sábado, 17 de setembro de 2011

A partida do vento


Não tenho ciúmes do vento.
Ele passa sussurrando em meu ouvido,
Com a dolência de
Quem não quer seguir,
Mas tem que cumprir seu destino.

Na madrugada,
Quando não o ouço distante,
Sei que cumpre seu destino
Em outro lugar.

Que seja feliz.

E, quando voltar,
Que venha do sul,
Provocando o aconchego
De nuvens que deslizam
Na ânsia de um chão,
Buscando sentido
Para brincar com os galhos das árvores.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Estudo puxado

Nos meus bons tempos de primeiro e segundo grau, era comum ouvir que certas escolas - como era o Seminário Diocesano, onde estudei - tinham um estudo puxado. Significando que havia um compromisso da estrutura educacional em ter um conteúdo denso e dos alunos que desejavam sair da média, aproveitando uma oportunidade que lhes abriria portas para a vida, independente se seguiriam a vida sacerdotal, ou não.
Pois foi uma das constatações a que cheguei quando a recente prova do ENEM consagrou que das cem escolas mais qualificadas, apenas 13 eram públicas e, destas, as melhores colocadas, tinham alguma vinculação com um ensino mais puxado, especialmente ligadas ao meio militar.
Era isto que se falava na minha época. Dois ensinos que eram considerados exigentes eram nos seminários ou nos meios militares, porque havia algo que falta hoje: espírito disciplinado. Éramos conscientes de que precisávamos do estudo, pois vindos de famílias pobres, era a grande oportunidade de uma mudança de vida. Aceitávamos a forma como eram ministrados os conteúdos e respeitávamos as normas, especialmente horários e o trato com os professores e superiores.
Claro que o tempo passou, hoje vivemos uma época diferente, mas, parece, o relativismo que se defendeu para a educação não deu resultado: nossos alunos não confiam no processo educacional, portanto, não vêem muito sentido em seus conteúdos e nem acreditam que os professores lhes sejam referências que precisam ser reconhecidos e respeitados.
Um sinal de alerta veio exatamente desta prova: estes jovens que optaram por uma formação mais difícil, vão ter fortalecidos seus espíritos e farão a diferença, numa época em que os jovens acham que tudo podem e que nada lhes fará mal. Sinto dizer que não é bem assim, mas, infelizmente, ao se darem conta de que perderam seu tempo, infelizmente, já estarão atrasados. E, no relógio da vida, quem deixa escapar um segundo pode perder a eternidade.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Salvo pela gentileza

Opa, dá pra pensar!

Conta-se a historia do empregado em um frigori­fico na Noruega. Certo dia, ao termino do trabalho, foi inspecionar a câmara frigorifica. Inexplicavelmente, a porta se fechou e ele ficou preso. Bateu na porta com força, gritou por socorro, mas ninguém o ouviu. Todos já haviam ido para suas casas e era impossível que alguém pudesse escutá-lo. Já estava há quase cinco horas preso, debilitado com a temperatura insuportável.
De repente, a porta se abriu e o vigia entrou na câmara e o resgatou com vida. Depois de ser salvo, o homem perguntou ao vigia:
Porque foi abrir a porta da câmara, se isto não faz parte da sua rotina de trabalho?
Ele explicou:
Trabalho nesta empresa há 35 anos, centenas de empregados  entram e saem daqui todos os dias e você é o único que me cumprimenta ao chegar pela manhã e se despede de mim ao sair. Hoje pela manhã disse "bom dia", quando chegou. Entretanto, não se despediu de mim na hora da saída. Imaginei que poderia ter-lhe acontecido algo. Por isto o procurei e o encontrei.

Pergunta: Será que eu e você seríamos salvos?

sábado, 10 de setembro de 2011

O rumo das estrelas


Da minha varanda, vejo estrelas.
Elas estão nuas.
Quem despiu as estrelas?
Quem as tornou reféns de uma luz que não se apaga,
Mas se mantém em silêncio?
Elas agonizam no horizonte.
Não apontam rumos, 
Não sabem de caminhos nos céus,
Mas dizem:
Sinalizamos a vida...
E, para além dela, também a eternidade.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Sejamos honestos


Quem ficou mais um pouco depois dos desfiles cívicos de 7 de setembro deparou-se com uma marcha diferente: pela ética em todas as instâncias da vida brasileira. Pena que poucas autoridades prestaram atenção, algumas tendo saído de fininho para não se sentirem constrangidos com os cartazes que incentivavam a população a se conscientizar de que os desmandos realizados pelas autoridades públicas prejudicam a todos nós.
Infelizmente, chegamos a um nível de marasmo de valores em que figuras públicas representam que estão sendo éticos – com discursos contundentes, mas vazios - e nós fingimos que acreditamos – para não nos incomodarmos, ou por acharmos que já não há como reverter o processo. No momento em que a sociedade organizada questiona o relativismo das leis e das penas, escândalos envolvem políticos e administradores públicos, explodindo e sendo afastados, mas o dinheiro desviado, que é o bem bom, não volta aos cofres públicos, ou quando volta é bem menos do que deveria.
Uma frase emblemática de um cartaz dizia: “não podemos ter vergonha de sermos honestos.” Triste, muito triste. Ser honesto precisa ser um valor vindo do berço. Praticamente, deveríamos receber por osmose de nossos pais e ser um referencial para o resto de nossas vidas. Infelizmente, a realidade aponta em outra direção: bandidos soltos e pessoas de bem gradeiam as casas para se proteger; crimes cometidos por parlamentares recebendo a cumplicidade de seus pares, num corporativismo com medo de que um sendo responsabilizado, os outros também o sejam.
A marcha pela ética, já realizada em anos passados, é uma ponta da sociedade que deseja retomar valores e referências. Nos últimos dias, notícias de Brasília mostram a presidente tentando fazer uma faxina em seu ministério. Infelizmente, panos quentes foram colocados nas feridas e a esperança começou a entrar na esfera do marasmo. Vamos precisar escrever em nossas agendas, em cartazes, painéis a frase lapidar: “não tenhamos medo de ser honestos”. E cobrar a honestidade daqueles que nos representam.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Porque nos distanciamos dos amigos?


Linda e comovente história, mandada pela mana Leonice, de Canela.

Era uma vez dois amigos:
Eles eram inseparáveis, eram uma só alma. Mas por alguma razão seus caminhos tomaram dois rumos distintos e se separaram.
E ISTO INICIOU ASSIM:
Eu nunca voltei a saber do meu amigo até o dia de ontem, depois de 10 anos, que caminhando pela rua me encontrei com a mãe dele.  
A cumprimentei e perguntei por meu amigo. Nesse momento seus olhos se encheram de lágrimas e me olhou nos olhos dizendo:
-Morreu ontem...
Não soube o que dizer a ela, ela seguia me olhando e então perguntei como ele tinha morrido.
Ela me convidou a ir a sua casa, ao chegar ali me chamou para sentar na velha sala onde passei grande parte de minha vida, sempre brincávamos ali, meu amigo e eu.
Sentei-me e ela começou a contar a triste história.
Fazia dois anos que diagnosticaram uma rara enfermidade, e sua cura dependia de receber todo mês uma transfusão de sangue durante três meses, mas... Recorda que seu sangue era muito raro?
Sim, eu sei, igual ao meu...
Ele dizia que da única pessoa que receberia sangue seria de ti, mas não quis que te procurasse, ele dizia todas as noites:
-Não o procurem, tenho certeza que amanhã ele virá...
Assim passaram os meses, e todas as noites se sentava nessa mesma cadeira onde estás tu sentado e orava para que te lembrasse dele e viesse na manhã seguinte.
Assim acabou sua vida e ontem na última noite de sua vida, estava muito mal, e sorrindo me disse:
-Mãe, eu sei que logo meu amigo virá, pergunta pra ele por que demorou tanto e entrega a ele esse bilhete que está na minha gaveta.
A senhora se levantou, regressou e me entregou o bilhete que dizia:
“Meu amigo, sabia que virias, tardastes um pouco, mas não importa, o importante é que viestes. Agora estou te esperando em outro lugar, espero que demores a chegar aqui, mas enquanto isso quero dizer desde o céu tens um amigo cuidando de ti, meu querido melhor amigo. Ah, por certo, te recordas porquê nós nos distanciamos? Sim, foi porque não quis te emprestar minha bola nova, rsrs, que tempos heim... Éramos insuportáveis, bom pois quero dizer que te dou ela de presente e espero que gostes muito. Amo você! Teu amigo de sempre e para sempre!”

Não deixes que teu orgulho possa mais que teu coração...
A amizade é como o mar, se vê o princípio, mas não o final...

sábado, 3 de setembro de 2011

Voltando à sala de aula

As "meninas" do Voltando à Sala de Aula" completaram 15 anos de atividades. Não as acompanhei desde o início, mas a partir do segundo ano, quando me convidaram para falar a respeito de comunicação na terceira idade. O amor foi recíproco: periodicamente volto a falar do mesmo tema ou outros ligados à espiritualidade.
A Celebração da Palavra não foi apenas um ato religioso de ação de graças, mas também um dar sentido a uma caminhada construída em conjunto, com seus acertos e erros; rusgas e atos de carinho; presenças e ausências.
Fiquei me perguntando o que é viver plenamente a terceira idade, onde elas se encontram dos 50 àquelas idades indefinidas que não se pergunta para uma mulher. Acho que não há respostas prontas para muitas questões da vida, mas para esta em especial. No entanto, há um elemento presente na resposta de todas as perguntas: a necessidade do convívio e de sair da volta dos próprios problemas.
Isto elas fazem muito bem: seu orgulho pelo grupo, a capacidade de perderem o senso do ridículo para qualquer atividade a que são chamadas, desde o teatro, passando pela música, até os inúmeros passeios.
Meu olhar se emociona, quando volto a estar com uma turma onde poderiam estar muitas amigas, minha máe e, quem sabe, se estivesse viva, minha avó. O olhar é de carinho quando alguma dormita na tranquilidade de quem está junto de amigos e não precisa sentir-se mal porque o corpo não aguentou aquele palestrante chato, pouco depois do almoço, no lugar da séstia.
Foi trabalhando com o "Voltando à Sala de Aula", que me animei a interagir com outros grupos como, em Pelotas, o grupo da Terceira Idade do SESC, assim como o CETRES. Todos eles me retribuem com algo que se transforma em bálsamo para a alma: carinho, muito carinho. Ser envolvido por uma energia positiva de quem, tendo vivido muitas e muitas experiências, ainda tem pique para enfrentar novos desafios, mirando horizontes onde, como diria o Pequeno Príncipe, pode-se encontrar aqueles que cativamos.