Crônicas Poéticas:
Já sonhei acordado com muitas paisagens etéreas, daquelas que parecem saltar da tela de um filme. Imaginei estar nos braços da beldade que enchia os olhos na perfeição do rosto e nas curvas do corpo. E, não poucas vezes, precisei sacudir a cabeça para regressar à realidade, compreendendo que aquilo que se apresentava como ideal não passava de mera divagação.
O tempo fez-me perceber que o "aqui possível" não mora na imaginação, mas na capacidade de enviesar o olhar, de encontrar um novo ângulo que torne a existência capaz de iluminar a própria realidade. A vida é feita de sonhos possíveis. O passar dos anos não nos livra das tentações da juventude; apenas nos torna mais precavidos.
Olho para quem julga suas desventuras problemas sem solução e, com a calma de quem já percorreu mais algumas léguas, consigo ver que, logo adiante, já existe a perspectiva de um novo caminho. É uma questão de espera… e de paciência. Três comportamentos que não se consegue argumentos para explicar, apenas um sorriso enviasado que diga: “dá um tempo!”
Quando era criança, as maiores ameaças eram o "já para o quarto" ou o "come tudo". Os anos passaram e, hoje, bate um desejo de que estas ordens se repitam: para aproveitar a privacidade e o silêncio de um canto que seja somente meu, ou para demorar mais tempo a mastigar sabores e texturas, deixando na boca a lembrança de sentimentos partilhados. A certeza de que no aqui e agora é o meu tempo possível…
(Revisão e imagem: Gemini)

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