terça-feira, 30 de maio de 2023

Educação, juventude, emprego, esperança...

Era um garoto com cara de gente velha... Passou por mim de bicicleta na avenida Francisco Caruccio, quase na ponte da sanga das Três Vendas (ainda se diz assim?). Parecia cansado e vacilou ao descer da bicicleta. Estava próximo e, instintivamente, estendi o braço para apoiá-lo. Não foi preciso, sorriu e perguntou se eu morava por ali. Estávamos no início do bairro Quinta do Lago. Disse que sim. A pergunta seguinte foi se haviam obras na área. Contei que passava por muitas nas minhas caminhadas.

Foi quando veio a surpresa: “queria entregar currículos”. Vinha de longe, tomara café cedo, e soubera de muitas casas sendo construídas. Contei que sim, já calculara cerca de 30 residências em diferentes estágios. De onde estávamos dava para ver ao menos em torno de dez obras. Pareceu mais animado. Tinha uma pasta na mão e ficou próximo da ponte arrumando alguma coisa na bicicleta. O enxerguei de longe, tomando o rumo das casas em que avistava pedreiros trabalhando, com muitos rapazes como auxiliares.

A filha de uma amiga contou que já conhece cada um dos atendentes dos serviços de busca por trabalho na cidade. A última vez foi a que lhe deu mais esperança. Preenchia todos os requisitos. Marcou entrevista e se encaminhou para a empresa de consultoria. Não foi considerada suficientemente qualificada. “Faltava-lhe experiência”. Experiência que não tem como conseguir se alguém não lhe der uma oportunidade. Seus estágios na universidade não eram suficientes. Teve que voltar para a fila de emprego...


O jovem pai de família ficou desempregado durante a pandemia e procurou de todas as formas nova ocupação. Tivera salários bons, até que a última empresa reduziu o número de contratados. “Bem acostumado” (acho errado dizer que se fica “mal acostumado”), procurava algo do mesmo nível. Mas foi preciso, primeiro, “limpar” seu currículo, porque sempre diziam que era “qualificado demais”. Depois, aceitar salário menor do que o que tivera, com carga horária maior se quisesse continuar a pagar suas contas.

Matutei a respeito do rapaz que entregava currículo para trabalhar como auxiliar de pedreiro. Num tempo em que cerca de sete milhões de jovens brasileiros não estudam e sequer trabalham.  Minhas lembranças são de quando garotos pobres conseguiam “bico” em serviços gerais, aprendendo a lidar com uma obra. Era assim no comércio e na indústria. Aprendizado que rendia o primeiro salário, auxiliar a família, estudar e ter algum dinheiro para a diversão com o futebol, bailinhos, encontros com as turmas...

A procura desorientada é “saltar” etapas da vida. Já é difícil viver a sequência. Triste quando se perde uma das mais bonitas, a juventude. Motivo de ser necessário que se tenha um bom lugar para amadurecer, na família e na escola. Políticas governamentais precisam garantir ocupação, orientação e, até, alimentação, de preferência em dois turnos, para não serem jogados no mundo do subemprego. Vale repetir: educação não é gasto, é investimento. O que está em jogo é muito sério: o futuro da própria sociedade...

domingo, 28 de maio de 2023

Reiniciar a vida em família

A vinda dos meus sobrinhos para morar no “condomínio” onde já estavam instaladas a Roberta e a Renata (no salão de beleza) mudou um pouco (bastante) a minha rotina. Chegaram, como já contei, o Elisandro, a Daniele, o Miguel e o Fredy. Este último, o cão de estimação. Mas foi o Miguel, com seus 8 anos, que, enquanto o pai não tem os horários acertados no novo emprego, precisa de apoio, especialmente quando o assunto é o horário de entrada e saída das aulas, no Colégio Imaculada Conceição.

Antes das aulas, visitamos as dependências da escola, na companhia da professora Iolanda, “velha” conhecida de atividades educacionais e da Igreja Católica. Matei saudade das dependências onde fiz a primeira série. Tinha, então, seis anos e completaria os regulamentares sete em junho, mas já pude andar pelos mesmos corredores, o espaço do recreio e a área arborizada com uma pequena cancha para as peladas, das quais, óbvio, eu estava fora porque sempre fui um autêntico perna de pau.


O horário de chegada não tem nada de especial, a não ser o carinho que a criançada tem com o porteiro, que cumprimenta uma a uma e as conhece pelo nome. A saída é um espetáculo à parte. No início ficava confuso: eram muitos pais e crianças numa “desordem organizada” que retém os mais novos dentro do prédio, até que chegue algum responsável. É uma festa em que se misturam merendeiras, mochilas, despedidas, recados, aqueles que estão saindo e os pais atrasados que congestionam a entrada.

Chegar em casa, à tardinha, quase sempre tem alguma coisa a fazer no pátio. O Miguel troca a roupa em alta velocidade e já tá perguntando se pode ajudar a “plantar”. Nem sempre é para plantar, mas, com a seca dos últimos tempos, é o tempo ideal para pegar baldes e regadores e dar uma esperança para as plantinhas. Lá vou eu, de balde, e ele com o regador para, aleatoriamente, aspergir as folhas. E fica de olho, porque onde ele fez o “trabalho”, ali já não posso colocar água. Enquanto ele não se distraí, é claro...

Disse num outro texto que é bom a gente ter na casa o gosto de família. Quando há uma criança que catalisa a atenção, como dizia meu pai, seu Manoel, “com um bicho carpinteiro” é certo que, quando não está por perto, à tarde, ou quando fica nos avós, nos finais de semana, o silêncio é maior até do que antes, quando não haviam outros moradores no prédio. Muita energia concentrada que, de vez enquanto, transborda nas “briguinhas” e nos “soquinhos” que têm a pronta reprimenda da avó e da mãe.

Família é um eterno tempo de ajuste e adaptação. Das coisas que parecem cansativas, mas fazem falta quando se ganha “folga”. Como dizia uma conhecida: “saímos eu e meu marido para jantar sozinhos e aproveitar um pouco e, durante todo o tempo, falamos nos filhos...” Até já achei que conhecidos tinham famílias perfeitas. Não é assim: Leva-se um tempo para entender serem as diferenças - que podem parecer imperfeições - que dão o gosto e o sabor de, todos os dias, reiniciar a vida em família...

sexta-feira, 26 de maio de 2023

Os fantasmas que rondam meu passado...

Lembranças.

Lembranças transformam-se em velhos sonhos

Que teimam em bater à porta das nossas mal dormidas noites...

Ficam escondidas em algum recanto da memória

E transbordam pelas beiras da mente,

Desafiando a interromper o seu rumo,

Como provocações,

Cintilantes e capazes de se transformar em devaneios.

 

Levam aos tempos de criança,

Correndo pelas ruas da minha vila,

Onde busco a velha casa dos meus primeiros anos,

A calçada onde juntava a garotada para jogar

Bolinha de gude, taco,

Futebol com goleiras de lata de óleo

E bola de meias velhas enroladas...

Com o jeito de um tempo em que ainda

Não havia a preocupação com o que seria o futuro.

 

Jovem, descobrindo uma sensibilidade

Que precisei sublimar para me tornar adulto.

Acreditei na cumplicidade de amigos

E na eternidade dos amores,

Quando os sonhos não tinham barreiras.

O amanhã era indefinido, mas isto não importava.

 

Um longo intervalo chamado de "tempo de ser adultos".

Um mundo do que me disseram serem

Responsabilidades e compromissos.

Quando não consegui entender

Porque precisava deixar para trás

A minha infância e a minha adolescência...

 

Enfim, chegou a velhice.

Olhar para as mãos e pensar em

Quando foi que elas enrugaram,

Qual foi o tempo que me levou o viço

E eu passei a ter este olhar

Perdido nas minhas recordações...

 

As lembranças perseguem

Sonhos que escapam por entre os dedos.

Têm uma textura agridoce,

Trazem de volta o melhor e o pior dos tempos idos.

 

O sentimento de que reviver é voltar a sofrer.

E de que virar a página não é fechar o livro,

Mas o jeito de ficar mais próximo

De aceitar que as memórias oportunizam

Fazer as pazes com as minhas lembranças.

E com os fantasmas que rondam meu passado,

E acabaram ficando insepultos no meu coração...

terça-feira, 23 de maio de 2023

A rua e a busca pela reinserção social

Há muito tempo que, nas conversas que faço com grupos religiosos e comunitários da sociedade, procuro diferenciar a atuação nos Meios de Comunicação Social e o trabalho interno nas instituições, que utilizam técnicas de comunicação. Meios de comunicação têm uma dinâmica própria e exigem preparação profissional. Pastorais da comunicação, por exemplo, ligadas às Igrejas Cristãs, demandam disponibilidade e boa vontade para atuar, especialmente, como facilitadores do convívio e da reinserção social.

Não pude deixar de pensar nisto quando vi a notícia de que a Prefeitura de Pelotas, junto com a Organização Não Governamental Vale a Vida e a Organização da Sociedade Civil Gesto, iniciou mutirões de abordagem social para atender aqueles(as) que estão em situação de rua e vulnerabilidade social. Servidores e parceiros percorreram a cidade para localizar, mapear e estabelecer vínculos com estas pessoas. Se possível, inseri-las nos serviços socioassistenciais e demais políticas públicas que o Município possui.


Um primeiro gesto foi o oferecimento de cobertores, já que o clima noturno se apresenta com temperaturas mais baixas. Mas a atuação avança quando demonstra preocupação com a incidência de trabalho infantil, exploração sexual de crianças e adolescentes e aqueles que utilizam as ruas para morar e/ou sobreviver. O Centro de Promoção e Defesa dos Direitos da População em Situação de Rua – Centro Pop - disponibiliza acolhimento, guarda de pertences, higiene, alimentação e providenciar documentos.

Não conhecia, mas acompanhei matéria veiculada no final de semana e vi a gama de serviços que precisam, efetivamente, da confiança de uma parcela da população que tende, por si só, a ser desconfiada. Encaminham “serviços socioassistenciais e demais políticas públicas que possam contribuir na construção da autonomia, da inserção social e da proteção às situações de violência. É oferecido trabalho técnico, orientação individual e grupal, e atendimento individualizado com assistente social e psicólogo.”

Proporciona endereço para referência em cadastros. Não menos importante, recebe acesso ao Restaurante Popular. É uma gama de serviços que demanda, para além da qualificação técnica, sensibilidade para lidar com aqueles e aquelas que foram, de alguma forma, judiados pela vida. Durante a pandemia, grupos religiosos e sociais fizeram um trabalho, especialmente de alimentação, e sentiram todas as carências e as muitas dificuldades em atendê-los. Já se percebia que alimentar era apenas um início...

Serviços públicos e parcerias sociais vão levar um tempo para esta proximidade. Não há soluções imediatas enquanto estas pessoas não se convencerem de que podem, sim, sair desta situação. São histórias comoventes e mostram a vida dura que leva quem é considerado “desocupado” por opção. É difícil alguém que não tenha tentado tudo que lhe era possível até chegar ao fundo do poço. Infelizmente, existe uma linha fronteiriça que, depois de ultrapassada, cobra um preço muito alto para a sua reinserção social.

domingo, 21 de maio de 2023

De quem você cuida?

Este semestre por motivos de saúde não estou aceitando convites para palestras ou cursos. Mas, quando voltar (e eu espero que seja a partir de julho) gostaria de iniciar conversas fazendo esta pergunta: “de quem você cuida?” Entidades sociais como as religiosas, associações, grupos de serviços poderiam tornar público lembretes com a mesma questão. Um alerta para os seus membros, não importando a idade, a função, a situação social. Cuidar inclui ficar atento, importar-se, facilitar e humanizar as relações.


Vou chamá-los de João e André. A mãe conta que, desde pequeno, João, o mais velho, tinha um cuidado especial com o irmão mais novo. Havia momentos, no pátio, em que ficava sentado próximo para cuidar da segurança do seu mano. Quando este choramingava durante a noite e iam até o quarto dos meninos, já o encontravam atento ajeitando as cobertas e repondo o bico na boca do menor. A diferença era de dois anos, apenas, mas o zelo tinha algo de especial que levaram algum tempo para entender...

Quando foram para a escola, João não se importava que o irmão pegasse a sua mão até chegar ao portão. Muitas vezes ia até a entrada da sala de aula, esperava no recreio e voltavam juntos para casa. Nos primeiros dias, as dificuldades do mais novo levaram-no a ser motivo de brincadeiras e zombaria por parte dos colegas. Foram os professores que repararam na dificuldade de concentração do menor. Levou algum tempo para perceberem outros sintomas se manifestando e o diagnóstico confirmou ser um autista...

O tratamento não foi fácil, especialmente para a mãe, que, de toda a família, encontrou no mais velho o apoio emocional e suporte para fazer a vida do outro filho o mais próximo de uma vida normal. Adolesceram e ficaram jovens juntos, com o mais novo imitando muitas vezes o comportamento do outro. Quando casou, quase teve que levar André na lua de mel... Isto não foi necessário, mas o novo casal percebeu que os pais envelheciam e, possivelmente, o primeiro filho que teriam seria um filho de coração...

Possivelmente, cada um de vocês sabe alguma história parecida. A pergunta que fiz: “de quem você cuida?” é um antídoto para quem, constantemente, se vitimiza, dá desculpas para fugir às próprias responsabilidades, especialmente com a família. Mas também no convívio social, onde, cada vez mais, as pessoas estão carentes e necessitadas de atenção, seja o porteiro do prédio, que espera um simples bom-dia, ou a senhora da limpeza, que cuida o corredor e a rua, merecendo, ao menos, um olhar e um sorriso. 

É muita pobreza gravitar na volta do próprio umbigo. Cuidei de meus país por mais de dez anos. Foi o maior aprendizado que tive, como já contei. Depois deles, preciso, ainda aprender, nem que seja ao ser escalado para ser "tio maneca uber" (levar ou trazer um familiar de algum lugar). É um tempo de muitas carências em que se quer atenção e não atender ao outro. Cuidar é uma prece que Deus ouve - mas dela não necessita - e sabe que faz bem quando as palavras viram ação, recheadas com gestos de amor e de afeto...

sexta-feira, 19 de maio de 2023

Acalma o meu espírito

Um dia vou pegar um cajado

E me tornar um peregrino,

Pelo rumo que o destino traçar...

Não quero delimitar o tempo, o lugar,

As minhas pretensões.

Apenas andar.

Por onde vou passar? Não sei.

Quem vou encontrar? Também não sei.

Vou me sentir feliz? Quem sabe?

 

Vem comigo. Tem muitas coisas que a gente só

Compartilha enquanto se está na estrada.

 

Podemos espiar pelas portas e janelas

O aconchego das casas, dos bares, das igrejas.

Ver gente que toca a vida

E faz festa, trabalha, reza e morre.

Segue o curso do tempo

Entre uma quermesse, uma procissão e um funeral.

 

De uma colina, contemplar o horizonte,

Enxergar um vulto que, ao se tornar mais próximo,

Toma forma e vem ao encontro.

Tu me disse que há sempre uma curva na estrada

E que nela a gente poderia se reencontrar.

Vou apenas repousar numa encosta,

Mirar ao longe e te esperar,

Agradecendo porque, não demora muito,

Posso ficar bem pertinho de ti.

 

Quem sabe, diante de uma capela,

Nos quedemos em contemplação.

Dobrar os joelhos sobre a pedra fria,

Sentir a paz que as boas vibrações

Passam por cada fibra de nossos corpos.

Mistério dos mistérios ao ouvir

Os sons que a brisa dedilha

Nas árvores desde toda a Eternidade...

 

Ver balões que sobem ao infinito,

Parar onde nosso olhar alcance o horizonte,

Vê-los imponentes, silenciosos,

Desenhando nos céus a pintura de um artista,

As imagens se formando ao doce sabor do vento.

 

Vou confessar que a caminhada

Fez com que ficássemos mais próximos.

E que todas as minhas inseguranças

Desabaram quando senti tua mão sobre a minha.

Todas as minhas angustias desapareceram

Quando te conheci.

 

Descobri que há um fio entrelaçando

O destino das pessoas que se amam.

Só assim se pode ser andarilho

Dos lugares ermos das memórias.

E que, no final das contas, já não há mais pressa.

Dizem que é porque ficamos mais velhos e experientes.

Nos ensinaram que deveríamos ser "adultos".

Mas eu sabia: Foi por ti que eu esperei,

Sentado à beira do caminho.

Ali era o lugar certo para

Encontrar a sinfonia que cura os corpos

E dá a paz a um espírito atribulado...

terça-feira, 16 de maio de 2023

Por onde andam a moral e a ética?


A Operação Penalidade Máxima, desenvolvida pelo Ministério Público de Goiás e a Confederação Brasileira de Futebol, mais recentemente, com o apoio da Polícia Federal, investiga a manipulação de resultados e o esquema de apostas no futebol brasileiro. Ganhou destaque nacional pois já resultou em prisões preventivas, com jogadores, dirigentes e pessoas que atuam neste esporte investigados e denunciados. Infelizmente, não vai acontecer, mas poderia ser uma boa oportunidade para se discutir moral e ética.

Esta não pode ser apenas uma discussão acadêmica. Mas elementos que estão na vida de um cidadão cada vez mais decepcionado com as suas representações sociais. E o futebol é uma delas. Para discutir, precisamos de definições, já que, se pode dizer, “a moral é o conjunto de normas que orienta a maneira de agir das pessoas dentro de um contexto específico. Por conta disso, estamos falando de um conceito de caráter particular e que se baseia, sobretudo, em hábitos e costumes (poderíamos estar falando em cultura?).”

E a ética? Bem, ela funciona como a racionalização da moral. Educadores batem seguidamente na tecla de que, para haver uma moral e uma prática da ética que se adeque ao nosso tempo é preciso ter referências. Vale a pena repetir que os valores de cada pessoa nascem do grupo familiar e social onde são criadas: família, vizinhança, escola... Um terceiro elemento fez parte do processo de educação: as religiões, em especial as cristãs, que ficavam num espaço intermediário entre a família e a escola.

Eram referências na formação e serviam de elemento agregador.  Religiosos estiveram no patamar de confiança dos militares, por exemplo. Pesquisas realizadas até a década de 80 davam conta de que as igrejas e o Exército eram apontados pela população como merecedores de confiança. De lá pra cá, despencaram. A Igreja Católica enfrenta concorrência, em especial das igrejas neopentecostais, e se vê envolvida em diversos escândalos, assim como empobreceu a preparação pastoral e intelectual de seus quadros.

Infelizmente, o que estava ruim tende a ficar pior. O brasileiro tem sido decepcionado por aqueles nos quais deposita confiança (e os políticos sabem que eles foram os primeiros). Como se não bastassem os problemas educacionais e religiosos, explode o escândalo no futebol, que já não estava bem das pernas, em que o torcedor se vê motivado para vestir a camiseta quando deveria saber que é usado para marketing e promoção de produtos, recebendo menos do que paga, de forma direta ou indireta.

Pena que se precise falar em desportistas que deveriam ser exemplos da ética. A moral não é decorar “leis”. Na prática, a gente se espelha em quem está próximo, se introjeta valores e referências que, aprendidos no tempo certo, balizam comportamentos. A ética precisa estar refletida em nossas ações, com normas que estimulam o bom convívio e o respeito pelo outro, sendo honestos, íntegros e justos. Pode ser difícil, mas é preciso que se persista até mesmo quando parece que ninguém mais está dando o bom exemplo...