Crônica Poética:
Recentemente, assisti a um vídeo no canal Melhores Destinos, apresentado por Sandro Kurovski, sobre os Caminhos de Caravaggio. O trajeto conecta Canela a Farroupilha, ligando os santuários dedicados à mesma santa em um percurso de cerca de 200 quilômetros pela Serra Gaúcha. Um itinerário semelhante também mobiliza peregrinos que partem de Caxias do Sul, percorrendo uma distância menor — 19 km —, especialmente durante as celebrações de maio.
Quando minha sobrinha Daniele morava em Caxias, sonhamos com esse percurso. Fomos até lá de carro e nos encantamos com o templo, no alto da serra, emoldurado por vales que oferecem uma vista panorâmica, digna de um lugar abençoado. As demonstrações de fé pelo caminho podem ser individuais ou em grupos, com muitos peregrinos caracterizados. A caminhada é profundamente democrática: reúne cristãos e todos aqueles que buscam o consolo do Divino.
Não consigo enfrentar uma caminhada de 200 km de uma só vez. Mas, e se o percurso for "parcelado"? Não em meses, mas em dez dias, com paradas em pousadas pelo interior, em lugares aprazíveis e cercados de belas paisagens? É aí que o sonho de peregrinar com familiares e amigos ganha forma. "Caminhar juntos" deixa de ser apenas um conceito social ou religioso; torna-se um convite de parceria para dividir a estrada, no silêncio em que cabem todas as demonstrações de atenção e respeito.
De Caravaggio a Santiago de Compostela, muitos caminhos se transformam em espaços de peregrinação. Há quem os percorra para desestressar — um momento de paz consigo mesmo —, para buscar uma bênção ou para reencontrar o sentido da própria fé: aquele silêncio que cura feridas e anima a alma.
Um caminho que, em tudo, se mostra diferente. "Inenarrável" é como os peregrinos definem sua jornada. Quem sabe, exatamente porque, nas coisas de Deus, os caminhos sejam o lugar de liberdade das convenções para, apenas e tão somente, nos deixarmos levar pelo Infinito…
(Revisão e imagens: Gemini)






