sábado, 30 de julho de 2011

Um sentido para a vida


Duas matérias foram destaque na semana que passou: a diminuição do número de suicídios no Estado e uma pesquisa entre adolescentes e jovens a respeito da dificuldade de estabelecer relações afetivas mais permanentes. Em ambos os casos, um elemento em comum: encontrar um sentido que se quer dar para a própria vida.
Embora os números continuem altos e assustadores, começa-se a entender o porquê de pessoas atentarem contra a própria vida. Em especial, entre os jovens. Dizem que, além de um ato de desespero, procurar a morte é um ato de coragem que nem todos conseguem realizar. É o sentimento da nulidade: nada há que eu possa fazer, nada vejo como perspectiva de vida, não há ninguém para quem eu signifique alguma coisa, não há sentido em viver.
Por outro lado, jovens que precisam, ao menos, de um arrimo. Contava um pai que sentiu a falta do filho no final do dia, havendo passado duas horas do horário em que chegava em casa. Ligou para o celular: “tudo bem, filho?”. “Tudo bem, pai”. Foi saber, muito tempo depois, que um simples telefonema restituiu a confiança ao filho e impediu um suicídio. O filho confessou que tinha dificuldade de encontrar alguém em quem confiar. Mas que a preocupação do pai ao menos tinha lhe mostrado que não estava só.
Já o que ocorre nas relações afetivas é que elas exigem compromissos. Compromissos que o Mundo de hoje nos mostra como “desnecessários e inibidores da nossa liberdade”: corpos existem para serem usados e descartados. Infelizmente, a linha de raciocínio é muito próxima à do suicídio: conviver exige desprendimento, ousadia para superar a si mesmo, capacidade de se colocar disponível.
Em ambos os casos, amadurecer é construir caminhos. Cada um constrói os seus, mas ninguém é capaz de estabelecer sozinho: a presença de um familiar, de um amigo, de um parceiro ou parceira mostra que o sentido da vida está exatamente em conviver. Numa sociedade umbigocêntrica, este é o diferencial entre quem deseja passar apenas pela vida ou sorver cada minuto como se fosse único.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

domingo, 3 de julho de 2011

Reinventar

Olá, amigos, creio que chega uma hora em que todos nós precisamos parar. É o meu caso, neste mês de julho. Pretendo recarregar minhas baterias, já que em janeiro foi apenas para intensificar o meu aprendizado de enfermagem e relações humanas, no cuidado com meu pai, que faleceu em março.
Mas o semestre acabou se tornando muito pesado e não me sinto em condições de produzir intelectualmente. Creio que é o momento do meu silêncio e tentar me reinventar. Tenham paciência. Voltou em agosto. Grande abraço.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Pela paz

Atualíssimo!!!

O último discurso de "O Grande Ditador"
Charles Chaplin
Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar – se possível – judeus, o gentio... negros... brancos.
Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo – não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.
O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.
A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem... um apelo à fraternidade universal... à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhares de pessoas pelo mundo afora... milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas... vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: "Não desespereis!
A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia... da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá.
Soldados! Não vos entregueis a esses brutais... que vos desprezam... que vos escravizam... que arregimentam as vossas vidas... que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado humano e que vos utilizam como bucha de canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar... os que não se fazem amar e os inumanos!
Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro do homem – não de um só homem ou grupo de homens, mas dos homens todos! Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder – o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela... de faze-la uma aventura maravilhosa. Portanto – em nome da democracia – usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo... um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.
É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos!
Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontrares, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo – um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergue os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos!"

domingo, 26 de junho de 2011

Pai, começa o começo

A Elaine Neutlizng me enviou. Mas parece que vem de longe.

Quando eu era criança e pegava uma tangerina para descascar, corria para meu pai 
e pedia: - "pai, começa o começo!". O que eu queria era que ele fizesse o 
primeiro rasgo na casca, o mais difícil e resistente para as minhas pequenas 
mãos. Depois, sorridente, ele sempre acabava descascando toda a fruta para mim. 
Mas, outras vezes, eu mesmo tirava o restante da casca a partir daquele primeiro 
rasgo providencial que ele havia feito.
Meu pai faleceu há muito tempo (e há anos, muitos, aliás) não sou mais criança. 
Mesmo assim, sinto grande desejo de tê-lo ainda ao meu lado para, pelo menos, 
"começar o começo" de tantas cascas duras que encontro pelo caminho. Hoje, 
minhas "tangerinas" são outras. Preciso "descascar" as dificuldades do trabalho, 
os obstáculos dos relacionamentos com amigos, os problemas no núcleo familiar, o 
esforço diário que é a construção do casamento, os retoques e pinceladas de 
sabedoria na imensa arte de viabilizar filhos realizados e felizes, ou então, o 
enfrentamento sempre tão difícil de doenças, perdas, traumas, separações, 
mortes, dificuldades financeiras e, até mesmo, as dúvidas e conflitos que nos 
afligem diante de decisões e desafios.
Em certas ocasiões, minhas tangerinas transformam-se em enormes abacaxis......
Lembro-me, então, que a segurança de ser atendido pelo papai quando lhe pedia 
para "começar o começo" era o que me dava a certeza que conseguiria chegar até 
ao último pedacinho da casca e saborear a fruta. O carinho e a atenção que eu 
recebia do meu pai me levaram a pedir ajuda a Deus, meu Pai do Céu, que nunca 
morre e sempre está ao meu lado. Meu pai terreno me ensinou que Deus, o Pai do 
Céu, é eterno e que Seu amor é a garantia das nossas vitórias.
Quando a vida parecer muito grossa e difícil, como a casca de uma tangerina para 
as mãos frágeis de uma criança, lembre-se de pedir a Deus:
"Pai, começa o começo!"
Não sei que tipo de dificuldade eu e você estamos enfrentando ou encontraremos 
pela frente neste ano. Sei apenas que vou me garantir no Amor Eterno de Deus 
para pedir, sempre que for preciso: "Pai, começa o começo!". 

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Precisamos de uma Copa do Mundo?


Diversas figuras do cenário nacional têm solicitado que se discuta uma questão muito séria: o Brasil tem ou não tem condições de sediar uma Copa do Mundo de Futebol? Se olharmos pela lógica de mercado, sim. Muitos serão os negócios, muitos serão os investimentos, além da circulação de dinheiro, a possível criação de novos empregos. Pela lógica social é que chegam as questões: qual é o custo para um país que ainda enfrenta tantas mazelas e os apregoados benefícios, existirão de fato?
A primeira pecha que se dá a quem levanta estes questionamentos é de atrasado, inimigo do desenvolvimento, arauto da desgraça. O noticiário recente tem mostrado que eles estão com a razão. A recente copa da África não deixou os benefícios anunciados e uma série de “elefantes brancos” foram erguidos e, hoje, estão abandonados.
Por aqui, o apregoado é que o governo investirá muito pouco. Verdade, diretamente. Inverdade, indiretamente. A movimentação da área bancária ligada ao governo já detecta que o previsto para ser investido poderá ser multiplicado por dois ou três. Mais ainda, que as mesmas empresas que sempre lucram com estes eventos é que serão beneficiadas e que o seu retorno social é, no mínimo, duvidoso.
Ainda temos uma população na faixa da miserabilidade. Enquanto a copa do mundo pode ser realizada no nosso país em dez, vinte ou trinta anos, os investimentos que não se farão em educação para as crianças e os jovens de hoje – salários de professores, infra-estrutura, alimentação, saúde - não terão uma nova chance. As marcas que receberão de uma educação capenga é o legado que levarão para o resto de suas vidas.
Gosto muito de futebol. Mas lembro sempre do seu Chico Silva (para os saudosistas, foi o gerente das extintas Loja Principal), quando dizia que este esporte passou a ser apenas uma questão de negócios e que o beijo no distintivo da camiseta é volúvel e facilmente trocado. Por favor, não transformem a realização da copa numa cruzada nacional capaz de salvar a pátria. Não vai. Será apenas uma chance de bons negócios, para poucos, e um investimento errado como, infelizmente, estamos acostumados a ver no Brasil.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Teus olhos


Teus olhos eram o caminho mais seguro
Para o teu coração.

Quando transbordavam vida,
Motivavam outros a viver;
Quando fitavam com intensidade,
Eram capazes de buscar os segredos mais bem guardados;
Quando se mantinham abaixados,
Eram o mais triste dos instantes,
Pois privavam daquele festival
De carinho e amor.

Quando te tinha em meus braços,
Era por eles que passavas tua energia,
Que se espargia por meu corpo,
Capaz de dizer tudo, sem a necessidade de palavra alguma.

Onde ficaram teus olhos?
Ouve um momento em que eles se perderam
No horizonte.
Foram tragados pela noite,
Que os condenou a estarem longe,
Como quem é segregado a esperar novamente a luz do sol.