sábado, 3 de outubro de 2026

O sofá da minha casa

Crônica Poética:

O sofá ainda é o mesmo. Largo, revestido de um tecido aconchegante, carregando a impressão de ter se moldado aos corpos que por ali passaram ao longo do tempo. Testemunha de longas conversas, de tardes em frente à televisão ou do esforço inútil de provar para as crianças que ele não era uma cama elástica.

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"O espaço onde os olhos iam pesando, vagarosamente, até que restasse apenas o ronronar de um sono sereno e profundo..."

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Ali repousaram confidências em dias em que os sorrisos tinham o poder de um bálsamo. Suficiente, talvez, não para apagar todas as dores, mas para lembrar que nenhuma ferida é tão funda que não mereça a bênção da cura.

Nas noites de festa do pijama ou nas maratonas intermináveis de doramas, ele formava o território do refúgio. O espaço onde os olhos iam pesando, vagarosamente, até que restasse apenas o ronronar de um sono sereno e profundo.


Nunca quis me desfazer do velho sofá-cama que peregrinou por diversos recantos. Hoje, instalado no escritório — meu refúgio de trabalho e silêncio —, descansa sossegado. Funciona como um álbum de fotografias vivo, a recordar que o passado guarda momentos inesquecíveis. Nele, as lembranças não atormentam; ao contrário, embalam a alma como um doce e terno acalento…

(Revisão e imagem: Gemini. Áudio e vídeo em https://youtu.be/e0RiBwbTfgo)

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