O Fio da Meada:
O período eleitoral costuma despertar no eleitor um comportamento curioso e, muitas vezes, prejudicial: a lógica das arquibancadas, típica do futebol. Vestem-se as cores de um candidato, decoram-se os gritos de guerra e passa-se a tratar a política, em todos os níveis, como um campeonato cujo objetivo principal é aniquilar o adversário.
O problema dessa abordagem é que, diferentemente do esporte, em que a vitória do seu time garante a taça e a alegria do domingo, na administração pública o troféu é a responsabilidade de gerir os impostos e a infraestrutura de todos — inclusive dos derrotados. Tratar a política como esporte reduz o debate a um maniqueísmo estéril.
Quando o cidadão se porta como um torcedor fanático, ele abre mão do seu maior poder: o senso crítico. O político de estimação torna-se imune a cobranças, enquanto qualquer proposta do lado oposto é descartada sumariamente. Essa polarização cega é o cenário dos sonhos para gestores ineficientes e incompetentes, que passam a ser avaliados pela lealdade ideológica e não pela capacidade de tapar buracos, equipar escolas ou garantir remédios nos postos de saúde.
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"Quando o cidadão se porta como um torcedor fanático, ele abre mão do seu maior poder: o senso crítico."
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É urgente aposentar a camisa da torcida organizada (de todas as cores e matizes) antes de digitar na urna. O candidato não é um ídolo a ser venerado, tampouco um inimigo a ser abatido em uma praça pública virtual. Ele é um proponente a uma vaga de emprego cujas referências e histórico precisam ser checados com uma lupa. A vitória democrática não acontece quando o "nosso lado" ganha, mas quando a sociedade amadurece, exigindo excelência de quem quer que tenha se candidatado a um cargo público e sido escolhido pelo voto direto da maioria dos cidadãos.
(Revisão e imagem: Gemini. Àudio e vídeo em https://youtu.be/KqUsoAyz0C8)
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