Crônica Poética:
Desde os meus quinze anos, sou movido por acordes. Tudo começou com o radinho de pilha que ganhei naquele aniversário, inaugurando um ritual que resiste ao tempo. Hoje, seja para um breve repouso à tarde ou para o recolhimento noturno, o celular ou o tablet assume o papel de caixinha de som — uma orquestra particular que marca o compasso do meu descanso, que muitas vezes dispensa o sono e pede apenas silêncio e introspecção.
A melodia me acompanha, embala a rotina, as horas de dono de casa, e os momentos de não fazer nada. Levo-a comigo pelas ruas, enlaçada nos fones de ouvido, ou a bordo do carro. Em verdade, a música desenha a moldura perfeita para alinhavar o pensamento; funciona como a baliza invisível que preserva a minha sanidade mental. Quando as notas vagam pelo ar, sinto o caminho mais nítido para enfrentar qualquer jornada.
Contudo, é na penumbra do quarto, no cair da noite, que exerce seu sortilégio mais profundo. Bem ao lado do meu travesseiro, sintonizo minha emissora preferida, a Studio Web Rádio. Suas trilhas orquestradas afinam o tom exato para me conduzir a um horizonte intangível: o limiar entre a terra e o firmamento, o porto seguro do aqui e o deslumbramento do sonho, o estado de vigília e a doce sonolência que chega trazendo promessas inimagináveis…
(Revisão e imagem: Gemini. Áudio e vídeo em https://youtu.be/-57QJYAtB94)


