Quartas com gosto de poesia:
No princípio,
Descobre-se o milagre do próprio corpo
Quando as mãos que se agitam no berço,
Explorando o ar com o assombro
De quem toca o mundo pela primeira vez,
Movem-se pela energia da descoberta:
Asas tenras que tateiam o mistério do existir.
O tempo escorre com o sopro invisível do vento,
Atando o início e o fim em uma única linha.
A necessidade de gravar desenhos sobre a história
Faz com que o instante vire perene;
Tuas mãos guardam a promessa do que desabrocha,
Sendo o início e a curva de uma mesma estrada.
Os anos passam e contemplas os sulcos
Que a vida esculpiu nas dobras da tua pele.
Com paciência,
Caminhas ao longo da tua jornada.
Todas as memórias navegam por essas fendas,
Onde repousa a palma com o mapa de tuas histórias,
Revelando as mesmas mãos que um dia já foram berço.
Os traços que contam as lembranças,
Intuem, em silêncio, o próprio destino,
Quando dobram o cabo do punho com ternura.
As mãos que se agitavam ao nascer
São as mesmas que agora contemplas,
No silêncio da tua própria finitude,
Compondo o ciclo inteiro de uma vida…
(Revisão e imagem: Gemini. Áudio e vídeo em https://youtu.be/ZIIbnhVbRAE)

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