Crônica Poética:
Difícil definir o que seja “mãe” - assim como a palavra “amor”. É um contorcionismo verbal, uma tentativa sempre acompanhada da impressão de que faltou alguma coisa. Da mesma forma que o “amor”, a "mãe" se experimenta na realidade do dia a dia, em um tempo de vivências tão intensas das quais não se tem noção, até que os anos passem e as memórias sejam depositadas no altar onde incensamos a bênção que foi ter tido o convívio com elas.
Minha mãe era a dona França — como era conhecida na nossa rua, embora se chamasse Francelina. Durante muito tempo, achava engraçado que a chamassem assim, porque, para mim, ela era simplesmente “mãe”. Migrou do interior de Canguçu com meu pai e três filhos por criar, educar, vestir e alimentar. Eram tempos difíceis, e deve ter sido ainda mais para quem sempre viveu tão próxim à família.
Na periferia da cidade (Pelotas/RS), buscaram fugir, como dizia meu pai, “da miséria para viver na pobreza”. Parecia natural que ela cumprisse diversas jornadas de trabalho: cuidadora dos filhos, responsável pela casa e pela alimentação, reserva no atendimento do bar e armazém do seu Manoel. Nunca a vi chorosa, nunca a vi reclamar. Era, literalmente, o porto seguro onde ancorávamos nas nossas muitas voltas ao lar.
Mesmo com apenas a terceira série primária, dizia que era preciso que os filhos “tomassem rumo na vida”. Hoje, sei que num abraço cabem as palavras que eu deveria ter dito e não o fiz. E, se elas já moram na Eternidade, a homenagem se faz na certeza de que o caminho foi iluminado por um ser de luz: o coração de quem amou primeiro e mostrou, com a vida, que o simples ato de amar sempre vale a pena!
Na tua presença, ou na tua saudade,
Mãe, obrigado por me ensinar a amar!
(Revisão e imagem: Gemini)

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