terça-feira, 16 de maio de 2023

Por onde andam a moral e a ética?


A Operação Penalidade Máxima, desenvolvida pelo Ministério Público de Goiás e a Confederação Brasileira de Futebol, mais recentemente, com o apoio da Polícia Federal, investiga a manipulação de resultados e o esquema de apostas no futebol brasileiro. Ganhou destaque nacional pois já resultou em prisões preventivas, com jogadores, dirigentes e pessoas que atuam neste esporte investigados e denunciados. Infelizmente, não vai acontecer, mas poderia ser uma boa oportunidade para se discutir moral e ética.

Esta não pode ser apenas uma discussão acadêmica. Mas elementos que estão na vida de um cidadão cada vez mais decepcionado com as suas representações sociais. E o futebol é uma delas. Para discutir, precisamos de definições, já que, se pode dizer, “a moral é o conjunto de normas que orienta a maneira de agir das pessoas dentro de um contexto específico. Por conta disso, estamos falando de um conceito de caráter particular e que se baseia, sobretudo, em hábitos e costumes (poderíamos estar falando em cultura?).”

E a ética? Bem, ela funciona como a racionalização da moral. Educadores batem seguidamente na tecla de que, para haver uma moral e uma prática da ética que se adeque ao nosso tempo é preciso ter referências. Vale a pena repetir que os valores de cada pessoa nascem do grupo familiar e social onde são criadas: família, vizinhança, escola... Um terceiro elemento fez parte do processo de educação: as religiões, em especial as cristãs, que ficavam num espaço intermediário entre a família e a escola.

Eram referências na formação e serviam de elemento agregador.  Religiosos estiveram no patamar de confiança dos militares, por exemplo. Pesquisas realizadas até a década de 80 davam conta de que as igrejas e o Exército eram apontados pela população como merecedores de confiança. De lá pra cá, despencaram. A Igreja Católica enfrenta concorrência, em especial das igrejas neopentecostais, e se vê envolvida em diversos escândalos, assim como empobreceu a preparação pastoral e intelectual de seus quadros.

Infelizmente, o que estava ruim tende a ficar pior. O brasileiro tem sido decepcionado por aqueles nos quais deposita confiança (e os políticos sabem que eles foram os primeiros). Como se não bastassem os problemas educacionais e religiosos, explode o escândalo no futebol, que já não estava bem das pernas, em que o torcedor se vê motivado para vestir a camiseta quando deveria saber que é usado para marketing e promoção de produtos, recebendo menos do que paga, de forma direta ou indireta.

Pena que se precise falar em desportistas que deveriam ser exemplos da ética. A moral não é decorar “leis”. Na prática, a gente se espelha em quem está próximo, se introjeta valores e referências que, aprendidos no tempo certo, balizam comportamentos. A ética precisa estar refletida em nossas ações, com normas que estimulam o bom convívio e o respeito pelo outro, sendo honestos, íntegros e justos. Pode ser difícil, mas é preciso que se persista até mesmo quando parece que ninguém mais está dando o bom exemplo...

domingo, 14 de maio de 2023

Coisa de Mãe...

Acompanhei algumas das atividades, especialmente escolares, onde as mães da família ou da vizinhança foram homenageadas. Num primeiro momento, pensei: "é sempre a mesma coisa". Como a vida, que se repete praticamente da mesma forma, mas que depende de quem a vive para ter significado e, muitas vezes, ressignificado. Pensei nas mulheres que recebem, hoje, todos os adjetivos (e são merecidos) como ser especial marcado por uma certeza: tem coisas que somente as mães são capazes de fazer!

A jovem assistente social visitou a casa geriátrica para conhecer a mulher de quem a mãe falava e cuidara dos filhos, em especial de um autista, e do marido, até morrerem. Depois, havia se recolhido à solidão, cansada e pensando que já não havia mais o que fazer. Fora guerreira, sem fazer nenhuma guerra. Arrojada, sem estar à frente de uma empresa. Referência, com seu discurso mais forte sendo pontuado por silêncios. Já não falava, mas ainda tinha muito carinho no jeito como a olhou e segurou as suas mãos.

 

No grupo de idosos, fizeram uma oficina sobre o usos de recursos do celular. Até então, servia apenas como telefone. A partir dali, descortinou-se um mundo muito diferente. A idosa se encantou com a possibilidade de mandar mensagens de voz. Foi auxiliada a enviar a primeira e depois não parou mais. Tinha endereço certo e repetia: "Filho, a mãe te ama." Esperou resposta que não veio. Depois do seu enterro, o filho voltou para casa e percorreu a caixa com as mensagens da mãe. Dezenas, sem terem sido respondidas...

 

O neto mostrou-lhe um desenho em que aparecia um idoso e uma criança, ambos com andadores. Com a frase: "o começo e o fim são semelhantes. Aproveite o intervalo". Entendeu a mensagem, mas não quis comentar, porque sentiu-se triste em pensar que a criança, de fato, estava recém iniciando e tinha a vida pela frente. No entanto, ela, com quase 85 anos, já estava se aproximando do fim. Compreendia que era preciso valorizar o "intervalo", mas não se podia desprezar ou minimizar o tempo que ainda restasse.

 

A vida não dá uma segunda chance para cuidar de uma mãe ou de um pai. É oportunidade que não volta. Uma experiência única. A melhor forma de aplicar a alteridade (o reconhecimento e o respeito das diferenças entre as pessoas), que se dá no cuidado físico, psicológico e espiritual de alguém que depende de nós por doença, debilidade, carência ou idade. Não existe melhor remédio para sair do “umbigocentrismo”. Os cuidados em que, muitas vezes, não há prazo, precisam de muita tolerância e respeito.

Não é se acomodar a uma situação e deixar que o tempo passe. Sequer se adonar da personalidade do outro(a), mas permitir, até o fim, que mantenha a própria identidade. Arrependimento e remorso, especialmente depois da morte, é próximo da omissão, um crime contra quem somente quis a felicidade dos filhos. Então, Se você é jovem, pense que um dia vai ser idosa... Se é idosa, aproveite. Envie mensagens para quem você quer bem, da forma mais simples. Pode ser apenas dizendo "filho, a mãe te ama!"

sexta-feira, 12 de maio de 2023

Tem um caminho para chegar ao Céu...

Quando o Anjo da Guarda tomar minha mão

E prendê-la entre as suas para me dar confiança,

Vou respirar fundo, suspirar e me animar

A percorrer o caminho do desconhecido...

Não sei se a trilha será de luz,

Pode ser simplesmente um caminho,

Daqueles que tem por função não levar,

Mas trazer de volta as pessoas.

 

Por onde passar, haverá

Crianças com seu sorriso confiante

E olhar de inocência;

Adultos agoniados pela passagem do tempo,

Sôfregos na busca por respostas

Às suas eternas perguntas;

Idosos, assustados com o fluir da existência,

Certos de que não há o que recuperar

E já não sabem como ressignificar a própria vida.

E eu queria entender o que se perde pelas estradas dos anos...

 

Ao chegar, vou me encantar com o que

Já não precisa da ciência ou de religião,

Que ficarão no espaço temporal,

Onde se tem a necessidade de explicações.

Vou me atrever a perguntar se posso

Pegar um branquinho,

Sentar à Sua frente e pedir um dedo de prosa.

Já com a certeza de que fiz apostas erradas,

Me atrapalhando com as muitas possibilidades...

 

Vou gastar a Eternidade ouvindo histórias

Que foram vividas antes de mim.

Será uma mistura entre rostos conhecidos,

Outros nem tanto,

Na plenitude de almas em sintonia,

Uma festa para celebrar todas as vidas.

 

Haverá um momento de encantadora surpresa

Quando reencontrar aqueles

Que se transformaram nas minhas saudades.

Não será suficiente beijá-los.

Precisarei recuperar o quanto foram longas as suas ausências.

E rirão de mim, porque o tempo já não importa.

E me lembrarão que precisei de uma vida inteira

Para dar valor a pequenos momentos que se passou juntos.

 

Certo de que existe um caminho para chegar ao Céu,

Eu também vou estar voltando para casa.

Tenho a certeza de que, quando,

Ao transpor os portões deste Mundo,

A lágrima que se misturar com o meu sorriso, será a derradeira.

 

As palavras serão desnecessárias.

Não será mágica, não, sequer ilusão.

Vou acalmar meu espírito ao entender

Tudo o que se transformou em passado,

Ao me quedar encantado por Te ouvir

E perceber que há um Céu que principia na Terra,

Quando se coloca no horizonte a perspectiva

De ser e de fazer alguém feliz!

terça-feira, 9 de maio de 2023

Vacinação: para falar de uma cultura solidária


O fim da emergência sanitária com relação a Covid 19, pela Organização Mundial da Saúde, na semana passada, tem viés político e um outro administrativo, já que as medidas restritivas haviam sido suspensas ou caído em desuso em diversos países, inclusive o Brasil. Não pretendo entrar em detalhes ou discussões, mas, sabe-se, a pandemia, embora controlada, não foi vencida, precisando que se aprenda novas formas de cuidados pessoais, relacionamentos e preocupação com ambientes onde se vive.

Embora não se use a definição clássica, o que precisamos é criar uma nova “cultura” para as nossas relações. Se buscarem no Google, copiado de dicionários, vai encontrar a definição como sendo “a cultura é todo aquele complexo que inclui o conhecimento, as crenças, a arte, a moral, a lei, os costumes e todos os outros hábitos e capacidades adquiridos pelo homem como membro da sociedade”. O que é bem mais amplo do que delimitar apenas como atividades artísticas, por exemplo, como é comum de se fazer.

No último sábado foi o dia nacional de vacinação. No Brasil, já tivemos uma cultura da imunização, em especial de crianças. Um comportamento coletivo que levou a números que deixaram o país num patamar confortável de proteção. Até que o negacionismo gratuito fez despencar as estatísticas, com o resultado palpável de mortes pelo coronavírus. Pagamos caro por erros políticos e administrativos e ainda vamos pagar mais ainda com sequelas na economia, mas, especialmente, na saúde física e mental.

A cultura não é apenas uma expressão da sociedade, mas uma forma de ajudá-la a viver melhor. Pode-se falar na “cultura do respeito” e, no caso brasileiro, a “cultura da educação”. Que foca em valores e referências na família, vizinhança, escola, trabalho, o dia a dia...  Porque, o que se vê é uma “cultura do individualismo”, estimulada, ainda, por um pensamento sombrio do tipo “é preciso levar vantagem...” Uma forma de comportamento que estimula o preconceito com quem não segue a minha cartilha.

Educadores sabem que a figura emblemática para trabalhar com crianças e adolescentes é o paralelo com a própria cultura na natureza. O agricultor (educador), seleciona a semente, rasga a terra, semeia, rega, vê florescer, espera brotar do chão e acompanha o seu desenvolvimento. Traçando um paralelo, dá-se conta de que todas as etapas se fazem presentes no desenvolvimento humano. A formação de princípios é uma etapa delicada na relação com filhos, alunos e, especialmente, crianças de grupos de risco.

Vacina é, sim, um gesto de amor, que precisa estar dentro de uma cultura solidária. Como na virada para o Outono e Inverno, quando pessoas usam máscaras por suas debilidades e para não repassar o vírus da gripe. Detalhes que alimentam a cultura do cuidado pessoal e responsabilidade social. Em tempos de redes sociais, infelizmente, as mazelas são escanteadas para debaixo do tapete do photoshop. Mas não há recurso de computador que esconda a tristeza de um caráter mal formado e incapaz ser solidário...

domingo, 7 de maio de 2023

O Mestre e o Aprendiz: "Eu não tenho mãe?"

O Mosteiro das Nuvens fica a meio caminho entre a planície e o topo da montanha. Ali moram monges e aprendizes, com muitas crianças abandonadas pelos pais, que ganham abrigo. Naquele ambiente, vivem em paz, estudam, aprendem uma profissão e, quem sabe, tornam-se um religioso como quem as acolheu.

A única referência feminina é a empregada que trabalha na cozinha. Cuida de todos, mas, em especial, dos órfãos. Foi apelidada de "O Espírito que faz barulho". O motivo é que, à tarde, depois do almoço, senta-se à mesa, repousa a cabeça e, literalmente, ronca!


O Aprendiz chegou ao Mosteiro com quase um ano. Com oito, era desenvolto, inteligente, sagaz. Sempre que possível estava na volta do Mestre, questionando. Para o Mestre, motivo de um sorriso preocupado. Para os demais, um riso debochado (discretamente), pelas perguntas estranhas e cabulosas que formulava.

Depois da sesta, o Aprendiz entrou na sala e, sem dizer uma palavra, começou a andar ao redor da mesa de seu Mestre, que fez de tudo para mostrar que estava ocupado. Mãozinhas cruzadas nas costas, ainda pigarreou para chamar a atenção. Até que ouviu:

  • Pequeno menino, o que aconteceu?

Fez-se de rogado, esperou um pouco e disparou:

  • Mestre, o "Espírito que faz barulho" é minha mãe?

A aproximação do Dia das Mães levara a que se falasse a respeito, já que havia aprendizes que vinham da vila próxima e conversavam sobre o que iria acontecer em suas casas. Nunca fizera perguntas a respeito. Mas teve que responder:

  • Não, meu menino, o "Espírito que faz barulho" não é tua mãe (deu-se conta de que até ele usava a expressão jocosa que os garotos tinham para a colaboradora).
  • Então, Mestre, eu não tenho mãe?

Sabia que não poderia dar uma explicação que não fosse a verdade, pois ele, certamente, perceberia. Respirou fundo e tentou explicar:

  • Eu não sei se ainda tens mãe. Como te contei, nós te recebemos num entardecer de Outono, quando o frio já se fazia sentir e as estradas estavam largas e vazias. Alguém te deixou sentadinho no degrau da calçada. O Monge Porteiro disse que tu eras como uma benção da estação, a folha mais bonita que caiu de uma árvore à nossa porta.
  • Meus pais nunca me procuraram? Eu não tenho família?
  • Não procuraram. E eu não sei. O certo é que não eram de alguma vila próxima, senão acabaríamos sabendo. Mas não procuramos descobrir, porque eles já tinham seus problemas e nós te acolhemos como se fosse da nossa família.

O Aprendiz silenciou e ficou de costas olhando pela janela:

  • Eu queria ter uma família, especialmente, eu queria ter uma mãe...

O momento de festas comemorando o Dia das Mães fez com que as palavras cortassem fundo no coração do velho Mestre.

  • Filho, eu não posso te dar uma mãe, mas tentamos te dar uma família...

Depois de algum tempo, o menino voltou-se para o Mestre enxugando as lágrimas que corriam por seu rosto, com a manga do seu hábito. Era um sorriso dolorido e triste:

  • Eu sei, Mestre querido. Eu sei... Vou pedir ao Ser Supremo que a possa enxergar numa das tantas estrelas que a gente vê nos céus.

O Mestre recordou que numa ocasião, conversara com os meninos durante a noite no pátio e dissera que "as estrelas são o jeito que o Ser Supremo tem de manter as mães sempre junto da gente. Elas brilham como se fossem beijos que dão em nossos corações".

O menino saiu para o pátio. Com seus botões, o Mestre pensou:

  • Que motivos tinha o Ser Supremo para lhe entregar aquela pedra tão especial que se lapidava a cada dia e lhe deixava a sensação de que oferecera a oportunidade de, na dor e na ausência, criar sentimentos que compensassem laços humanos tão fortes, sem que, de alguma forma, tivesse perdido a ternura...

 

Queridas amigas e mães. Esta noite, olhem para os céus e procurem a estrela que as acarinhe por aquelas que lhes fazem falta e o lugar onde gostariam de estar para continuar amando seus filhos!

Que o Ser Supremo as abençoe, hoje e sempre!

sexta-feira, 5 de maio de 2023

Me dá o direito de voar...

Quando te sentires cansado e sem rumo,

Será um momento crucial em tua vida.

É então que, muitas vezes,

A pressa e a pouca experiência

Não deixam ver rumos alternativos,

As portas que se abrem.

As estradas banhadas de sol são o prenúncio

Dos dias em que a chuva molhará a terra

E o seu perfume será o acalento para as tuas dores.

 


Nunca se está suficientemente maduro

Para compreender os rumos que se toma.

Então, qual foi o caminho que tu escolheu?

Se não souberes, não te preocupa.

Nos momentos mais significados, a vida é uma encruzilhada

E o sol da tarde pode surgir por debaixo das nuvens

Que antecipam a garoa que, na noite, fará renascer os campos...

 

Andar é uma sina.

Num instante, uma mão foi estendida,

Arrimou nossos passos,

Com o jeito de quem podia ajudar a sair do lugar,

Mas não conseguiria delinear o futuro.

O andar trôpego foi se afirmando

Mas nunca se deixou de precisar daquele olhar

Preocupado, que partilhava cada pedaço de chão conquistado.

 

Nem sempre os rumos parecem bem definidos.

Porém, confia. Confia em ti. Confia no Deus que te inspira.

Confia em quem te energiza e ajuda a definir as tuas opções.

São muitos os momentos em que se anseia por voltar atrás.

Se eu pudesse retornar no tempo,

Novamente, pediria um lugar no aconchego dos teus braços.

 

Perdi muito do que era essencial, olhando para o fugaz...

Não vi os passos que foram marcados na areia.

A onda e a memória brincaram com as minhas lembranças

Deixando um gosto sentido na mistura da maresia com as lágrimas.

Me ensinaram a regar todas as minhas frustrações,

Que foram tombando por terra,

Na esperança de que produzissem as flores e alegrassem os caminhos.

 

Descobri o quanto é importante manter os pés no chão,

Mas não abdicar ao direito de voar.

Descobri que nem todos os voos são iguais,

Ele é sempre um ajuste entre as lembranças e os delírios.

Descobri que não é a razão que dá asas à imaginação,

Somos frutos da inspiração

Que brinca entre o real e o imaginário...

 

Todo o caminho dá o direito a ir e voltar.

Retornar é percorrer as sendas que marcam as lembranças.

Revisita, sim, o teu passado,

Mas não faças dele o motivo para não conseguires andar.

Foi a Primavera que me colocou na estrada,

O Verão incentivou meus passos,

O Outono deu a noção dos meus limites

E o Inverno me fez sentir a tristeza de não conseguir voltar para ti.

terça-feira, 2 de maio de 2023

Liberdade, mentira e (des)informação

Um dos princípio básico da Declaração Universal dos Direitos Humanos é de que “todos são iguais perante a Lei”. E acrescenta: “sem qualquer distinção, a igual proteção da lei”. Infelizmente, repetindo George Orwell, em “A revolução dos bichos”: “alguns são mais iguais do que outros”. O que significa que, criada a lei, em seguida se pensa nas exceções. Por inúmeros motivos. É o que está acontecendo esta semana quando, finalmente, o Congresso Nacional começa a tratar dos atos golpistas de 8 de janeiro.


Também destrava investigação naquelas casas sobre fake News. Começaram as articulações de grupos religiosos e parlamentares para não precisarem estar sujeitos à lei. Como assim? Porque a exceção? Fake News é uma informação falsa, uma mentira fabricada e semeada, especialmente através das redes sociais, contra alguém ou uma instituição buscando prejudicá-la(s). Podem ser notícias que aparentam ser verdadeiras, porém, por terem dados distorcidos, induzem o leitor a confiar numa mentira.

A bancada evangélica pressionou o relator - assim como se declarou em público - sobre criminalizar a livre opinião. Se por “livre opinião” se convenciona chamar o que grupos que estão dentro destas novas igrejas (as cristãs tradicionais se mostraram mais críticas) utilizaram para divulgar barbaridades nas últimas campanhas, especialmente contra a honra das pessoas, então pode ser melhor, de fato, que se policie aqueles que se ocultam atrás dos símbolos religiosos para cometer crimes, inclusive de opinião...

Grupos de deputados hoje na oposição pintam o projeto como sendo uma forma do atual governo exercer censura sobre a sociedade. Querem mais “liberdade” para, no exercício do mandato, não serem atingidos pela lei. Como assim? Uma “mentira” dita da tribuna ou de um lugar público onde exerça o seu mandato deixa de ser mentira? As eleições de outubro do ano passado se transformaram num festival de notícias falsas, infelizmente, em grande número, vindas dos corredores e gabinetes do Congresso Nacional.

O combate à disseminação de informações falsas é um dos desafios do nosso tempo. Não bastam as instâncias político-partidárias se envolverem, é preciso que a sociedade civil seja protagonista e provoque a discussão nas suas bases. Umberto Eco, escritor italiano, chamou a indústria de fake News de “máquina de lama”. Especialmente quando tece a desinformação, respaldada por figuras conhecidas, dando-lhe viés de credibilidade. Confirmando que tem muito embrulho bonito que esconde o lixo social.

O medo é que, de toda a discussão, a montanha acabe parindo um ratinho... Uma notícia falsa, por mais que pareça sem importância, causa influência nefasta, propiciando um erro, desinformando parcela da população, especialmente mais pobre, que pouco acesso tem a alternativas de fontes. São exatamente estas informações que interferem na ação, tomada de decisão, posicionamento de apoio ou não de uma causa. O assunto é sério para que, agora, especialmente, não se esteja atento àquela que já foi a casa do povo...