar onde incensamos a bênção que foi ter tido o convívio com elas.
Minha mãe era a dona França — como era conhecida na nossa rua, embora se chamasse Francelina. Durante muito tempo, achava engraçado que a chamassem assim, porque, para mim, ela era simplesmente “mãe”. Migrou do interior de Canguçu com meu pai e três filhos por criar, educar, vestir e alimentar. Eram tempos difíceis, e deve ter sido ainda mais para quem sempre viveu tão próxim à família.
Na periferia da cidade (Pelotas/RS), buscaram fugir, como dizia meu pai, “da miséria para viver na pobreza”. Parecia natural que ela cumprisse diversas jornadas de trabalho: cuidadora dos filhos, responsável pela casa e pela alimentação, reserva no atendimento do bar e armazém do seu Manoel. Nunca a vi chorosa, nunca a vi reclamar. Era, literalmente, o porto seguro onde ancorávamos nas nossas muitas voltas ao lar.
Mesmo com apenas a terceira série primária, dizia que era preciso que os filhos “tomassem rumo na vida”. Hoje, sei que num abraço cabem as palavras que eu deveria ter dito e não o fiz. E, se elas já moram na Eternidade, a homenagem se faz na certeza de que o caminho foi iluminado por um ser de luz: o coração de quem amou primeiro e mostrou, com a vida, que o simples ato de amar sempre vale a pena!
Na tua presença, ou na tua saudade,
Mãe, obrigado por me ensinar a amar!
(Revisão e imagem: Gemini)
sábado, 9 de maio de 2026
Pedra da Memória, de Luiz Antonio de Assis Brasil
Janelas do Tempo:
Dando continuidade à trilogia sobre o "Castelo no Pampa", de Luiz Antonio Assis Brasil, chegamos ao segundo volume: Pedra da Memória. Se no primeiro livro testemunhamos a glória da construção, aqui somos convidados a entrar em um cenário mais íntimo e melancólico, onde o tempo começa a cobrar o seu preço sobre as pedras e sobre os homens.
A trama foca na maturidade de Joaquim Francisco, o idealista que tentou plantar um pedaço da Europa no coração do Rio Grande do Sul. O conflito central é humano e profundo: o choque entre o seu sonho de civilização e a realidade da decadência econômica das estâncias gaúchas. Vemos um patriarca que luta para manter a dignidade enquanto o mundo que ele conhece se transforma.
Ao lado dele, destaca-se a figura de Lydia, sua esposa. Ela é o verdadeiro pilar emocional que sustenta a estrutura do castelo diante do isolamento e das incertezas. A relação do casal com os filhos também ganha força, revelando o abismo geracional entre quem construiu o império e quem herdará apenas as suas ruínas e memórias, em um tempo onde a terra já não tem a mesma voz.
O autor utiliza uma linguagem elegante para descrever essa erosão silenciosa. A "Pedra" do título é um símbolo duplo: representa tanto a solidez dos ideais de Joaquim quanto o peso da saudade que imobiliza os personagens. É uma leitura que faz refletir sobre o que realmente permanece de nós quando as luzes dos grandes salões começam, inevitavelmente, a se apagar.
A história une rigor histórico e sensibilidade quase poética sobre a condição humana. Pedra da Memória é uma escolha indispensável, o convite perfeito para uma boa leitura, desvendando segredos dos moradores do castelo em uma narrativa fragmentada. O livro funciona como um retrato íntimo das perplexidades humanas e da ruína de um modo de vida, consolidando a série como uma peça importante do romance histórico sul-rio-grandense.
(Revisão e imagens: Gemini)
sexta-feira, 8 de maio de 2026
Vacinas: As mentiras que podem matar
O Fio da Meada:
Ainda precisamos falar sobre vacinação. Parece um tema esgotado, mas a realidade nos impõe o retorno a essa pauta. Todos os anos, a história se repete como uma ladainha persistente: as campanhas de saúde, que deveriam ser celebradas como um pacto de vida, encontram uma barreira feita de indiferença e, em casos mais graves, de hostilidade gratuita. No outono, quando o ar esfria, a proteção deveria ser o nosso agasalho principal.
Olhamos para trás e vemos o rastro de superação que a ciência nos deixou. Doenças que antes mutilavam e matavam em silêncio, como a poliomielite, tornaram-se memórias distantes graças ao esforço de braços estendidos nos postos de saúde. O sarampo, que outrora era uma sentença de medo para os pais, foi domado pela inteligência coletiva. São vitórias da humanidade, marcos de uma evolução que não permitia que o obscurantismo ditasse as regras do jogo.
Entretanto, vivemos um fenômeno curioso e triste. O acesso à informação, em vez de libertar, muitas vezes tem servido para encarcerar mentes em bolhas de negação. Bastou a politização de um tema técnico para que a confiança fosse abalada. Quando transformamos a saúde em um campo de batalha ideológico, os únicos feridos são os cidadãos. Não se trata de direita ou esquerda quando o que está em jogo é o fôlego de um idoso ou a segurança de uma criança.
Não consigo aceitar que políticos de estimação sejam colocados acima do bem-estar social. Priorizar narrativas em detrimento da sobrevivência de quem depende do SUS é uma falha moral profunda. A saúde pública é o último refúgio de quem não tem posses, e enfraquecê-la com dúvidas infundadas é um crime silencioso. Onde foi que perdemos a capacidade de confiar naquilo que nos trouxe até aqui com vida e saúde?
Que este texto sirva como um convite ao pensamento crítico. Vacinar é, antes de tudo, um ato de amor e de civilidade. É entender que o meu corpo faz parte de um corpo social que precisa estar forte. Não permita que o barulho das disputas partidárias ensurdeça o seu instinto de proteção. Procure o posto, busque a vacina e reafirme o seu compromisso com a vida. Afinal, a ciência continua sendo o nosso melhor escudo contra as sombras do passado.
(Imagens e revisão: Gemini)
quarta-feira, 6 de maio de 2026
O mate no renascer da manhã
Quartas com gosto de poesia:
Na cuia se molda o início do dia,
O verde esperança que o tempo conduz;
A água que aquece e a alma sacia,
Em cada gole, um reflexo de luz.
Não é só bebida, é silêncio, é prece,
Um trato sagrado com a tradição;
Enquanto o vapor no ambiente floresce,
Se acalmam as batidas do meu coração.
A mão que sustenta a bomba de prata,
Carrega memórias de um tempo guri;
A lida do mundo, por vezes ingrata,
Se torna mais leve ao sorvê-lo por aqui.
E quando a manhã se aconchega serena,
Oferecendo o amargo que ensina a viver;
O mate faz a vida valer a pena,
No eterno mistério de se renascer!
(Revisão e imagem: Gemini)
domingo, 3 de maio de 2026
O Manifesto de um Velho Bobo
Crônica poética:
Dizem que sou apenas “um velho bobo”. É um bom título. Aceito sem resistência, pois, no fim das contas, só os “bobos” ainda conseguem enxergar o que é “essencial aos olhos”.
Admiro a criança na sua plena inocência, desconhecendo as convenções e livre de preconceitos. Ela é solidária por natureza. Ainda imune ao vírus predador das relações de exploração e medo que o mundo tenta, precocemente, inocular.
Admiro o jovem que teima em acreditar nas suas potencialidades. Pedem-lhe, com pressa, que amadureça — como se a vida fosse um prazo a vencer — quando ele apenas deseja que não matem os seus sonhos. Resiste para que não lhe privem dos amigos e dos amores, nem engessem sua caminhada, exigindo que abra mão de um tempo de aventuras.
Admiro o idoso que, reconhecendo a finitude, ainda se permite o devaneio. O direito que pede de ser feliz não é para atender a seus interesses, mas irradiar a energia que contamina a família e o meio onde vive. Um farol que pisca, mas teima em não se apagar.
Minha prece pela humanidade não é uma utopia desprovida de sentido. Ela encarna no cerne do mundo, sabendo que faz parte da vida: sofrer, surpreender-se e, acima de tudo, ser feliz.
Sim, sou apenas um velho bobo. Um desses que, apesar de tudo, ainda escolhe acreditar no ser humano, na vida e no amor!
(Revisão e imagem: Gemini)
sábado, 2 de maio de 2026
Perversas Famílias, de Luiz Antonio de Assis Brasil
Janelas do Tempo:
Perversas Famílias é a obra que inicia a saga de Um Castelo no Pampa estabelecendo o conflito central entre o desejo e a realidade. A narrativa expõe a construção de uma residência monumental, idealizada por um patriarca, mas concretizada por seu herdeiro, Olímpio. O cenário serve como metáfora para a formação da sociedade gaúcha, onde a solidez das pedras contrasta com a fragilidade das relações humanas. Luiz Antonio de Assis Brasil utiliza esse palco para dissecar a linhagem da família Borges da Fonseca e Menezes em meio ao isolamento do pampa.
A estrutura do romance utiliza um movimento temporal constante para revelar as camadas da hipocrisia familiar. Não há uma linha reta na memória, mas sim um desvelar gradual de mentiras e segredos que sustentam a aparência da honra. O texto demonstra como o projeto de poder latifundiário carrega em si as sementes da própria destruição. A cada capítulo, a imagem do castelo perde seu brilho romântico para se tornar um símbolo de clausura e opressão psicológica para os que ali habitam.
O foco recai sobre a perversidade intrínseca ao sistema de privilégios da época. A convivência entre pais, filhos e irmãos é marcada por uma rigidez que sufoca o afeto em nome da manutenção do nome e da propriedade. O autor evita a glorificação do passado, preferindo mostrar o avesso do mito heroico do estancieiro. Revela-se um ambiente onde a comunicação é falha e os silêncios são tão pesados quanto as paredes da edificação que se ergue na imensidão do campo.
O personagem Dr. Olinto surge como o observador crítico e o fio condutor que atravessa essa turbulência histórica. Sua presença permite ao leitor enxergar as contradições de um Rio Grande do Sul que tentava conciliar a herança tradicionalista com as mudanças da República. A narrativa aponta para a decadência moral de uma classe que se via como eterna, mas que se tornava anacrônica diante dos novos tempos. O olhar do médico funciona como uma lente que amplia as feridas abertas pela ambição desmedida.
O fechamento do primeiro volume, Perversas Famílias, deixa clara a inevitabilidade da queda. O castelo, embora majestoso, é o retrato de uma miragem trágica que consome a energia e o caráter de várias gerações. A obra termina por consolidar a ideia de que a arquitetura do poder é, muitas vezes, uma armadilha para quem a constrói. Prepara-se, assim, o terreno para os desdobramentos futuros que serão explorados em Pedra da Memória, mantendo a tensão entre a história pública e a ruína privada.
(Revisão e imagem: IA Gemini)




