Crônica Poética:
A primeira e única criança que veio das estrelas, guardada na memória e no afeto, foi o doce e encantador Pequeno Príncipe. Sempre que uma nesga de céu aberto se descortinava no horizonte, o olhar quedava-se maravilhado, imaginando os caminhos invisíveis e os roteiros secretos capazes de guiar tal travessia. Nessa contemplação de infância, o firmamento não era apenas um teto de astros distantes, mas a pátria original de onde brotam os seres mais puros, aqueles que chegam trazendo a lição silenciosa de que o essencial permanece invisível aos olhos e só pode ser alcançado pelo coração.
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Velaremos por aqueles que ficaram, transformando a ausência em claridade e a Eternidade em um eterno recomeço…
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No curso dos dias, a vida convida a tatear essa origem estelar através de gestos simples que suspendem o tempo. É o instante em que se constrói um kit de afeto materializado em um quadro: uma placa de massa de modelagem que acolhe o espaço preciso para duas imagens e marcas indeléveis. O avô decide registrar a própria mão e, bem no centro, entrelaçá-la à mão pequena do neto, eternizando o toque. Ao lado, emolduram-se duas boas memórias de atividades compartilhadas, a confirmar que criar lembranças é a arte mais nobre de ancorar o amor no cotidiano.
Fica, assim, o duplo presente: a posse terna de uma recordação viva do neto e a entrega de um legado de carinho que atravessará os anos. Cada ranhura na massa moldada guarda o calor de uma tarde, o riso solto e a cumplicidade de gerações que se reconhecem. Mais do que simples matéria endurecida pelo tempo, aquele quadro transforma-se em um pequeno altar doméstico, onde o passado e o porvir se dão as mãos, provando que os laços verdadeiros não se desfazem com a pressa dos ponteiros, mas se fortalecem na doçura da partilha.
Se um dia as crianças chegam ao mundo como mensageiras vindas das estrelas, ao partirmos um dia seguindo o rumo inexorável da Eternidade, talvez seja justamente a nossa vez de retornar e nos transformarmos também em estrelas. Restarão, então, as lembranças cultivadas com esmero — como as mãos unidas no quadro e a saudade mansa que brilha no alto. Lá do alto do céu, guiados pela mesma luz que outrora inspirou o principezinho, velaremos por aqueles que ficaram, transformando a ausência em claridade e a Eternidade em um eterno recomeço…
(Revisão e imagem: Gemini. Áudio e vídeo em https://youtu.be/wrjxkhx8exM)

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