terça-feira, 1 de setembro de 2026

O que sobrou de mim

Quartas com gosto de poesia:


Voltei. Voltei ao cimo da montanha,

Onde, ao partir, deixei apenas uma árvore,

As pedras de onde mirava o horizonte e

A vista que se estendia além do alcance do meu olhar.

Para lá me dirigi, levando os meus sonhos.



Ali, a brisa da tarde ainda me reconhecia.

Murmurando por entre as folhas

Segredos que não entendi.

Até que encontrei a estrada,

No sopé do meu refúgio,

Por onde segui em busca do meu destino.



Fez-me falta aquele lugar de contemplação.

Voltar não significou reencontrar o que vivi:

Era fechar um ciclo de partidas e regressos,

A vida, com suas surpresas e desilusões.

Um lugar para entender e aceitar

Que ali eu encontrava o meu aconchego.



Vê-la, à distância, era um bálsamo,

Onde as minhas memórias encontraram descanso.

Sentir o vento na pele e semicerrar os olhos

Lembrou o que fui e o que sobrou de mim.

O Sol, no ocaso, abraçando o horizonte,

E a penumbra, sem pressa, revela

Que resta o bastante para iluminar

O que sou, o que fui e o que ainda desejo ser…


(Revisão: Kimi. Imagem: Gemini.)