Janelas do Tempo:
Quem um dia não teve a tentação de espiar pela fresta de uma janela? Como diziam minhas tias, lá no interior de Canguçu: “quem espia é um bagaceira”. Queriam dizer que se estava invadindo a privacidade alheia. Pois é essa a ideia que se tem ao ler a obra Amantes, de Leigh Eduardo. O livro resgata as trajetórias de oito mulheres que, em diferentes épocas e contextos, desafiaram as convenções de um mundo dominado por homens.
Longe de serem apenas "coadjuvantes" de figuras poderosas, a obra as apresenta como protagonistas de suas próprias histórias — mulheres dotadas de uma mistura notável de coragem, oportunismo e ambição. O livro percorre perfis fascinantes, como:
La Belle Otero, que, através da dança, conquistou uma ilha no Pacífico do imperador japonês.
Emma Hamilton, cuja influência sobre Lorde Horatio Nelson foi imortalizada na célebre frase sobre a posse de sua alma e corpo.
Lola Montez, descrita como "fatal para quem ouse amá-la".
Madame de Montespan, cujo envolvimento com o ocultismo para manter o afeto de Luís XIV é um ponto alto do relato.
Eva Braun, que seguiu seu parceiro até o fim trágico no bunker.
O autor utiliza o "buraco da fechadura" — ou, quem sabe, a fresta na janela — para revelar a intimidade do poder. Leigh Eduardo não busca apenas o escândalo; ele provoca uma reflexão sobre como, embora os costumes mudem, a natureza humana em torno do desejo e da busca por influência permanece, muitas vezes, inalterada.
O subtítulo já é suficientemente claro: "histórias reais de sedução, poder e ambição". Um livro que combina rigor histórico com a fluidez de uma crônica sobre a sobrevivência feminina em contextos hostis. As histórias de alcova podem mudar os personagens e protagonistas, mas se repetem onde se instala o poder ou a força do dinheiro. Uma marca de que as fronteiras políticas e ideológicas são mais tênues do que se pode imaginar…
(Revisão e imagem: Gemini)

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