Crônica Poética:
As folhas estavam tenras, delicadas como um primeiro carinho, quando um galho tímido alinhou seus brotos, na expectativa de que, juntos, explodissem em flor. Na perfeição do efêmero, guardou sua beleza para eclodir no cacho que embeleza o dia e marca a noite com o seu perfume.
O tempo cumpre sua sina e transforma o botão em fruta. A pele, antes aveludada, agora ganha tons avermelhados sob a luz do sol. O ciclo segue um rito que a terra compreende, enquanto o pomar observa a mudança silenciosa de cada estrutura, preparando-se para o momento em que vai saciar o prazer de quem se senta à mesa.
O perfume atravessa a janela e alcança a varanda. Invade o ambiente, liberta-se da cozinha onde se misturou ao aroma do café. A presença marca a transição das horas, criando laços entre o que floresce lá fora e o que se organiza aqui dentro, onde os sentidos se fundem aos livros e às notas de rodapé.
Na colheita, o fruto cede ao toque. Num balaio que guarda a lembrança da primeira flor, resta o aroma, como marco da estação. O galho descansa, cumprindo o seu papel. E a natureza reinicia o próximo ciclo. O milagre da vida, guardando na pele o perfume da flor; na carne, o gosto que escorre pelos lábios e, no guardião da semente, a certeza de que a eternidade é somente o tempo de voltar a primavera…(Revisão e imagem: Gemini)






