Uma das mais belas analogias entre a vida e o processo de educação é o da águia que, quando ensina seus filhotes a voar, chega a um determinado momento em que precisa empurrá-los do ninho para que sintam suas asas e a capacidade de planar. Mostra que os primeiros educadores estão na família e que é exatamente o que ali se aprende que vai direcionar o voo de cada um, seus caminhos e seus destinos...
Foi no que pensei ao ver o vídeo da Educação Adventista que prepara a chegada da Páscoa. Para quem não viu: um menino vai à escola, com sua mãe, e encontra um coleguinha bem mais simples que não tem mochila. Observando suas dificuldades e desastres - chega a derrubar os livros no meio da calçada - quando vai para a merenda se dá conta de que precisa fazer alguma coisa.
O dinheiro que seria para o alimento, assim como aquele que vai recebendo por cumprir outras tarefas - auxiliar a cuidar do pátio, secar a louça, por exemplo - é depositado num cofrinho até as vésperas da Páscoa. Quando saem às compras se mostram surpresos com as inúmeras ofertas de ovos, doces, chocolates... Mas, ao ser estimulado a escolher demonstra seu interesse: uma mochila para o amigo!
O vídeo conclui com um desafio: "o real valor da Páscoa é o valor da entrega". Na cena de encerramento, depois de alcançar o presente, os meninos, na faixa dos 10 anos, estão sentados, brincando, conversando, numa cumplicidade observada pela mãe, que os envolve com o carinho próprio de quem sabe que deu o empurrãozinho certo e que o filho está iniciando a alçar seu próprio voo...
Fiquei pensando nos dez meninos que foram vítimas de um crime na concentração do Flamengo. O tempo passou e o que se vê são matérias abordando o futuro que lhes foi negado. Mas não vejo a Justiça punir quem deveria educá-los, aqueles que os abrigaram de forma inadequada, assim como os servidores públicos, responsáveis por cuidá-los, omissos em fiscalizar o estado em que se encontravam as instalações.
Os meninos do Flamengo não vão mais poder voar... Fizeram sua Páscoa (passagem) de uma forma muito triste. Não importa se suas famílias não tivessem condições de lhes dar um ensino adequado. A natureza lhes deu o dom do futebol e poderiam ter sido a alegria de seus torcedores. Infelizmente, a ganância falou mais alto...
O menino do vídeo vai amadurecer na hora certa. Os do Flamengo não tiveram esta chance. A frase que motiva religiosamente a Educação Adventista diz: "nesta data, lembre-se: Jesus entregou tudo por você!" O consolo é que eles já estejam planando por outros ares, cuidando de seus amigos que ficaram, agora na condição de anjos que também devem jogar suas peladas pelos campinhos do Céu...
domingo, 17 de fevereiro de 2019
domingo, 10 de fevereiro de 2019
A plenitude do presente
No final de semana, dois textos chamaram a atenção: Lya Luft, com o seu "Brumas de Minas" e o professor Osmar Schaefer, com "Cuidados pós-câncer". O primeiro destaca a necessidade de que, mesmo em tempo de notícias tão negativas, não se perca a esperança no ser humano; o segundo o quanto esta mesma esperança é que dá sentido em buscar a continuidade da própria vida.
Lya aborda as perdas no crime ambiental em Brumadinho (poderia se falar da morte dos jovens na concentração do Flamengo), que as pessoas não podem esquecer - especialmente as autoridades - para que as tragédias não se repitam. Mais ainda: que não se aceite como natural a espetacularização da notícia em que o trágico não nos diz respeito, mas satisfaz uma necessidade de indignação virtual.
Lendo o texto do professor Osmar fiquei com a impressão de que nos acostumamos a tratar do físico e do psíquico, mas descuidamos do coração (a fé, a espiritualidade). Cita alguns elementos fundamentais para este cuidado: o protagonismo da saúde, superar o medo, encontrar espaço para a família e amigos, entender o câncer como parte da vida e valorizar as pequenas conquistas.
"Saúde e doença estão entrelaçadas, à semelhança do nascimento e da morte", diz o professor. E é este "intervalo" que se tem para viver. Sofregamente, consciente de que há um princípio e um fim, mais fácil de ser entendido quando nos damos conta de que é exatamente a doença e a morte que superam a experiência da existência e aproximam do Universo e do Infinito.
Aprender a lidar com o principio da vida e com o seu fim está para além de um tratamento médico. É a única forma de não desesperar quando não encontramos ou não entendemos o que está acontecendo com o próprio corpo ou de quem cuidamos. Embora o privilégio em viver num tempo em que o tratamento do câncer evoluiu bastante, ainda há muito caminho a ser percorrido...
Osmar teve como escola a maior sala de aula que alguém pode imaginar: o Mundo. Transformou-se num educador por excelência. Filósofo capaz de abrir os olhos e ajudar a desvendar os caminhos do conhecimento. A doença o faz partilhar de uma experiência única: na qual se vivencia que a dor ensina a ver a teoria na prática.
Sem perder o sentido do "cotidiano peregrino", aprendendo a viver e dar significado à doença, um dos desafios - Lya Luft chama de "pedacinhos dessas dádivas..." - necessários para não perder a fé... Cuidar é um jeito de partilhar a solidariedade - citando o professor Osmar - mas que necessita estar disposto a "saborear a singeleza e a beleza da plenitude do (momento) presente!".
Lya aborda as perdas no crime ambiental em Brumadinho (poderia se falar da morte dos jovens na concentração do Flamengo), que as pessoas não podem esquecer - especialmente as autoridades - para que as tragédias não se repitam. Mais ainda: que não se aceite como natural a espetacularização da notícia em que o trágico não nos diz respeito, mas satisfaz uma necessidade de indignação virtual.
Lendo o texto do professor Osmar fiquei com a impressão de que nos acostumamos a tratar do físico e do psíquico, mas descuidamos do coração (a fé, a espiritualidade). Cita alguns elementos fundamentais para este cuidado: o protagonismo da saúde, superar o medo, encontrar espaço para a família e amigos, entender o câncer como parte da vida e valorizar as pequenas conquistas.
"Saúde e doença estão entrelaçadas, à semelhança do nascimento e da morte", diz o professor. E é este "intervalo" que se tem para viver. Sofregamente, consciente de que há um princípio e um fim, mais fácil de ser entendido quando nos damos conta de que é exatamente a doença e a morte que superam a experiência da existência e aproximam do Universo e do Infinito.
Aprender a lidar com o principio da vida e com o seu fim está para além de um tratamento médico. É a única forma de não desesperar quando não encontramos ou não entendemos o que está acontecendo com o próprio corpo ou de quem cuidamos. Embora o privilégio em viver num tempo em que o tratamento do câncer evoluiu bastante, ainda há muito caminho a ser percorrido...
Osmar teve como escola a maior sala de aula que alguém pode imaginar: o Mundo. Transformou-se num educador por excelência. Filósofo capaz de abrir os olhos e ajudar a desvendar os caminhos do conhecimento. A doença o faz partilhar de uma experiência única: na qual se vivencia que a dor ensina a ver a teoria na prática.
Sem perder o sentido do "cotidiano peregrino", aprendendo a viver e dar significado à doença, um dos desafios - Lya Luft chama de "pedacinhos dessas dádivas..." - necessários para não perder a fé... Cuidar é um jeito de partilhar a solidariedade - citando o professor Osmar - mas que necessita estar disposto a "saborear a singeleza e a beleza da plenitude do (momento) presente!".
domingo, 3 de fevereiro de 2019
"Boa noite, mãe!"
Na manhã do dia 26 de janeiro, a mãe partiu. Da mesma forma como viveu, tranquilamente, apenas apagou em meus braços, na cama em que a encontrava todas as manhãs, para a primeira medicação do dia. Assim como, à noite, depois de rezar o Pai Nosso, com um Anjinho que a acompanhava nos últimos anos, deixava o cd do padre Zezinho tocando e a luz acesa, garantindo que voltaria... com um beijo.
Quase sempre, ao retornar, já a encontrava dormindo. Abençoava-a rezando o "Santo Anjo..." e dando graças a Deus por mais um dia. Nos últimos tempos, com o acerto das cuidadoras e das medicações, aos 93 anos, era um quadro estabilizado que me levava a pensar que viveria ao menos até os 94, 95 anos. Mas o coração falhou. E ela não disse mais nada enquanto "adormecia", ainda olhando para mim...
O tempo de preparação para o enterro é rico em recordações e reencontros. Pude ouvir e entender a história de meus pais - que aos 30 anos, saíram do interior de Canguçu como migrantes - assim como muitos outros. Havia mais coisas além dos fatores econômicos - família grande, pouca terra, a pobreza se instalando. Mas ainda era um tempo em que as famílias se preocupavam uns com os outros.
Os irmãos mais velhos ficavam na terra e os mais novos saiam para tentar a sorte. Ajudando do jeito que desse: quando alguém vinha para a cidade, mandavam todo o tipo de provisão; nas férias acolhiam as crianças, propiciando a economia de alguns trocados com a comida. Uma amiga contou que a família recebeu o irmão do pai em situação de bastante dificuldade. Jovem, o rapaz voltava das aulas faminto e, possivelmente, não soubesse que a sua janta era a comida que a dona de casa trocara por uma xícara de café e um pedaço de pão...
O cobertor era curto, mas, de alguma forma, sempre cabia mais um. Do jeito que entendiam a vida encaminharam seus filhos. Alguns partiram bem mais cedo do que se esperava e chegou o momento que, de cuidadores, passaram a ser cuidados. Nunca me eximi desta responsabilidade. Mas gostaria de ter feito mais. Confesso que, nos últimos tempos, ser responsável pela mãe era um fardo leve e muito bom de carregar. Já não eram palavras que nos aproximavam, mas olhares, sorrisos, toques...
A vida seguiu o seu rumo na véspera de sua morte, uma sexta. Fechar a casa, apagar as luzes, cuidar se seu sono estava normal. Murmurar um: "boa noite, mãe!" e dar mais um beijo... Na sua despedida, olhando para seu corpo, pensei no quanto sentiria sua falta. Era, mais do que a dor, uma ausência nas coisas simples: ajudar a trocar uma roupa, colocar na cadeira de rodas, alcançar um alimento, assoar um nariz... A vida que alimenta nossas lembranças e instala no peito uma imensa saudade!
Quase sempre, ao retornar, já a encontrava dormindo. Abençoava-a rezando o "Santo Anjo..." e dando graças a Deus por mais um dia. Nos últimos tempos, com o acerto das cuidadoras e das medicações, aos 93 anos, era um quadro estabilizado que me levava a pensar que viveria ao menos até os 94, 95 anos. Mas o coração falhou. E ela não disse mais nada enquanto "adormecia", ainda olhando para mim...
O tempo de preparação para o enterro é rico em recordações e reencontros. Pude ouvir e entender a história de meus pais - que aos 30 anos, saíram do interior de Canguçu como migrantes - assim como muitos outros. Havia mais coisas além dos fatores econômicos - família grande, pouca terra, a pobreza se instalando. Mas ainda era um tempo em que as famílias se preocupavam uns com os outros.
Os irmãos mais velhos ficavam na terra e os mais novos saiam para tentar a sorte. Ajudando do jeito que desse: quando alguém vinha para a cidade, mandavam todo o tipo de provisão; nas férias acolhiam as crianças, propiciando a economia de alguns trocados com a comida. Uma amiga contou que a família recebeu o irmão do pai em situação de bastante dificuldade. Jovem, o rapaz voltava das aulas faminto e, possivelmente, não soubesse que a sua janta era a comida que a dona de casa trocara por uma xícara de café e um pedaço de pão...
O cobertor era curto, mas, de alguma forma, sempre cabia mais um. Do jeito que entendiam a vida encaminharam seus filhos. Alguns partiram bem mais cedo do que se esperava e chegou o momento que, de cuidadores, passaram a ser cuidados. Nunca me eximi desta responsabilidade. Mas gostaria de ter feito mais. Confesso que, nos últimos tempos, ser responsável pela mãe era um fardo leve e muito bom de carregar. Já não eram palavras que nos aproximavam, mas olhares, sorrisos, toques...
A vida seguiu o seu rumo na véspera de sua morte, uma sexta. Fechar a casa, apagar as luzes, cuidar se seu sono estava normal. Murmurar um: "boa noite, mãe!" e dar mais um beijo... Na sua despedida, olhando para seu corpo, pensei no quanto sentiria sua falta. Era, mais do que a dor, uma ausência nas coisas simples: ajudar a trocar uma roupa, colocar na cadeira de rodas, alcançar um alimento, assoar um nariz... A vida que alimenta nossas lembranças e instala no peito uma imensa saudade!
quarta-feira, 16 de janeiro de 2019
A violência que se repete
A virada do ano, com a mudança dos governos em nível de País ou de Estado criaram muitas expectativas, mas não chegaram a empolgar os brasileiros. Os ânimos acirrados dos tempos de campanha se reduziram àqueles que se aninharam numa ou noutra candidatura e, depois de empossadas as novas autoridades, há um tempo para que possa, na prática, dizer a que veio.
O primeiro reconhecimento é de que a máquina pública tornou-se obsoleta e não atende às principais demandas da população. Enquanto se paga impostos de primeiro mundo se têm serviços em áreas como a educação, saúde e segurança de terceiro, quarto, quinto... O que chama mais a atenção, no momento, é o da segurança.
A mudança do comando político alvoroçou as lideranças criminosas, especialmente de dentro dos presídios. O Ceará - e seus mais de dez dias de atentados - é a ponta de um estopim aceso num confronto que promete se generalizar. Autoridades despreparadas e afoitas em dizer a que vieram apregoaram aos quatro ventos suas estratégias. A pressa em mostrar serviço, anunciando medidas ainda em gestação tem o efeito contrário: prevenir e açodar o adversário. Cutucaram a onça com vara curta...
As políticas empregadas até então se mostraram ineficazes. Apresentar números de melhoria é deboche. A população vê e ouve os números mas, na prática, na rua, percebe que continua sendo quem paga por uma máquina ineficaz, assim como sofre por ser aquela que, não tendo um serviço público, precisa se valer de uma atividade privada se quiser manter a própria segurança ou a de seu patrimônio.
As jogadas de marketing encontram uma população indiferente e, quando são efetivadas, enfrentam uma estrutura subterrânea perigosa, diante de forças policiais despreparadas. Os rompantes dos discursos provocam reações violentas que poderiam ser previstas por serviços de inteligência e abortadas. Infelizmente, os números são insuficientes se as autoridades não conseguem criar uma sensação de que há normalidade nas ruas e até mesmo idosos possam circular com seus pertences.
A violência se repete. Recentemente, uma pessoa mais velha disse: "durante muito tempo vi isto se passando com os outros e pensei que nunca aconteceria comigo. Agora, sei que mais cedo ou mais tarde isto vai se dar com meus filhos, meus netos, ou, pior ainda, vai se repetir..." O ano recém está iniciando mas, do pouco que se espera dos governos é que faça o básico. Não há desenvolvimento de um país que não passe por segurança pública... Mas também por educação, saúde, transporte...
O primeiro reconhecimento é de que a máquina pública tornou-se obsoleta e não atende às principais demandas da população. Enquanto se paga impostos de primeiro mundo se têm serviços em áreas como a educação, saúde e segurança de terceiro, quarto, quinto... O que chama mais a atenção, no momento, é o da segurança.
A mudança do comando político alvoroçou as lideranças criminosas, especialmente de dentro dos presídios. O Ceará - e seus mais de dez dias de atentados - é a ponta de um estopim aceso num confronto que promete se generalizar. Autoridades despreparadas e afoitas em dizer a que vieram apregoaram aos quatro ventos suas estratégias. A pressa em mostrar serviço, anunciando medidas ainda em gestação tem o efeito contrário: prevenir e açodar o adversário. Cutucaram a onça com vara curta...
As políticas empregadas até então se mostraram ineficazes. Apresentar números de melhoria é deboche. A população vê e ouve os números mas, na prática, na rua, percebe que continua sendo quem paga por uma máquina ineficaz, assim como sofre por ser aquela que, não tendo um serviço público, precisa se valer de uma atividade privada se quiser manter a própria segurança ou a de seu patrimônio.
As jogadas de marketing encontram uma população indiferente e, quando são efetivadas, enfrentam uma estrutura subterrânea perigosa, diante de forças policiais despreparadas. Os rompantes dos discursos provocam reações violentas que poderiam ser previstas por serviços de inteligência e abortadas. Infelizmente, os números são insuficientes se as autoridades não conseguem criar uma sensação de que há normalidade nas ruas e até mesmo idosos possam circular com seus pertences.
A violência se repete. Recentemente, uma pessoa mais velha disse: "durante muito tempo vi isto se passando com os outros e pensei que nunca aconteceria comigo. Agora, sei que mais cedo ou mais tarde isto vai se dar com meus filhos, meus netos, ou, pior ainda, vai se repetir..." O ano recém está iniciando mas, do pouco que se espera dos governos é que faça o básico. Não há desenvolvimento de um país que não passe por segurança pública... Mas também por educação, saúde, transporte...
sábado, 12 de janeiro de 2019
Cantadores de Reis
Retornávamos ao interior de Canguçu, nas férias, e fomos contemplados com "Ternos de Reis". Na véspera, homens saiam em grupo, de casa em casa, levando sanfona e viola, fazendo a "cantoria" e conseguindo o compromisso de algum animal para consumo no dia seguinte. Éramos crianças e, com as mulheres, ficávamos em casa. Ao longo da noite, ouvíamos a tia dizendo: "estão na casa do fulano..." Ou: "já chegaram a tal casa..." No dia seguinte, uma grande festa foi armada para receber aqueles que traziam a carne prometida e o suficiente para comemorar muitas festa dos Santos Reis.
Moradores de cidade do interior apresentaram esta festa de forma diferente: percorrem ruas e praças fazendo apresentações em público, mas também em casas agendadas. O que recolhem abastece o estoque de alimentos do hospital, com o compromisso dos visitados de fazer doações ao longo do ano. A ideia do diretor da entidade manteve a cozinha com o necessário para atravessar a crise que a saúde enfrenta no Estado.
A história dos Santos Reis - Melchior, Baltasar e Gaspar - aparece de passagem nos Evangelhos. Sequer seus nomes são citados na Bíblia usada pelos católicos. Traziam lembranças do Oriente. Como disse o papa Bento XVI: "davam testemunho da divindade que consideravam haver no menino, com o ouro se referindo à Sua realeza; o incenso, à Sua divindade; e a mirra, à Sua humanidade".
O que ficou de sua busca foi exatamente isto: a sua busca. Trilharam longo caminho, regiões difíceis, por um desafio: ficar frente à frente com Aquele que mudaria os rumos da História. Caminhando deixavam sua zona de conforto, desacomodando-se e aceitando que podiam superar suas próprias expectativas.
Semana passada repórter apresentou matéria de canoagem. Precisava aprender a lidar com a canoa, mas também com a Natureza... Passada uma semana, julgava-se pronta para encarar o percurso. Cheia de moral partiu... E, próxima do final, virou, numa cena entre o trágico e o hilário... Reconheceu: a soberba levou a que pensasse ter tudo dominado. Não era verdade, há sempre o que se aprender com a Natureza!
Motivar a própria fé ao longo de um novo ano é percurso onde a soberba não pode ter lugar. Já não se ouve na distância cantadores de "Reis", mas há pessoas próximas - idosos e doentes - precisando ouvir "música" que dê sentido às suas vidas. Uma delas se chama "presença", em cuidados ou acompanhamento. Ato tão significativo quanto a estrela que aparece no caminho dos viajantes e aponta para a manjedoura, confirmando que toda a estrada tem sentido quando, no final, se depara com a Esperança do Mundo!
Moradores de cidade do interior apresentaram esta festa de forma diferente: percorrem ruas e praças fazendo apresentações em público, mas também em casas agendadas. O que recolhem abastece o estoque de alimentos do hospital, com o compromisso dos visitados de fazer doações ao longo do ano. A ideia do diretor da entidade manteve a cozinha com o necessário para atravessar a crise que a saúde enfrenta no Estado.
A história dos Santos Reis - Melchior, Baltasar e Gaspar - aparece de passagem nos Evangelhos. Sequer seus nomes são citados na Bíblia usada pelos católicos. Traziam lembranças do Oriente. Como disse o papa Bento XVI: "davam testemunho da divindade que consideravam haver no menino, com o ouro se referindo à Sua realeza; o incenso, à Sua divindade; e a mirra, à Sua humanidade".
O que ficou de sua busca foi exatamente isto: a sua busca. Trilharam longo caminho, regiões difíceis, por um desafio: ficar frente à frente com Aquele que mudaria os rumos da História. Caminhando deixavam sua zona de conforto, desacomodando-se e aceitando que podiam superar suas próprias expectativas.
Semana passada repórter apresentou matéria de canoagem. Precisava aprender a lidar com a canoa, mas também com a Natureza... Passada uma semana, julgava-se pronta para encarar o percurso. Cheia de moral partiu... E, próxima do final, virou, numa cena entre o trágico e o hilário... Reconheceu: a soberba levou a que pensasse ter tudo dominado. Não era verdade, há sempre o que se aprender com a Natureza!
Motivar a própria fé ao longo de um novo ano é percurso onde a soberba não pode ter lugar. Já não se ouve na distância cantadores de "Reis", mas há pessoas próximas - idosos e doentes - precisando ouvir "música" que dê sentido às suas vidas. Uma delas se chama "presença", em cuidados ou acompanhamento. Ato tão significativo quanto a estrela que aparece no caminho dos viajantes e aponta para a manjedoura, confirmando que toda a estrada tem sentido quando, no final, se depara com a Esperança do Mundo!
A novela do gato
Voltei a ser noveleiro. Nem lembro a última novela que havia assistido. Quando começaram as chamadas para o Sétimo Guardião a minha curiosidade foi despertada. Ouvindo seu autor, Aguinaldo Silva, dava para perceber que era bem mais do que um folhetim das 9 horas. Seu enredo teria ação, intriga, humor e uma pitada de mistério...
Tive que reaprender o ritmo dos capítulos, porque, no início, ficava irritado pois parecia que as coisas não se desenrolavam. Mas, tomou jeito de uma história que tem lances pitorescos, divertida e para o entretenimento, que traz consigo, como uma boa parábola, a intenção de discutir uma das nossas maiores riquezas: a água.
Serro Azul tem o núcleo tupiniquim que recebe os almofadinhas de São Paulo. Os da terrinha querem o progresso com a internet e retransmissora de televisão... os aventureiros querem uma fonte de água poderosa, que pode revolucionar o mercado dos cosméticos, tornando milionários quem nela colocar as mãos.
Há diferença na apresentação do enredo. "Bons" e "maus" tem vantagens, mas não é um folhetim em que os bons apanham durante tanto tempo que perde a graça torcer por eles. O bem somente triunfaria nos últimos capítulos. Neste caso, os bons são bons sem serem ingênuos e os maus tem reveses ao longo dos capítulos.
Os guardiães protegem a fonte. O gato - Leon - é um ser mistura de animal com homem, já foi guardião e, por ter tido uma filha, foi amaldiçoado. Em raros momentos, volta à sua forma original. Pode ser em definitivo se Gabriel - o sétimo guardião - aceitar esta condição. Mas, que depende da mocinha - Luz da Lua - pois para aceitar precisa encontrar razão na seita secreta e abrir mão do seu amor...
Complicado... Para um antigo noveleiro é uma sensação agradável reencontrar com uma das poucas produções nacionais que podem ser chamadas de populares pois, diferente de outras - como a música que se chama popular - chega a todas as classes sociais. Ouvem-se comentários dos primeiros capítulos pelas redes sociais, nos bancos de ônibus, nas filas de supermercados...
Numa época em que nem todo o guardião é santo miniaturiza um pouco do Brasil em solo de Serro Azul. As boas intenções dificilmente são claras e a potencialidade daqueles que se envolvem nem sempre é suficiente para evitar que a ganância fale mais alto e se dê para poucos aquilo que a Natureza alcançou para todos. Em tempos de novas administrações públicas é ver se todo o discurso de bom moço não tem segundas intenções... na calada da noite, quando todos os gatos acabam sendo pardos!
Tive que reaprender o ritmo dos capítulos, porque, no início, ficava irritado pois parecia que as coisas não se desenrolavam. Mas, tomou jeito de uma história que tem lances pitorescos, divertida e para o entretenimento, que traz consigo, como uma boa parábola, a intenção de discutir uma das nossas maiores riquezas: a água.
Serro Azul tem o núcleo tupiniquim que recebe os almofadinhas de São Paulo. Os da terrinha querem o progresso com a internet e retransmissora de televisão... os aventureiros querem uma fonte de água poderosa, que pode revolucionar o mercado dos cosméticos, tornando milionários quem nela colocar as mãos.
Há diferença na apresentação do enredo. "Bons" e "maus" tem vantagens, mas não é um folhetim em que os bons apanham durante tanto tempo que perde a graça torcer por eles. O bem somente triunfaria nos últimos capítulos. Neste caso, os bons são bons sem serem ingênuos e os maus tem reveses ao longo dos capítulos.
Os guardiães protegem a fonte. O gato - Leon - é um ser mistura de animal com homem, já foi guardião e, por ter tido uma filha, foi amaldiçoado. Em raros momentos, volta à sua forma original. Pode ser em definitivo se Gabriel - o sétimo guardião - aceitar esta condição. Mas, que depende da mocinha - Luz da Lua - pois para aceitar precisa encontrar razão na seita secreta e abrir mão do seu amor...
Complicado... Para um antigo noveleiro é uma sensação agradável reencontrar com uma das poucas produções nacionais que podem ser chamadas de populares pois, diferente de outras - como a música que se chama popular - chega a todas as classes sociais. Ouvem-se comentários dos primeiros capítulos pelas redes sociais, nos bancos de ônibus, nas filas de supermercados...
Numa época em que nem todo o guardião é santo miniaturiza um pouco do Brasil em solo de Serro Azul. As boas intenções dificilmente são claras e a potencialidade daqueles que se envolvem nem sempre é suficiente para evitar que a ganância fale mais alto e se dê para poucos aquilo que a Natureza alcançou para todos. Em tempos de novas administrações públicas é ver se todo o discurso de bom moço não tem segundas intenções... na calada da noite, quando todos os gatos acabam sendo pardos!
2019: dê uma razão para alguém ser feliz
Uma peça publicitária: idoso solitário anda pelos corredores desertos de um condomínio. Em cada porta deixa pendurada na maçaneta uma lembrança, sem que se dê conta de que está sendo observado pelo síndico, que resolve retribuir. Organiza um evento com os moradores que vão saindo "sorrateiramente" de seus apartamentos, enquanto o presenteador observa pelo olho mágico...
Abre a porta e vê, a seus pés, um enfeite para árvore de Natal. Segue a procissão dos que, ao sair, tinham algo em suas mãos... Chega a um espaço de convivência onde os moradores o aguardam e saúdam como o responsável por terem se unido, dando sentido à motivação da publicidade: "juntos para transformar vizinhos em família." Na árvore falta apenas um detalhe: a sua bolinha "mágica", a bolinha da solidariedade!
Muitas são as peças que emocionam apelando para sentimentos de paternidade, filiação, amizade, disponibilidade para o outro... Mas, as mesmas produções que enchem os olhos de alegria também despertam em muitos idosos, doentes, pessoas deprimidas, angustiadas a sensação de que não fazem parte da mesma realidade.
Chega-se à virada do ano coberto de boas intenções. Como sempre, pensa-se em perder peso, voltar a estudar, reencontrar um amigo do qual se afastou... Mas o tique-taque das horas e a virada das folhinhas do calendário levam junto as boas intenções... Resta o dia a dia com o seu peso, sua rotina e a volta à vidinha de sempre!
Conversando com uma amiga reforcei a ideia de que a vida não propicia uma experiência em que todos os momentos são felizes, mas sim de que o sopro, o respiro diante da mesmice são exatamente os momentos que não permitem que se desanime, especialmente quando se tem uma chance de dar uma razão para alguém ser feliz.
Hoje ainda se bate muito na questão de "manter a família", um grupo grande, com gente que se reúne alegre e feliz. A "evolução" dos tempos levou a que muitos se afastem; que "amigos" não sejam tantos quanto se gostaria; ou que nossos grupos e comunidades já não respondam ao estilo mais próximo de convívio.
Nas ruas, vejo muitos "maiores abandonados" andando pelas calçadas "fresteando" a ferragem, o mercadinho, a fruteira... buscando motivos para bater um papo. Pessoas carentes? sim, como todos nós. Mas, como o vizinho do apartamento, tomam a iniciativa de deixar uma lembrança de porta em porta, transformam vizinhos em amigos. Dão uma razão para se fazer alguém, nem que seja por um instante, experimentar o direito de ser feliz!
Abre a porta e vê, a seus pés, um enfeite para árvore de Natal. Segue a procissão dos que, ao sair, tinham algo em suas mãos... Chega a um espaço de convivência onde os moradores o aguardam e saúdam como o responsável por terem se unido, dando sentido à motivação da publicidade: "juntos para transformar vizinhos em família." Na árvore falta apenas um detalhe: a sua bolinha "mágica", a bolinha da solidariedade!
Muitas são as peças que emocionam apelando para sentimentos de paternidade, filiação, amizade, disponibilidade para o outro... Mas, as mesmas produções que enchem os olhos de alegria também despertam em muitos idosos, doentes, pessoas deprimidas, angustiadas a sensação de que não fazem parte da mesma realidade.
Chega-se à virada do ano coberto de boas intenções. Como sempre, pensa-se em perder peso, voltar a estudar, reencontrar um amigo do qual se afastou... Mas o tique-taque das horas e a virada das folhinhas do calendário levam junto as boas intenções... Resta o dia a dia com o seu peso, sua rotina e a volta à vidinha de sempre!
Conversando com uma amiga reforcei a ideia de que a vida não propicia uma experiência em que todos os momentos são felizes, mas sim de que o sopro, o respiro diante da mesmice são exatamente os momentos que não permitem que se desanime, especialmente quando se tem uma chance de dar uma razão para alguém ser feliz.
Hoje ainda se bate muito na questão de "manter a família", um grupo grande, com gente que se reúne alegre e feliz. A "evolução" dos tempos levou a que muitos se afastem; que "amigos" não sejam tantos quanto se gostaria; ou que nossos grupos e comunidades já não respondam ao estilo mais próximo de convívio.
Nas ruas, vejo muitos "maiores abandonados" andando pelas calçadas "fresteando" a ferragem, o mercadinho, a fruteira... buscando motivos para bater um papo. Pessoas carentes? sim, como todos nós. Mas, como o vizinho do apartamento, tomam a iniciativa de deixar uma lembrança de porta em porta, transformam vizinhos em amigos. Dão uma razão para se fazer alguém, nem que seja por um instante, experimentar o direito de ser feliz!
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