sábado, 30 de maio de 2026

Seminário Arquiocesano: 87 anos

Crônica Poética: 

  1. Tinha 12 anos quando saí de casa pela primeira vez para estudar como interno no Seminário. Levado por meu pai, havíamos acondicionado os poucos pertences em bolsas e sacolas emprestadas de parentes e vizinhos. Quando me despedi do seu Manoel e o vi se afastando em meio aos eucaliptos da avenida Dom Joaquim, meu coração se apertou. Ali, compreendi o que significava a ausência de meus pais, irmãos e amigos de infância. 🌳🎒



O ambiente e o modo de vida eram distintos. Submetido a um regime de disciplina até então desconhecido, precisei aprender a me virar sozinho, sem o colo ou o socorro familiar. No silêncio noturno do dormitório, encolhido sob o mosquiteiro, as lágrimas frequentemente molhavam o travesseiro. Contudo, na hora de retornar ao lar, eu diminuía o passo na chegada; secava o rosto para demonstrar fortaleza, ajustando os medos às pretensões quase infantis. 😢🛡️

Não houve arrependimentos. Os onze anos vividos naquela instituição foram suficientes para me proporcionar uma formação que, de outra maneira, possivelmente eu não alcançaria. Era uma rotina de estudos, cuidados domésticos, atividades físicas e religiosas. Esse tempo foi marcado por figuras admiráveis, como os padres Guerino, Olavo e Cláudio, que guiaram meus passos desde o ensino fundamental até a faculdade. 📚⛪

O Seminário funcionava como um casulo onde se formavam não apenas sacerdotes, mas lideranças sociais e humanas. Hoje, observando os rumos que cada um tomou, sinto orgulho de ter pertencido a uma geração que marcou a história da sociedade pelotense e do Estado. 🦋✨

A casa permanece como um ponto de referência — um lembrete de que o mundo, de vez em quando, precisa voltar seu olhar à espiritualidade para reconciliar-se com a sua própria humanidade. 🕯️🌍

(Revisão e imagens: Gemini. Áudio e vídeo em https://youtu.be/viiiIemhQHE)

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O Realismo Fantástico que Insiste em Ser Real

 Janelas do Tempo: 

Para a Janela do Tempo de hoje, o convite é olhar o realismo fantástico que insiste em ser real!
🌍✨

Proponho um olhar não através das lentes sisudas do noticiário diário, mas sim pelo retrovisor de uma história que dança entre o trágico e o tragicômico. Refiro-me ao livro "América Latina Lado B", de Ariel Palacios. 📚👇

O Ariel, que há décadas traduz a alma portenha e latino-americana para seus leitores e telespectadores na GloboNews, faz nesta obra um serviço arqueológico delicioso: ele desenterra o "lado B" da história. Aquele lado que os livros oficiais costumam esconder por puro constrangimento! 🔍😮

Ao avançar pelas páginas, fica claro que o realismo fantástico de Gabriel García Márquez ou de Isabel Allende não foi uma invenção literária; foi meramente jornalismo documental. 📜🎙️ Palacios conduz por um desfile de excentricidades, superstições de governantes, diplomacias absurdas e bizarrices políticas que explicam muito do nosso DNA latino-americano. 🧬

É um livro que faz rir pelo absurdo, mas que, logo em seguida, faz suspirar pela melancolia de perceber o quanto o continente é místico, passional e, por vezes, incompreensível. 🎭❤️‍🔥

Ariel lembra que a realidade latino-americana é um território onde o absurdo é o cotidiano. Uma leitura leve, absurdamente inteligente e essencial para quem quer entender que, para conhecer a terra e a gente com a qual vivemos, é preciso aceitar que ela raramente segue a lógica convencional. 🗺️🕊️

Nossa história precisa ser analisada, seguidamente, com um pouquinho de senso do ridículo… 🧐😅

(Revisão e imagens: Gemini. Este e outros textos em manoeljesus.blogspot.com. Áudio e vídeo em https://youtu.be/Dd9nzwWp6Bc)

#JanelasDoTempo #AmericaLatinaLadoB #ArielPalacios #LiteraturaLatina #DicaDeLeitura #LivrosEHistorias #BastidoresDaHistoria #RealismoFantastico #CulturaLatinoAmericana


sexta-feira, 29 de maio de 2026

Feminicídio: Por que as campanhas não bastam?

O Fio da Meada:

Sábado passado (23), assisti a um depoimento contundente do Dan Stulbach no Jornal do Almoço, da RBS TV 📺. Falava sobre o feminicídio e confessou uma dor que, tenho certeza, é de todos nós: a frustração. 💔

O ator já emprestou o rosto e a voz para inúmeras campanhas contra a violência doméstica, mas desabafou que dá um desânimo enorme ver que, apesar de tanta informação circulando, os números insistem em não baixar.

A fala acendeu um alerta e fez pensar: onde é que estamos errando? 🤔 Será um problema de segurança, de educação ou de cultura?

A verdade é que a polícia e as leis — fundamentais e rigorosas — chegam quando o crime infelizmente já aconteceu. E a escola, por si só, não tem dado conta. O próprio Dan lembrou de algo essencial: esse drama não escolhe classe social, nível de estudo ou conta bancária. Homens bem informados, com berço e diploma, também agridem e matam.

🛑 A raiz do mal está em um porão muito escuro do inconsciente coletivo: a ideia de que a mulher é um apêndice do homem.

Muitos aprenderam a falar bonito em público, a usar o discurso correto nas redes sociais, mas guardam trancado na intimidade aquele sentimento arcaico de posse. Quando a mulher decide caminhar com as próprias pernas, pedir o divórcio ou simplesmente dizer um "não", o homem sente que está perdendo um pedaço do seu patrimônio. A reação a essa autonomia é a destruição. 😢

🗣️ Informação já temos. O que falta é coragem para mexer na estrutura cultural e na forma como se educa os sentimentos e o respeito dentro de casa.

Campanhas ajudam, mas o silêncio dos lares só vai ser curado quando a posse der lugar, de uma vez por todas, ao amor que liberta. Sob pena de continuarmos assistindo à falência da civilidade diante do que é uma chaga social transformada em barbárie.


(Revisão e imagem: Gemini)

👇 #Feminicídio #FeminicidioNao #ViolenciaDomestica #RBS TV #DanStulbach #RespeitoSempre #CulturaMachista #MudancaNecessaria #EducaçãoParaORespeito #AmorNaoÉPosse


quarta-feira, 27 de maio de 2026

O voo possível

Quartas com gosto de poesia:

Vejo, apenas, uma nesga do lago, 

Onde a neblina esconde uma passagem

Mergulha o horizonte na sombra, 

Na busca que se faz viagem.



A espera de um tempo sentido, 

Até que o Sol vença a treva e o ar

Enquanto o mistério descansa 

No sonho que teima em acalentar.


Plana por sobre a leveza do infinito, 

Num tapete que com o céu se alinha

Sabendo que mora o aconchego 

Na luz que no peito se aninha.


Entre a bruma no lago e os céus, 

Onde o horizonte o limite encerra

A luz que atravessa as nuvens 

É promessa que desnuda a Terra.


(Revisão e imagens: Gemini)

sábado, 23 de maio de 2026

Tamancos: O compasso das minhas memórias


Crônica Poética:




As lembranças, por vezes,
calçam os tamancos da minha infância na tentativa de alcançar as pegadas que marcaram a longa estrada. Houve um tempo em que percorrer a vida não exigia mapas, apenas a luz do olhar materno. Num sorriso mágico, as dúvidas se dissipavam e as dores do crescimento desapareciam. Uma época em que se aprendia a ser enquanto os pés marcavam os gramados em frente à casa ou a poeira das estradas de chão batido.

​Naquele solo ficaram gravados os primeiros sonhos e, inevitavelmente, os primeiros tropeços. Porém, na infância, o futuro era uma abstração distante. O desejo limitava-se ao convívio: ao riso e aos gritos no campinho de futebol, ao voo da pipa, ao estalar das bolinhas de gude. Sons que ainda hoje rompem a neblina do passado e permanecem vivos.

​Meus tamancos marcaram um momento em que éramos felizes sem precisar definir o que era a felicidade. Ela simplesmente acontecia. No entanto, o tempo, artesão rigoroso, mudou o ritmo da marcha. Quem caminhava ao meu lado foi, um a um, tomando outra direção. O gosto amargo da despedida roubou a minha energia; fiquei encurvado, com o olhar mais próximo do chão onde tudo começou.

Não sei em que recanto meus tamancos foram guardados pelo destino. Na solidão habitada dos meus sonhos, ainda ouço o bater seco e constante da madeira no assoalho da velha casa. ​Hoje, eles seguem sozinhos por dentro das minhas recordações. Ditam o ritmo das minhas memórias e embalam, com a precisão das horas, o compasso das minhas memórias.

(Revisão e imagens: Gemini)


Templo, de Matthew Reilly

 

Janelas do Tempo: 


O livro
Templo, escrito por Matthew Reilly, estrutura-se em duas linhas temporais distintas que se entrelaçam para decifrar um mistério milenar.

🏛️ Duas épocas, um mesmo segredo

No presente, o protagonista é William Race, um jovem e brilhante professor de línguas antigas da Universidade de Pensilvânia. Ele é abruptamente recrutado pelo exército dos Estados Unidos para traduzir um manuscrito em latim do século XVI.

🎯 O objetivo do governo americano é localizar o Ídolo de Stuart, uma relíquia inca esculpida em uma rocha lendária conhecida como thyrium. O que a princípio parece uma busca arqueológica revela-se uma corrida armamentista: o thyrium é o componente que falta para ativar a "Arma de Antimatéria", um dispositivo capaz de destruir o planeta. Race é levado a uma densa e perigosa selva no Peru, onde o templo que abriga o ídolo está escondido.

⏳ Em paralelo, a obra acompanha a jornada de Alberto Santiago, um monge espanhol do século XVI que testemunha a brutalidade dos conquistadores perante o Império Inca. Ao perceber o potencial destrutivo da relíquia e a ganância de seus compatriotas, Santiago decide fugir com o ídolo para escondê-lo nas profundezas da floresta amazônica, escrevendo o manuscrito que, séculos mais tarde, Race tentará decifrar.

⚔️ O perigo na selva peruana

Ao chegarem ao templo, Race e a equipe de fuzileiros navais americana descobrem que não estão sozinhos. Eles enfrentam três frentes de oposição:

  • 💥 Ameaça global: um grupo terrorista internacional com ramificações neonazistas que também deseja o poder da antimatéria.

  • 🪖 Conflito geopolítico: o exército peruano, que busca proteger seu território e soberania.

  • 🦇 Terror biológico: os caçadores de cabeças carnívoros, criaturas mutantes e implacáveis que guardam o templo há séculos.

🎬 Dinamismo de cinema no papel

Matthew Reilly é reconhecido por seu estilo "literatura-pipoca", caracterizado por capítulos curtos, ganchos (cliffhangers) constantes e uma contagem de corpos elevada. Templo não foge à regra.

🔄 A transição entre o relato histórico do monge Santiago e a urgência da missão de William Race confere à leitura um dinamismo quase visual, assemelhando-se aos roteiros de Hollywood de filmes como Indiana Jones ou O Predador.

🧠 Ruptura estilística e entretenimento

Para quem vem de uma sequência de trilogias e romances estruturados em torno do desenvolvimento lento de personagens ou de rigor histórico, a obra oferece uma ruptura estilística completa. A prosa de Reilly abdica da profundidade psicológica em favor da ação. O protagonista, embora inicialmente apresentado como um acadêmico pacato, é rapidamente jogado em situações hiperbólicas de sobrevivência, onde a erudição cede espaço ao instinto.

🌌 A obra explora o subgênero do thriller tecnológico e arqueológico, muito popular no final dos anos 1990 e início dos anos 2000. Embora a premissa da arma de antimatéria exija uma dose considerável de suspensão da descrença por parte do leitor, o pano de fundo histórico sobre a colonização espanhola e a resistência inca confere um estofo interessante à trama.

✨ O livro cumpre com eficácia o papel de entretenimento escapista, destacando-se pela engenhosidade com que o autor projeta as armadilhas e a geografia do templo milenar.

(Revisão e imagens: Gemini)


sexta-feira, 22 de maio de 2026

Quando a âncora começa a deslizar

O Fio da Meada: 

💸 Muitos de nós, que atravessamos as tempestades da inflação galopante nas décadas passadas, aprendemos uma lição de sobrevivência: o dinheiro, se deixado parado no bolso ou na conta, “desmancha-se no ar”. Naquela época, a solução era buscar uma âncora. Para o brasileiro, essa âncora acabou sendo o dólar. Guardar a moeda americana era como ter um seguro contra o caos.

Na semana passada, o mundo olhou para Pequim, na China. O encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping, não é apenas um evento diplomático de "beija-mão" ou de fotos protocolares. O que está em jogo é o próprio valor dessa nossa âncora, que se chama Yuan (a moeda daquele país).

🌊 A Maré Está Mudando

🤝 Enquanto Trump tenta impor tarifas e condições severas, a China expande seus negócios pelo mundo com uma estratégia diferente: a da conveniência. Eles não querem apenas vender produtos; querem que o mundo use a moeda deles e as rotas que já oferecem ou se propõem a criar.

🌍 Para o cidadão comum, isso parece distante, mas a verdade é que o balcão de negócios do mundo está mudando de endereço e se tornando cada vez mais ágil. Se antes o dólar era a única régua que media o valor das coisas, hoje essa régua começa a ser questionada.

⏱️ O perigo do "delay" (atraso)

📉 O grande problema da economia é que a notícia da mudança chega primeiro para quem tem o controle do capital, quem transaciona com muito dinheiro. Eles têm radares potentes e conseguem mudar de rota antes que a maré suba. Infelizmente, para o pequeno poupador, a conta costuma chegar com atraso, mas bate firme no seu bolso.

⛽ Quando percebemos que o dólar já não compra o mesmo que comprava, ou que o preço da energia subiu porque o petróleo agora é negociado em outras moedas, o "balcão de negócios" já fechou para nós.

📍 O fio da meada

🔮 Não se trata de dizer que o dólar vai sumir amanhã — ele ainda é uma força muito forte nas relações econômicas internacionais. Mas o conservadorismo de "guardar embaixo do colchão" pode, pela primeira vez em décadas, ser uma estratégia perigosa. O mundo está ficando maior e mais dividido.

🗺️ A lição que fica desta semana é que não podemos mais olhar apenas para um lado do mapa. Em um mar onde as ondas flutuam de Pequim a Washington (e vice-versa), ficar amarrado a uma única âncora pode não ser mais sinônimo de segurança no porto das finanças, mas ficar à deriva em meio às tempestades que se anunciam…

(Revisão e imagens: Gemini)


quarta-feira, 20 de maio de 2026

O avesso da palavra

Quartas com gosto de poesia:

​Quando entenderes porque estou mudo,

O silêncio te fará amadurecer;

No que não digo, entrego quase tudo,

Buscando o olhar que faz o amor valer.



O tempo abranda a voz na tempestade,

Resgata o que a disputa separou;

Na cumplicidade mora a liberdade,

De quem, no gesto, a paz reencontrou.


Palavras ferem fundo, marcam a alma,

Cicatrizes que o tempo teima em expor;

Mas há um sentido novo que acalma,

No querer bem, que vence qualquer dor.


​Bendito o olhar que busca o infinito,

Pois na incompletude a gente se refaz;

Sozinho, o rumo é sempre mais aflito,

É no caminho que o andante encontra a paz!


(Revisão e imagens: Gemini)

domingo, 17 de maio de 2026

Crônica Poética: A joia no chão batido

O Diabo, dizem, NÃO perdeu as botas lá para as bandas do rio Camaquã, no quinto distrito de Canguçu. Ele foi esperto: voltou antes... Não aguentou o peso da distância ou, quem sabe, a braveza de quem precisava tirar o sustento de trinta hectares para alimentar doze bocas. Em 1958, a estrada foi o único remédio. Minha família deixou para trás a terra que, de tão dividida, já não cabia nos sonhos dos mais novos.

​Ainda tenho lembranças do asseio que desafiava a escassez. Na casa de chão batido, a limpeza não era luxo, era oração. Varria-se a terra até que ela brilhasse como assoalho de palácio. E sobre a mesa, ou num canto da sala, o adorno por excelência: um arranjo com a flor “Brinco-de-Princesa”.


​Pendente, com suas pétalas de sangue e coração roxo, era a nossa joia de estimação. Não era ouro de ourives, era o ouro de pátio. Quando a casa estava em ordem, o chão varrido e o vaso florido, dizia-se com orgulho: "Está um brinco!".

​Hoje, longe das antigas e saudosas Três Porteiras, percebo que a dignidade morava naquele vaso. Ser "um brinco" era a resistência da beleza frente à miséria. O capricho de quem, mesmo tendo quase nada, fazia questão de oferecer o melhor aos olhos de quem compartilhava um lar.

​Minha história começou ali, naquele chão de terra batida e flores de pingente. E até hoje, quando busco a perfeição num texto ou na vida, é para aquele vaso que volto o olhar das minhas saudades. A vida vai ensinando que não há joia maior do que o cuidado que a gente coloca no que é simples, com o sentido de pertença: ser família no chão batido da própria existência.

(Revisão e imagens: Gemini)


sábado, 16 de maio de 2026

Os Senhores do Século, de Luiz Antonio de Assis Brasil

 Janelas do tempo:

Os Senhores do Século
, de Luiz Antonio Assis Brasil, encerra uma trilogia que consolida uma vasta arquitetura narrativa sobre o poder e a decadência das estâncias sul-rio-grandenses. 📖 O autor transporta o leitor para o final do século XIX e início do XX, período de transição em que o prestígio da terra e do gado começa a sofrer as pressões da modernidade e das mudanças políticas. 🌾

  • 🔹 O Crepúsculo dos Patriarcas: A obra explora com precisão cirúrgica o declínio de uma elite que se via como "senhora do tempo". Observa-se a tensão entre a tradição latifundiária e as novas forças urbanas e industriais que começam a emergir.

  • 🔹 Psicologia das Personagens: Assis Brasil evita o maniqueísmo. Suas personagens são construídas com camadas, revelando as contradições de uma classe que, ao mesmo tempo em que ostenta poder, lida com a fragilidade das sucessões familiares e a rigidez de um código de honra que já não encontra eco no novo século.

  • 🔹 A Linguagem: A escrita refinada e técnica é capaz de evocar uma atmosfera do pampa com uma sensibilidade quase táctil. Nota-se a habilidade do autor em transpor pesquisas históricas para uma ficção que pulsa vida e conflito humano.

Os Senhores do Século não apenas encerra a trilogia, mas completa um ciclo de compreensão sobre a identidade gaúcha. 🛡️ Luiz Antonio de Assis Brasil reafirma sua posição como um dos grandes intérpretes da formação social e histórica do Brasil Meridional, entregando uma obra que convida à reflexão sobre a impermanência do poder e a certeza de que o conquistado numa geração pode não ser o desejo de consumo dos seus descendentes. ⏳

(Revisão e imagens: Gemini)


sexta-feira, 15 de maio de 2026

400 anos de uma Herança

O Fio da Meada:













Três de maio de 1626. 🗓️

Mais do que uma data, um marco. Com a chegada do Padre Roque Gonzales e a fundação de São Nicolau, as Missões Jesuíticas lançaram as bases de uma organização que agregou a espiritualidade europeia à alma indígena. Um encontro que, há exatos 400 anos, desenhou a fisionomia do nosso Rio Grande.

O motor dessa revolução? O gado. 🐎

O animal não apenas garantiu o sustento, mas moldou a lida e a identidade do homem do pampa. Do pastoreio nos Sete Povos nasceu a tradição que une Brasil, Uruguai e Argentina — um legado que caminhou sobre os campos muito antes das fronteiras políticas existirem.

A força da cultura e do mate. 🌿

Nas Reduções, a erva-mate deixou de ser a "erva do capeta" para se tornar o ritual de hospitalidade que nos define. Somado à tecelagem e às artes, as Missões demonstraram que o trabalho manual pode ser, sim, uma forma de dignidade comunitária e expressão artística.

Valores que atravessam o tempo. 🕊️

Essa essência jesuítica hoje ecoa em vozes que priorizam a educação e o social. Na memória coletiva, a figura do Papa Francisco; na minha memória pessoal, a convivência com os padres Atílio Hartmann e Martinho Lenz. Eles atualizam essa missão, unindo o projeto de outrora ao pensamento ético de hoje.

A história como organismo vivo.

Quem visita as ruínas dos Sete Povos silencia diante de um patrimônio que desafia o tempo. Ali estão os rastros de quem valorizou o bem comum. Celebrar esses 400 anos é reconhecer que a história não é um túmulo de lembranças, mas um organismo vivo que acalenta o sonho de uma sociedade mais justa e fraterna.

(Revisão e imagem: Gemini)

terça-feira, 12 de maio de 2026

O Refúgio da minha solidão

Quartas com gosto de poesia:


Não me chamem para a festa, 

Pois prefiro o meu rincão; 

Onde o silêncio faz a sesta 

No aconchego do meu chão.


Dizem que sou bicho do mato, 

Que o convívio me faz mal; 

Mas no meu mundo, de fato,

 A paz é um bem principal.


Não é falta de carinho, 

Nem desfeita com ninguém; 

É que aprendi o caminho, 

A morar comigo, também. 


Meu castelo não tem muros, 

Tem apenas o meu querer; 

Entre os afetos mais puros, 

Vou aprendendo a viver!


(Revisão e imagem: Gemini)


domingo, 10 de maio de 2026

Mãe, obrigado por ter me ensinado a amar!

Crônica Poética: 

Difícil definir o que seja “mãe” - assim como a palavra “amor”. É um contorcionismo verbal, uma tentativa sempre acompanhada da impressão de que faltou alguma coisa. Da mesma forma que o “amor”, a "mãe" se experimenta na realidade do dia a dia, em um tempo de vivências tão intensas das quais não se tem noção, até que os anos passem e as memórias sejam depositadas no altar onde incensamos a bênção que foi ter tido o convívio com elas.

Minha mãe era a dona França — como era conhecida na nossa rua, embora se chamasse Francelina. Durante muito tempo, achava engraçado que a chamassem assim, porque, para mim, ela era simplesmente “mãe”. Migrou do interior de Canguçu com meu pai e três filhos por criar, educar, vestir e alimentar. Eram tempos difíceis, e deve ter sido ainda mais para quem sempre viveu tão próxim à família.

Na periferia da cidade (Pelotas/RS), buscaram fugir, como dizia meu pai, “da miséria para viver na pobreza”. Parecia natural que ela cumprisse diversas jornadas de trabalho: cuidadora dos filhos, responsável pela casa e pela alimentação, reserva no atendimento do bar e armazém do seu Manoel. Nunca a vi chorosa, nunca a vi reclamar. Era, literalmente, o porto seguro onde ancorávamos nas nossas muitas voltas ao lar.

Mesmo com apenas a terceira série primária, dizia que era preciso que os filhos “tomassem rumo na vida”. Hoje, sei que num abraço cabem as palavras que eu deveria ter dito e não o fiz. E, se elas já moram na Eternidade, a homenagem se faz na certeza de que o caminho foi iluminado por um ser de luz: o coração de quem amou primeiro e mostrou, com a vida, que o simples ato de amar sempre vale a pena!



Na tua presença, ou na tua saudade,

Mãe, obrigado por me ensinar a amar!

(Revisão e imagem: Gemini)

sábado, 9 de maio de 2026

Pedra da Memória, de Luiz Antonio de Assis Brasil

Janelas do Tempo: 

Dando continuidade à
trilogia sobre o "Castelo no Pampa", de Luiz Antonio Assis Brasil, chegamos ao segundo volume: Pedra da Memória. Se no primeiro livro testemunhamos a glória da construção, aqui somos convidados a entrar em um cenário mais íntimo e melancólico, onde o tempo começa a cobrar o seu preço sobre as pedras e sobre os homens.

A trama foca na maturidade de Joaquim Francisco, o idealista que tentou plantar um pedaço da Europa no coração do Rio Grande do Sul. O conflito central é humano e profundo: o choque entre o seu sonho de civilização e a realidade da decadência econômica das estâncias gaúchas. Vemos um patriarca que luta para manter a dignidade enquanto o mundo que ele conhece se transforma.

Ao lado dele, destaca-se a figura de Lydia, sua esposa. Ela é o verdadeiro pilar emocional que sustenta a estrutura do castelo diante do isolamento e das incertezas. A relação do casal com os filhos também ganha força, revelando o abismo geracional entre quem construiu o império e quem herdará apenas as suas ruínas e memórias, em um tempo onde a terra já não tem a mesma voz.

O autor utiliza uma linguagem elegante para descrever essa erosão silenciosa. A "Pedra" do título é um símbolo duplo: representa tanto a solidez dos ideais de Joaquim quanto o peso da saudade que imobiliza os personagens. É uma leitura que faz refletir sobre o que realmente permanece de nós quando as luzes dos grandes salões começam, inevitavelmente, a se apagar.

A história une rigor histórico e sensibilidade quase poética sobre a condição humana. Pedra da Memória é uma escolha indispensável, o convite perfeito para uma boa leitura, desvendando segredos dos moradores do castelo em uma narrativa fragmentada. O livro funciona como um retrato íntimo das perplexidades humanas e da ruína de um modo de vida, consolidando a série como uma peça importante do romance histórico sul-rio-grandense.

(Revisão e imagens: Gemini)

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Vacinas: As mentiras que podem matar

 O Fio da Meada: 

Ainda precisamos falar sobre vacinação. Parece um tema esgotado, mas a realidade nos impõe o retorno a essa pauta. Todos os anos, a história se repete como uma ladainha persistente: as campanhas de saúde, que deveriam ser celebradas como um pacto de vida, encontram uma barreira feita de indiferença e, em casos mais graves, de hostilidade gratuita. No outono, quando o ar esfria, a proteção deveria ser o nosso agasalho principal.

Olhamos para trás e vemos o rastro de superação que a ciência nos deixou. Doenças que antes mutilavam e matavam em silêncio, como a poliomielite, tornaram-se memórias distantes graças ao esforço de braços estendidos nos postos de saúde. O sarampo, que outrora era uma sentença de medo para os pais, foi domado pela inteligência coletiva. São vitórias da humanidade, marcos de uma evolução que não permitia que o obscurantismo ditasse as regras do jogo.

Entretanto, vivemos um fenômeno curioso e triste. O acesso à informação, em vez de libertar, muitas vezes tem servido para encarcerar mentes em bolhas de negação. Bastou a politização de um tema técnico para que a confiança fosse abalada. Quando transformamos a saúde em um campo de batalha ideológico, os únicos feridos são os cidadãos. Não se trata de direita ou esquerda quando o que está em jogo é o fôlego de um idoso ou a segurança de uma criança.

Não consigo aceitar que políticos de estimação sejam colocados acima do bem-estar social. Priorizar narrativas em detrimento da sobrevivência de quem depende do SUS é uma falha moral profunda. A saúde pública é o último refúgio de quem não tem posses, e enfraquecê-la com dúvidas infundadas é um crime silencioso. Onde foi que perdemos a capacidade de confiar naquilo que nos trouxe até aqui com vida e saúde?

Que este texto sirva como um convite ao pensamento crítico. Vacinar é, antes de tudo, um ato de amor e de civilidade. É entender que o meu corpo faz parte de um corpo social que precisa estar forte. Não permita que o barulho das disputas partidárias ensurdeça o seu instinto de proteção. Procure o posto, busque a vacina e reafirme o seu compromisso com a vida. Afinal, a ciência continua sendo o nosso melhor escudo contra as sombras do passado.

(Imagens e revisão: Gemini)