Alguns podem me acusar de saudosismo, mas não é assim. Infelizmente, no que se refere à educação, “involuímos”, voltamos tristemente para trás. Havia uma fórmula simples, mas eficaz: as famílias davam os primeiros ensinamentos, especialmente no que se referia aos valores e às referências, auxiliadas pelas igrejas, e quando a criança chegava ao ensino formal já tinha um lastro, em condições de alcançar o seu desenvolvimento.
Onde deu errado? Já foi dito: a família foi colocada em xeque, mesmo que não se tenha encontrado nenhuma estrutura alternativa em condições de suprir as carências dos primeiros anos. A mãe, como referência em educação, precisou sair para o trabalho, complementando a renda familiar; enquanto a autoridade do pai passou a ser questionada, nas coisas mais simples, como uma palmada, que pode ser pedagógica, na maior parte das vezes doendo mais em quem dá do que em quem recebe.
As igrejas perderam a sua força e bispos, padres, pastores, hoje, são apenas vistos como “figuras interessantes”, mas não ditam normas e orientações para a maior parte da população. E a educação formal, especialmente a pública, enfrenta grandes e sérios problemas, sem solução a curto ou médio prazo. Isto é um raio-x superficial de uma questão onde as perguntas são muitas e as respostas poucas. Não podemos voltar ao passado para refazer o caminho onde erramos, mas também não podemos descartar as experiências que deram certo.
Tenho visto escolas anunciarem um ensino de qualidade e “puxado”, onde as normas são claras e cobradas dos alunos, professores e pais. E, depois de todas as experiências “democráticas”, os responsáveis entendem que há regras que precisam ser seguidas e produtividade que precisa ser cobrada para que se desenvolvam padrões de aprendizado.
Não estou advogando “linha dura” nos colégios, mas que entre a oferta de ensino, convívio, prática esportiva, muitas vezes a própria alimentação, fique claro para alunos e seus pais que não há vitórias no ensino sem que haja esforço e colaboração. Não há professores “bonzinhos”, ou “maus”. Há preocupação com aqueles que julgam que “dando uma mãozinha”, agora, vão se dar bem mais adiante. Não vão. Esta etapa só pode ser vencida por quem entende que a cumplicidade entre educando e educador está, sim, numa cobrança recíproca que deixe marcas para sempre. As marcas que indicam os caminhos da própria vida.
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
domingo, 15 de fevereiro de 2009
Um linchamento político
A campanha veiculada pelo Centro dos Professores do Estado, mais uma dezena de sindicados ligados ao setor público, deflagrou o processo eleitoral de 2010. Preparado com painéis que destacavam “a face da corrupção”, “a face da violência”, entre outros, mostrava uma foto sem definição. No dia 12 de fevereiro, em ato público, as entidades mostraram que a face era a da governadora Yeda Crusius.
A governadora vem enfrentando problemas que os últimos governadores enfrentaram, agravados pela crise financeira nacional e internacional. Não foi diferente com Germano Rigoto (PMDB) e Olívio Dutra (PT), somente para falar nos mais recentes. O movimento visa afastar a governadora do Piratini. Ora, está aí uma coisa que estas entidades ainda não entenderam: a governadora foi eleita pelo voto popular, apesar de descontentar parcelas da população, e deve ser julgada pelo voto popular para uma possível “cassação”. A outra forma de cassação se dá nas instâncias dos poderes legislativos e judiciário, sendo que, para isto, é necessário que comprovadamente existam crimes praticados pela própria ou com o seu apoio.
Não sendo o caso, o que está se deflagrando é um processo de linchamento político, baseado em opções ideológicas. Todos nós sabemos que o gênio da governadora é forte e que decisões são tomadas sem muito jogo político. Para contrapor, os ideólogos da esquerda foram buscar alguém com perfil semelhante, no caso a presidente do Centro dos Professores, Rejane Silva de Oliveira.
A deflagração da campanha, com tanto tempo de antecedência, preocupa. Não creio que seja bom ter pela frente ao menos três semestres letivos, com as categorias profissionais sendo incitadas a mobilizações que, como vimos na greve recente, acabou não dando em nada, mas prejudicando, de fato, aos alunos e, indiretamente, aos pais.
É perceptível a intransigência de ambos os lados. O que se gostaria era ver governo e o Centro direcionando sua atenção para os sérios problemas que temos na educação. Claro que ninguém nega o direito de cada um fazer as suas opções políticas e ideológicas. Mas ficando claro que, diante do quadro atual, preocupante, suas energias serão direcionadas para pensar a figura central da sua existência profissional: o aluno e o processo de educação. O evento da semana passada não foi neste nível e deixou a impressão de que está se apostando no “quanto pior, melhor”. Tomara que eu esteja enganado.
A governadora vem enfrentando problemas que os últimos governadores enfrentaram, agravados pela crise financeira nacional e internacional. Não foi diferente com Germano Rigoto (PMDB) e Olívio Dutra (PT), somente para falar nos mais recentes. O movimento visa afastar a governadora do Piratini. Ora, está aí uma coisa que estas entidades ainda não entenderam: a governadora foi eleita pelo voto popular, apesar de descontentar parcelas da população, e deve ser julgada pelo voto popular para uma possível “cassação”. A outra forma de cassação se dá nas instâncias dos poderes legislativos e judiciário, sendo que, para isto, é necessário que comprovadamente existam crimes praticados pela própria ou com o seu apoio.
Não sendo o caso, o que está se deflagrando é um processo de linchamento político, baseado em opções ideológicas. Todos nós sabemos que o gênio da governadora é forte e que decisões são tomadas sem muito jogo político. Para contrapor, os ideólogos da esquerda foram buscar alguém com perfil semelhante, no caso a presidente do Centro dos Professores, Rejane Silva de Oliveira.
A deflagração da campanha, com tanto tempo de antecedência, preocupa. Não creio que seja bom ter pela frente ao menos três semestres letivos, com as categorias profissionais sendo incitadas a mobilizações que, como vimos na greve recente, acabou não dando em nada, mas prejudicando, de fato, aos alunos e, indiretamente, aos pais.
É perceptível a intransigência de ambos os lados. O que se gostaria era ver governo e o Centro direcionando sua atenção para os sérios problemas que temos na educação. Claro que ninguém nega o direito de cada um fazer as suas opções políticas e ideológicas. Mas ficando claro que, diante do quadro atual, preocupante, suas energias serão direcionadas para pensar a figura central da sua existência profissional: o aluno e o processo de educação. O evento da semana passada não foi neste nível e deixou a impressão de que está se apostando no “quanto pior, melhor”. Tomara que eu esteja enganado.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
“Estamos grávidos”
A Igreja Católica, no Brasil, lança no dia 25 de fevereiro – Quarta-feira de Cinzas – a Campanha da Fraternidade. Diferente de outros anos em que concentrava seus esforços até a festa da Páscoa, nesta edição, quer ter seu “início na quaresma e ressonância no ano todo”, abordando o tema “Fraternidade e segurança pública”, com o lema “A paz é fruto de justiça”. Pontua com clareza seus objetivos: “renovar a consciência da responsabilidade de todos na evangelização, na promoção humana, em vista de uma sociedade justa (justiça e inclusão social) e solidária”.
Impossível não concordar: este é um tema que merece atenção e reflexão. Mas não basta: se ficar apenas em estudos e visões genéricas serve como pauta de seminários, congressos, reuniões e posicionamentos apenas para dizer que “fizemos alguma coisa”, apaziguamos nossa consciência, mas a realidade continua intocada.
Temos uma capacidade impressionante para acreditar que nossa ação intelectual é capaz de impregnar mudanças. Pois não é. Pego um dos pontos geradores de problemas e que será gerador de conflito, porque as posições são antagônicas e intransigentes: o planejamento familiar. Nem é preciso falar a respeito dos benefícios auferidos pelos países que optaram por esta tática social. Basta acompanhar entrevistas onde jovens de 14 e 15 anos declaram com indiferença que estão grávidas e não é a primeira vez, mas a terceira, quarta e, pasmem, às vezes até a quinta vez!
Se a Igreja não concorda com os meios que desejam interromper a gravidez já posta, ao menos incentive e apóie a prevenção, das mais diferentes formas, pois a conscientização não funcionou e dificilmente funcionará. A maioria destes jovens não tem parâmetros morais para tomar atitudes em conformidade com o que se prega nos púlpitos (quando não ouve todas as orientações, mas faz na prática aquilo que, na maior parte das vezes, aprende instintivamente).
É triste ver a mãe que enfrenta uma gravidez fatalista como quem diz: “se tem que ser assim...” Mas também vejo jovens assumirem relacionamentos, inclusive o casamento, planejando os filhos que desejam. Em determinado momento, felizes, anunciam: “estamos grávidos”. Entre os dois posicionamentos, há um abismo de formação, informação e acompanhamento por parte de pais, educadores e autoridades públicas, como as da saúde. É a diferença entre ser apenas mais um a nascer ou a alegria do pai e da mãe pela gravidez que chegou para os dois.
Impossível não concordar: este é um tema que merece atenção e reflexão. Mas não basta: se ficar apenas em estudos e visões genéricas serve como pauta de seminários, congressos, reuniões e posicionamentos apenas para dizer que “fizemos alguma coisa”, apaziguamos nossa consciência, mas a realidade continua intocada.
Temos uma capacidade impressionante para acreditar que nossa ação intelectual é capaz de impregnar mudanças. Pois não é. Pego um dos pontos geradores de problemas e que será gerador de conflito, porque as posições são antagônicas e intransigentes: o planejamento familiar. Nem é preciso falar a respeito dos benefícios auferidos pelos países que optaram por esta tática social. Basta acompanhar entrevistas onde jovens de 14 e 15 anos declaram com indiferença que estão grávidas e não é a primeira vez, mas a terceira, quarta e, pasmem, às vezes até a quinta vez!
Se a Igreja não concorda com os meios que desejam interromper a gravidez já posta, ao menos incentive e apóie a prevenção, das mais diferentes formas, pois a conscientização não funcionou e dificilmente funcionará. A maioria destes jovens não tem parâmetros morais para tomar atitudes em conformidade com o que se prega nos púlpitos (quando não ouve todas as orientações, mas faz na prática aquilo que, na maior parte das vezes, aprende instintivamente).
É triste ver a mãe que enfrenta uma gravidez fatalista como quem diz: “se tem que ser assim...” Mas também vejo jovens assumirem relacionamentos, inclusive o casamento, planejando os filhos que desejam. Em determinado momento, felizes, anunciam: “estamos grávidos”. Entre os dois posicionamentos, há um abismo de formação, informação e acompanhamento por parte de pais, educadores e autoridades públicas, como as da saúde. É a diferença entre ser apenas mais um a nascer ou a alegria do pai e da mãe pela gravidez que chegou para os dois.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
A repetição de uma desgraça
Pelotas repetiu uma catástrofe anunciada: na quarta-feira (28 de janeiro), durante cerca de dez horas, caiu sobre a área urbana uma chuva prevista, em média, para dois meses. Fazia esquecer a estiagem, mas colocava em risco todas as regiões baixas, que cortam a cidade. Estando, em média, a cerca de sete metros acima do nível do mar, a cidade foi sendo construída em áreas mais altas, como o centro, Fragata, Três Vendas e Areal. Mas o avanço urbano levou a uma ocupação legal, mas desaconselhável do ponto de vista ecológico, dos pontos em que existiam os banhados, regiões naturais para a absorção do excesso de chuvas.
Num primeiro momento, estas “esponjas” foram transformadas em sangas, que cortavam a cidade e auxiliavam no recolhimento das águas. Falaram mais forte, novamente, interesses políticos e econômicos, e a população de baixa renda ocupou estas áreas, que foram aterradas. Some-se isto o fato de que se multiplicaram o asfalto, o cimento, os telhados etc.
Infelizmente, mesmo os canais que sobraram não foram suficientes para dar vazão ao volume de água que caiu naqueles três dias. Na verdade, nenhum sistema coletor conseguiria sanar os problemas causados pelo excesso de água que encobriu canaletas, ruas, casas, arrastando árvores, postes, provocando, enfim, uma destruição que impressionou e chocou a quem viu ao vivo, ou assistiu pela televisão.
Há duas questões a serem levantadas: a primeira é de que estas áreas de risco precisam ser, terminantemente, transformadas em espaços desocupados e se manter assim porque são de interesse público e não se pode infringir àqueles que vão morar naqueles locais a repetição da desgraça. E uma ação pronta e rígida por parte do setor público. Em segundo, mais do que consciência, é necessário penalizar quem joga lixo de todo o tipo nas canaletas – sacos, pneus, móveis, pedaços de árvores – a única forma de serem contidos, pois já se sabe que não basta o alerta.
Fica uma lição: as águas são traiçoeiras. A seca dos últimos dias não pressentia as chuvas que caíram sobre o município. Juntando com as águas que vieram da serra fizeram em breve espaço de tempo a barragem do Santa Bárbara recuperar seu nível e ultrapassá-lo em quase um metro e meio. Neste momento, o melhor é não haver heroísmo: infelizmente, muitos daqueles que perderam a vida acreditavam poder vencer a força e a esperteza das correntes, mesmo que fosse por uma boa causa. Ficaram na intenção e aconteceu a repetição de uma desgraça.
Num primeiro momento, estas “esponjas” foram transformadas em sangas, que cortavam a cidade e auxiliavam no recolhimento das águas. Falaram mais forte, novamente, interesses políticos e econômicos, e a população de baixa renda ocupou estas áreas, que foram aterradas. Some-se isto o fato de que se multiplicaram o asfalto, o cimento, os telhados etc.
Infelizmente, mesmo os canais que sobraram não foram suficientes para dar vazão ao volume de água que caiu naqueles três dias. Na verdade, nenhum sistema coletor conseguiria sanar os problemas causados pelo excesso de água que encobriu canaletas, ruas, casas, arrastando árvores, postes, provocando, enfim, uma destruição que impressionou e chocou a quem viu ao vivo, ou assistiu pela televisão.
Há duas questões a serem levantadas: a primeira é de que estas áreas de risco precisam ser, terminantemente, transformadas em espaços desocupados e se manter assim porque são de interesse público e não se pode infringir àqueles que vão morar naqueles locais a repetição da desgraça. E uma ação pronta e rígida por parte do setor público. Em segundo, mais do que consciência, é necessário penalizar quem joga lixo de todo o tipo nas canaletas – sacos, pneus, móveis, pedaços de árvores – a única forma de serem contidos, pois já se sabe que não basta o alerta.
Fica uma lição: as águas são traiçoeiras. A seca dos últimos dias não pressentia as chuvas que caíram sobre o município. Juntando com as águas que vieram da serra fizeram em breve espaço de tempo a barragem do Santa Bárbara recuperar seu nível e ultrapassá-lo em quase um metro e meio. Neste momento, o melhor é não haver heroísmo: infelizmente, muitos daqueles que perderam a vida acreditavam poder vencer a força e a esperteza das correntes, mesmo que fosse por uma boa causa. Ficaram na intenção e aconteceu a repetição de uma desgraça.
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
Um messias negro
É preciso reconhecer: foi um espetáculo emocionante. A posse de Barack Obama como presidente dos Estados Unidos teve todos os elementos de um grande show: o ritual, a carga de emoção e a adrenalina própria das situações de perigo. Declararam ao Planeta que, embora fragilizados em função de todo o turbilhão que se abateu sobre a economia mundial, cujo epicentro foi os Estados Unidos, ainda lhes resta energia para continuar sendo a locomotiva que norteia o capital internacional.
A grande preocupação é saber o que vai acontecer, especialmente nestes primeiros tempos da crise. E nunca uma palavra foi tão certa – cenário – pois são tantos os atores, diretores, financiadores, que se movem para definir roteiros, dar força nas falas, ou vender o show, que parecer ser exatamente isto: um cenário onde se desenrola algo que não tem nada de espontâneo, mas medido ou colocado para saber qual será o resultado. Em suma, o que acontece conosco não se dá porque definimos nossos destinos, mas porque somos joguetes na manipulação dos cordames que dizem se teremos problemas ou não com a economia.
Neste quadro, entre o ridículo e o patético, um país conservador e racista ao longo de sua História promove uma mudança que deixa perplexos os analistas: pela primeira vez, uma mulher e um negro são candidatos do partido que todas as pesquisas indicavam iria vencer – os Democratas.
Venceu um negro, passando a ser o catalisador dos “espíritos bons”, buscando salvar a sociedade ocidental cristã e seus costumes. Pois é exatamente isto o que preocupa: não existe messianismo em economia. O que deu errado vinha sendo organizado para dar errado há muito tempo, por “especialistas” altamente graduados, em seus ternos e gravatas, mas também com seus exuberantes salários. Apostem: embora muitas economias tenham sido abaladas e empresas afundado, o mesmo não aconteceu com a pessoa física destes senhores que continuam posando de salvadores da pátria.
Barack Obama está bem intencionado, mas não é o suficiente. Ele não é um messias negro capaz de superar os obstáculos e recolocar a própria economia e a internacional nos trilhos. Hoje, o grande interesse dele e sua equipe é colocar ordem na própria casa. Se sobrar, olharão para o Mundo. Receio é que as forças silenciosas que atuam na economia, na política e, em especial, na indústria da guerra, sem respeitar fronteiras, o estejam preparando para uma crucificação a partir do momento em que os milagres não acontecerem.
A grande preocupação é saber o que vai acontecer, especialmente nestes primeiros tempos da crise. E nunca uma palavra foi tão certa – cenário – pois são tantos os atores, diretores, financiadores, que se movem para definir roteiros, dar força nas falas, ou vender o show, que parecer ser exatamente isto: um cenário onde se desenrola algo que não tem nada de espontâneo, mas medido ou colocado para saber qual será o resultado. Em suma, o que acontece conosco não se dá porque definimos nossos destinos, mas porque somos joguetes na manipulação dos cordames que dizem se teremos problemas ou não com a economia.
Neste quadro, entre o ridículo e o patético, um país conservador e racista ao longo de sua História promove uma mudança que deixa perplexos os analistas: pela primeira vez, uma mulher e um negro são candidatos do partido que todas as pesquisas indicavam iria vencer – os Democratas.
Venceu um negro, passando a ser o catalisador dos “espíritos bons”, buscando salvar a sociedade ocidental cristã e seus costumes. Pois é exatamente isto o que preocupa: não existe messianismo em economia. O que deu errado vinha sendo organizado para dar errado há muito tempo, por “especialistas” altamente graduados, em seus ternos e gravatas, mas também com seus exuberantes salários. Apostem: embora muitas economias tenham sido abaladas e empresas afundado, o mesmo não aconteceu com a pessoa física destes senhores que continuam posando de salvadores da pátria.
Barack Obama está bem intencionado, mas não é o suficiente. Ele não é um messias negro capaz de superar os obstáculos e recolocar a própria economia e a internacional nos trilhos. Hoje, o grande interesse dele e sua equipe é colocar ordem na própria casa. Se sobrar, olharão para o Mundo. Receio é que as forças silenciosas que atuam na economia, na política e, em especial, na indústria da guerra, sem respeitar fronteiras, o estejam preparando para uma crucificação a partir do momento em que os milagres não acontecerem.
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
Faltam três
Pelotas viveu a maior catástrofe de sua história quando o ônibus com os profissionais Xavantes não venceu a curva que levaria à BR 392 e tombou de uma altura de mais de 30 metros, fazendo três vítimas fatais – Millar, Régis e Giovane – e dezenas de vítimas físicas. A cidade amanheceu uma sexta-feira de sombras. Torcedores de qualquer dos times andavam sem conseguir entender e, muito menos, aceitar, que a desgraça tivesse aberto seus braços sobre uma torcida que sabia, literalmente, o que era “bombar” um time.
O meu espírito áureo-cerúleo sofre por conviver num local em que há uma autêntica “nação xavante”, coisa diferenciada em todo o Brasil, onde um time de futebol não conta com 11 jogadores, mas com 12, pois o “bafo” faz a diferença.
No acidente que vitimou os profissionais ficou claro que não há como, num primeiro momento, analisar apenas as questões futebolísticas, mas também o caráter de cada um. Cláudio Millar, um uruguaio, que transformou a camiseta do clube em sua segunda pele. Não só queria terminar a carreira como jogador, mas também ser presidente do Brasil, num futuro! Régis veio das categorias de base, percorreu todos os níveis e, além de um espírito alegre, era considerado um líder. Giovane, um professor de educação física, trabalhando com crianças carentes em escolinha, que somente estava no futebol porque era um torcedor xavante!
No entanto, quando, se discute o futuro do Esporte Clube Brasil, temos que registrar: embora considerada uma torcida violenta, quando provocada, o que se viu foi uma despedida emocionante e, no templo do futebol, um silêncio profundo e respeitoso por personalidades que já fazem parte da história de Pelotas. Marcaram seu espaço e merecem o reconhecimento da sociedade, que se divide entre três agremiações esportivas, mas, num momento como este, reconhece a tragédia que se abateu sobre o espetáculo: perdemos adversários de talento que, em qualquer apresentação, fazem a diferença para um bando de pernas de pau.
Millar, Régis e Giovane. Faltam três. Diferentes em seu estilo, mas com uma única paixão: o futebol, não deixando de lado um mar de torcedores, levando a qualquer lugar - em Pelotas, no Estado ou no Brasil – a certeza de que, ao dobrar uma página da História, haverá um guerreiro – como o Milllar – a estender o arco e apontar uma flecha para o futuro.
O meu espírito áureo-cerúleo sofre por conviver num local em que há uma autêntica “nação xavante”, coisa diferenciada em todo o Brasil, onde um time de futebol não conta com 11 jogadores, mas com 12, pois o “bafo” faz a diferença.
No acidente que vitimou os profissionais ficou claro que não há como, num primeiro momento, analisar apenas as questões futebolísticas, mas também o caráter de cada um. Cláudio Millar, um uruguaio, que transformou a camiseta do clube em sua segunda pele. Não só queria terminar a carreira como jogador, mas também ser presidente do Brasil, num futuro! Régis veio das categorias de base, percorreu todos os níveis e, além de um espírito alegre, era considerado um líder. Giovane, um professor de educação física, trabalhando com crianças carentes em escolinha, que somente estava no futebol porque era um torcedor xavante!
No entanto, quando, se discute o futuro do Esporte Clube Brasil, temos que registrar: embora considerada uma torcida violenta, quando provocada, o que se viu foi uma despedida emocionante e, no templo do futebol, um silêncio profundo e respeitoso por personalidades que já fazem parte da história de Pelotas. Marcaram seu espaço e merecem o reconhecimento da sociedade, que se divide entre três agremiações esportivas, mas, num momento como este, reconhece a tragédia que se abateu sobre o espetáculo: perdemos adversários de talento que, em qualquer apresentação, fazem a diferença para um bando de pernas de pau.
Millar, Régis e Giovane. Faltam três. Diferentes em seu estilo, mas com uma única paixão: o futebol, não deixando de lado um mar de torcedores, levando a qualquer lugar - em Pelotas, no Estado ou no Brasil – a certeza de que, ao dobrar uma página da História, haverá um guerreiro – como o Milllar – a estender o arco e apontar uma flecha para o futuro.
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Minha reforma ortográfica
A virada do ano trouxe, também, a reforma ortográfica. Especialistas afirmam que, dos países de língua portuguesa, seremos os menos penalizados; outros, se tratar de uma fraude e há inclusive os que se negam a escrever conforme as novas regras. Não vejo motivos para tanto alarme: a língua é algo vivo e tem que se adaptar aos novos tempos, preservando valores e tentando chegar o mais próximo possível da maior parte da população.
Das mudanças nas regras, algumas eram inevitáveis, como a exclusão do trema. Alguns jornais - caso da Folha de São Paulo - já não o usavam. Mas nunca briguei com o trema. O mesmo não acontece com o hífen, que sempre me olha de um pedestal superior e, toda a vez que penso estar colocando-o no lugar certo, consultando as normas, dou-me conta de que errei. Seu desdém, então, é impressionante, mas é uma espécie de jogo entre gato e rato: um dia eu ainda acerto, nem que seja pelas novas normas.
Como disse, a língua é algo vivo e não é necessário que alguém se escabele se não conseguir assimilar de uma só vez cada regra e suas exceções. Temos dois anos pela frente e a prática ajuda a incorporar as mudanças.
Já passei por uma reforma ortográfica e, confesso, tive o prazer de encontrar dois referenciais para poder assimilar e criar algum estilo, mesmo que pobre, para escrever. O primeiro foi o padre Olavo Gasperin (hoje, pároco em Arroio Grande), que gastou o seu suor para que eu aprendesse o português, no Seminário São Francisco de Paula, e de quebra ainda me incutiu o gosto pelas letras e pela música. O outro foi o seu Clair Rochefort (hoje diretor de opinião do Diário Popular), que me auxiliou a criar um estilo em jornalismo, especialmente mostrando a necessidade de que a notícia tenha clareza e precisão, sem descuidar dos pequenos detalhes que podem garantir o interesse do leitor.
Se algo não deu certo, por favor, não culpem os dois. Tenho toda a responsabilidade, pois, hoje, ajudo alunos a complementarem seus conhecimentos de português e a criar um estilo em jornalismo. É neste caso que sinto o quanto é dinâmica a língua e a linguagem, onde não basta apenas aprender grafia, normas, técnicas, mas, tornar-se um profissional responsável pela comunicação - a intermediação entre o fato e aquele que deseja tomar conhecimento. Uma informação apenas “técnica” é para ser esquecida, mas, convenhamos, um texto com “sabor e aroma” envolve e seduz. Como todas as coisas boas da vida.
Das mudanças nas regras, algumas eram inevitáveis, como a exclusão do trema. Alguns jornais - caso da Folha de São Paulo - já não o usavam. Mas nunca briguei com o trema. O mesmo não acontece com o hífen, que sempre me olha de um pedestal superior e, toda a vez que penso estar colocando-o no lugar certo, consultando as normas, dou-me conta de que errei. Seu desdém, então, é impressionante, mas é uma espécie de jogo entre gato e rato: um dia eu ainda acerto, nem que seja pelas novas normas.
Como disse, a língua é algo vivo e não é necessário que alguém se escabele se não conseguir assimilar de uma só vez cada regra e suas exceções. Temos dois anos pela frente e a prática ajuda a incorporar as mudanças.
Já passei por uma reforma ortográfica e, confesso, tive o prazer de encontrar dois referenciais para poder assimilar e criar algum estilo, mesmo que pobre, para escrever. O primeiro foi o padre Olavo Gasperin (hoje, pároco em Arroio Grande), que gastou o seu suor para que eu aprendesse o português, no Seminário São Francisco de Paula, e de quebra ainda me incutiu o gosto pelas letras e pela música. O outro foi o seu Clair Rochefort (hoje diretor de opinião do Diário Popular), que me auxiliou a criar um estilo em jornalismo, especialmente mostrando a necessidade de que a notícia tenha clareza e precisão, sem descuidar dos pequenos detalhes que podem garantir o interesse do leitor.
Se algo não deu certo, por favor, não culpem os dois. Tenho toda a responsabilidade, pois, hoje, ajudo alunos a complementarem seus conhecimentos de português e a criar um estilo em jornalismo. É neste caso que sinto o quanto é dinâmica a língua e a linguagem, onde não basta apenas aprender grafia, normas, técnicas, mas, tornar-se um profissional responsável pela comunicação - a intermediação entre o fato e aquele que deseja tomar conhecimento. Uma informação apenas “técnica” é para ser esquecida, mas, convenhamos, um texto com “sabor e aroma” envolve e seduz. Como todas as coisas boas da vida.
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