terça-feira, 29 de abril de 2025

Nos ecos da Semana Santa…

Por muito tempo, o período da Semana Santa, que inicia no domingo de Ramos e vai até a celebração da ressurreição de Jesus, pelos cristãos, era a culminância da Quaresma. Adequado para a introspecção, o diálogo consigo mesmo, ou seja, a reflexão e a meditação. Nos trabalhos que faço com Comunicação Motivacional, defendo ser a chave para integrar autoconhecimento e a compreensão das emoções, num tempo em que a pressa do “fazer” tirou a capacidade do pensar e planejar a própria vida.

Quando se fala em “reflexão”, está se referindo ao momento de parar, observar pensamentos e sentimentos, e questionar experiências, revisando a própria vida. Podemos nos perguntar: "Por que reagi dessa forma?", "O que essa emoção está tentando me dizer?", "Quais padrões de pensamento estão influenciando minhas ações?". A reflexão ajuda a aprender com o passado, a entender o presente e a planejar o futuro com mais clareza.

Já a meditação é a prática que aquieta a mente e cultiva a presença no agora. Através da meditação, pode-se observar pensamentos e emoções sem nos identificarmos com eles, como se fossem nuvens passageiras no céu das nossas consciências. Essa prática fortalece a capacidade de concentração, reduz o estresse e conecta com uma parte mais profunda de nós mesmos.

Quando se descobre a beleza da prática da reflexão e da meditação, também se consegue fazer a retroalimentação. Pois quanto mais nos conhecemos, mais fácil fica identificar e compreender as emoções. E, quanto mais se cultiva o diálogo interno, mais profundo se torna o autoconhecimento e a capacidade de lidar com o nosso mundo emocional.

Tempos religiosos são propícios para se pautar a vida para além das necessidades imediatas. Infelizmente, a laicização penetrou no campo espiritual e transformou em “técnicas” o que é a capacidade de respirar, transcender o momento presente, angústias e necessidades imediatas. Não apenas o cristão que vivencia os tempos de fé, mas a oportunidade de se conectar com o transcendente no que sonha o espírito e no qual o próprio corpo anseia por serenar…


domingo, 27 de abril de 2025

Simplesmente assim: Desnudar-se

Percorro a ladainha dos meus sonhos

Como quem se joga na profundeza de uma prece.

O murmúrio das minhas intenções

Ganha eco nas palavras intencionadas.

Sem a profundidade do que brota do coração,

O que emerge dos sentidos

Apenas colore o horizonte dos desejos,

Com a ânsia de desvelar os olhos para o Infinito.

 

Denudar-se diante do Eterno é a oração 

Que alcança o espírito, quando se 

Chega mais perto do que transcende a realidade.

A sintonia que beira a perfeição.

A carência dos sentimentos antecipa

A possibilidade de serenar a alma,

Entregando-se ao que nos seduziu 

Pelo etéreo sentido da própria fé!


sábado, 26 de abril de 2025

Inverno Russo, de Daphne Kalotay

"Inverno Russo", da escritora americana Daphne Kalotay, é um romance que tece habilmente o passado e o presente, a Rússia pós-Segunda Guerra Mundial e a Boston contemporânea, através da vida da ex-bailarina do Bolshoi, Nina Revskaya. Daqueles livros que te prende aos poucos, situando, na Boston atual, a idosa e debilitada artista, que decide leiloar sua valiosa coleção de jóias. Cada peça detém memórias vívidas de seu tempo na Rússia, de seus amigos artistas sob o regime stalinista e do segredo obscuro que a levou a fugir para uma nova vida.

A narrativa intercala o presente, acompanhando a organização do leilão, enquanto as revelações surgem sobre o passado de Nina, com a história dela jovem na Rússia. Um mergulho em seu treinamento rigoroso no Bolshoi, relacionamentos complexos, o ambiente opressivo e a crescente paranoia da era stalinista. A história explora temas como amor, perda, traição, redenção e o poder duradouro da arte em meio a turbulências históricas.

O texto de Kalotay é elegante e envolvente, com personagens bem construídos e cenários ricamente detalhados. Equilibra suspense e emoção, conduzindo o leitor por segredos e revelações até um final surpreendente. "Inverno Russo" é um livro cativante que combina mistério, romance e drama, oferecendo uma visão fascinante do mundo do balé russo e da vida sob um regime totalitário. É uma leitura recomendada para quem aprecia ficção histórica bem escrita, com personagens complexos e uma trama envolvente.

Após tê-lo comprado num sebo, emprestei ou sugeri para poucos. É uma obra que possui toque refinado de algo que se degusta como um apreciador que reserva seu tempo para acarinhar um bom vinho... Um mergulho em dois mundos distintos, onde se surpreende com a descrição das paisagens e a densidade dos personagens. Ficção histórica é a literatura que compensa as lacunas dos registros oficiais, onde, quase sempre, estão ausentes as vivências das pessoas comuns que, de fato, sangram para descrever a própria vida. (com pesquisa da I.A. Gemini)  

Este e outros textos em manoeljesus.blogspot.com. 

sexta-feira, 25 de abril de 2025

Para, enfim, não chorar em silêncio…

Desvelar um outro olhar passa por

Um sorriso distraído, vistas abaixadas,

Mostrando que se anseia em fugir da rotina,

Conseguindo estender o que se vislumbra

Para além da imaginação.

A vida acomodada na mesmice

Vai, aos poucos, toldando a visão.

Embretar-se por caminhos repetidos

Não apenas anestesia os sentidos,

Também anula os sentimentos.

 

O fundo do poço é quando se pensa:

"Não vale mais a pena."

Tudo pelo qual se lutou

Parece não dar em nada.

Forças e energias drenadas por aquilo que,

Hoje, já não se sabe se era importante.

Desfilam pelas memórias

Momentos bons e outros nem tão bons assim.

Como muitos rostos que foram

Se perdendo pelos labirintos das memórias.

 

As palavras esvoaçam com a brisa.

Quando o vento bate na roseira

Traz o eco de muitas e sentidas saudades.

Alongar a vida é experimentar que

O tempo é o senhor das lembranças.

Colocando no rosto um sorriso enviesado,

Finalmente, mostra

O quanto se perdeu com detalhes,

Enquanto o certo seria apenas amar e sorrir

Ou, quem sabe, sorrir e amar...

Para, enfim, não chorar em silêncio…


terça-feira, 22 de abril de 2025

As cinco linguagens do amor na família

No dia 24 de abril, uma quinta-feira, vou estar na capela do Cenáculo, em Pelotas, atendendo convite da equipe Família de Nazaré, do Movimento Familiar Cristão, para uma Escola de Formação. Volto às atividades com este grupo - o que me dá uma grande alegria - para conversar sobre o livro do pastor Gary Chapman "As Cinco Linguagens do Amor". Claro que o destaque será este lugar tão importante para todos nós - a família - de onde bebemos e vivenciamos referências para comportamentos sociais e da fé.

Chapman oferece um panorama das formas como as pessoas expressam e recebem amor, algo que se entrelaça com a visão cristã católica sobre a família. A Igreja Católica a valoriza como um alicerce da sociedade, um local de amor, apoio e crescimento. É vista como um reflexo do amor divino, onde o amor conjugal e parental espelha o amor de Deus pela humanidade. A importância do amor, do respeito e do serviço mútuo dentro da família é constantemente enfatizada.

Na visão católica, as cinco linguagens do amor (palavras de afirmação, tempo de qualidade, presentes, atos de serviço e toque físico) podem ser vistas como ferramentas para fortalecer os laços familiares, em consonância com seus ensinamentos. Promover um ambiente familiar amoroso, harmonioso, onde cada membro é valorizado e amado. Onde se busca o bem-estar do próximo, expresso por atos de serviço, palavras de afirmação e qualidade do tempo de convívio.

É importante não esquecer que se torna essencial lembrar que o amor cristão vai além das emoções e sentimentos, envolvendo também o compromisso, o sacrifício e o serviço ao próximo. A aplicação das linguagens do amor deve ser guiada pelos princípios cristãos do amor, respeito e compaixão. "As Cinco Linguagens do Amor" pode ser uma ferramenta útil para fortalecer os relacionamentos familiares, desde que aplicada à luz dos valores e ensinamentos cristãos católicos sobre a família.

Passados cinco anos do início da pandemia, claudicantes no convívio, os grupos sociais e religiosos precisam do estímulo da corresponsabilidade para se reenergizar. O conhecimento das teses é muito importante, mas, mais ainda, o convívio carinhoso de quem se encontra na fé. O desafio é grande, tendo em vista que o fortalecimento de laços se dá no presencial. A educação emocional se concretiza quando se compartilha experiência e testemunho. Garantindo o resgate dos mais elementares valores familiares…


domingo, 20 de abril de 2025

Simplesmente assim: Jornada

O rio traça destinos, seguindo a direção do mar.

Desaguando num outro rio,

Sabe que prossegue e cumpre uma mesma jornada. 

O ciclo da vida em que a Natureza se esmera

Ao mostrar que o repetido

É a energia vital alimentando as veias da Terra.

Aduba as margens, renova o solo,

Atende a súplica dos agricultores,

É benção que coloca alimento na mesa dos homens.

 

Até o barco que, dolentemente, se arrasta em seu leito

Direciona o olhar em busca do Sol poente.

Onde repousam as súplicas e

As esperanças de quem não se conforma.

Angustiado, precisa acreditar que todos os rumos

Conduzem às águas mais profundas.

Onde a imensidão e o mistério habitam o horizonte:

O lugar do sonho,

Enfim, encontrar um sentido para toda a jornada!


sábado, 19 de abril de 2025

O Menino do Dedo Verde

Como comentei anteriormente, "O Menino do Dedo Verde", do francês Maurice Druon, completa os quatro livros em que baseio minhas reflexões sobre “humanidades". Além dele - para lembrar - estão o Pequeno Príncipe, o Profeta e Fernão Capelo Gaivota.  Conta a história de Tistu, um menino com um dom especial: o "dedo verde", que faz brotar flores e plantas onde quer que ele toque.

Uma reflexão sobre a importância do cuidado com a natureza e a beleza que proporciona. A capacidade de Tistu de fazer o bem através das plantas serve como metáfora para o poder da natureza e a necessidade de sua preservação. Mais: Usa seu dom para espalhar beleza, alegria e solucionar problemas, mostrando o impacto positivo que a bondade e a generosidade podem ter no mundo.

É um alerta social quando, numa narrativa aparentemente simples, tece críticas a instituições como a família, escola, hospital e a prisão, convida o leitor a refletir sobre o funcionamento da sociedade e possível transformação. Sem perder o olhar da infância, convida a ver o mundo pelos olhos da criança, com sua inocência, capacidade de se indignar com injustiças e crença em um mundo melhor.

O livro também aborda a temática da educação, mostrando a importância de um aprendizado que vá além do formal e esteja conectado com a vida e com os valores humanos. A linguagem do livro é poética e delicada, o que contribui para o seu encanto. A narrativa flui de forma leve e envolvente, tornando a leitura acessível a crianças e emocionante para adultos. Impossível não se comparar com o Pequeno Príncipe, na sua mensagem universal, linguagem singela e profundidade das reflexões que suscita.

Utilizam narrativa aparentemente infantil para abordar temas complexos e tocar o coração do leitor. São atemporais. Encantam com a magia dos protagonistas; despertam reflexões importantes sobre a natureza, a bondade e a sociedade; tocam o leitor com sua sensibilidade e poesia; são leituras valiosas para todas as idades. Enfim, “O Menino do Dedo Verde” é história cativante e mensagens significativas com a marca dos clássicos que transcendem os tempos. E tem a participação para lá de especial do inesquecível dom Marcos Barbosa, na tradução. (Com pesquisa da I.A. Gemini)