terça-feira, 3 de novembro de 2026

Mãos que traçam o ciclo de uma vida

Quartas com gosto de poesia:

No princípio,

Descobre-se o milagre do próprio corpo

Quando as mãos que se agitam no berço,

Explorando o ar com o assombro

De quem toca o mundo pela primeira vez,

Movem-se pela energia da descoberta:

Asas tenras que tateiam o mistério do existir.


O tempo escorre com o sopro invisível do vento,

Atando o início e o fim em uma única linha.

A necessidade de gravar desenhos sobre a história

Faz com que o instante vire perene;

Tuas mãos guardam a promessa do que desabrocha,

Sendo o início e a curva de uma mesma estrada.


Os anos passam e contemplas os sulcos

Que a vida esculpiu nas dobras da tua pele. 

Com paciência, 

Caminhas ao longo da tua jornada.

Todas as memórias navegam por essas fendas,

Onde repousa a palma com o mapa de tuas histórias,

Revelando as mesmas mãos que um dia já foram berço.


Os traços que contam as lembranças,

Intuem, em silêncio, o próprio destino,

Quando dobram o cabo do punho com ternura.

As mãos que se agitavam ao nascer

São as mesmas que agora contemplas,

No silêncio da tua própria finitude,

Compondo o ciclo inteiro de uma vida…


(Revisão e imagem: Gemini. Áudio e vídeo em https://youtu.be/ZIIbnhVbRAE)