Por: Nílson Souza
Em tempos de comunicação instantânea, mecânica e apocopada, uma vovó britânica surpreendeu a comunidade digital ao encaminhar uma consulta ao professor Google. Em vez de simplesmente digitar as palavras-chave de sua dúvida no espaço apropriado do buscador, como todos fazemos, a senhora de 85 anos escreveu:
– Por favor, traduza estes números romanos: MCMXCVIII. Obrigada.
A consulta bem educada foi flagrada pelo neto da mulher, que fotografou a tela do notebook com a busca e tuitou:
– Ai, meu Deus, eu abri o computador da minha avó e, quando ela pesquisa algo no Google, usa "por favor" e "obrigada".
Viralizou. O próprio Google tomou conhecimento da história e apressou-se em responder à miss May Ashworth que sua busca referia-se ao número 1998, cumprimentando-a pela educação.
Escrevi nesta semana um texto sobre palavras mágicas, depois de ler sobre um estudo de pesquisadores norte-americanos e australianos que identificaram a relação entre a nossa linguagem e o nosso sucesso. Garantem os cientistas que o uso de palavras positivas condiciona nosso cérebro ao êxito e nosso corpo a uma vida mais longa e saudável. Já o uso de termos negativos induz ao fracasso e às doenças.
Vale para o que dizemos e para o que escrevemos.
A ciência apenas confirma a crença. Textos bíblicos ensinam que "a murmuração atrai serpentes", para ensinar que palavras torpes voltam-se contra quem as pronuncia. No vale-tudo das redes sociais, ninguém pensa muito nisso. Falamos com os dedos e eles nem sempre refletem nossos pensamentos mais elaborados.
Por isso surpreende quando alguém fala com o coração, como a doce dama britânica. O professor Google deve ter ficado desconcertado com tanta educação. Mas o efeito mágico das palavras amáveis é tão poderoso, que até o gigante tecnológico lembrou-se de agradecer.
quinta-feira, 23 de junho de 2016
quarta-feira, 22 de junho de 2016
Vossos filhos não são vossos filhos....
Vossos filhos não são vossos filhos.
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E embora vivam convosco, não vos pertencem.
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,
Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã,
Que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós,
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.
Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.
O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força
Para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria:
Pois assim como ele ama a flecha que voa,
Ama também o arco que permanece estável.
Khalil Gibran
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E embora vivam convosco, não vos pertencem.
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,
Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã,
Que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós,
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.
Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.
O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força
Para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria:
Pois assim como ele ama a flecha que voa,
Ama também o arco que permanece estável.
Khalil Gibran
terça-feira, 21 de junho de 2016
A inutilidade e o amor
Ter que ser útil pra alguém é uma coisa muito cansativa. É interessante você saber fazer as coisas, mas acredito que a utilidade é um território muito perigoso porque, muitas vezes, a gente acha que o outro gosta da gente, mas não. Ele está interessado naquilo que a gente faz por ele. E é por isso que a velhice é esse tempo em que passa a utilidade e aí fica só o seu significado como pessoa. Eu acho que é um momento que a gente purifica, né? É o momento em que a gente vai ter a oportunidade de saber quem nos ama de verdade.
Porque só nos ama, só vai ficar até o fim, aquele que, depois da nossa utilidade, descobrir o nosso significado. Por isso eu sempre peço a Deus para poder envelhecer ao lado das pessoas que me amem. Aquelas pessoas que possam me proporcionar a tranquilidade de ser inútil, mas ao mesmo tempo, sem perder o valor.
Quero ter ao meu lado alguém que saiba acolher a minha inutilidade. Alguém que olhe pra mim assim, que possa saber que eu não servirei pra muita coisa, mas que continuarei tendo meu valor.
Porque a vida é assim, fique esperto, viu? Se você quiser saber se o outro te ama de verdade é só identificar se ele seria capaz de tolerar a sua inutilidade. Quer saber se você ama alguém? Pergunte a si mesmo: quem nessa vida já pode ficar inútil pra você sem que você sinta o desejo de jogá-lo fora?
É assim que descobrimos o significado do amor. Só o amor nos dá condições de cuidar do outro até o fim. Por isso eu digo: feliz aquele que tem ao final da vida, a graça de ser olhado nos olhos e ouvir do outro: "você não serve pra nada, mas eu não sei viver sem você".
Padre Fábio de Melo
Porque só nos ama, só vai ficar até o fim, aquele que, depois da nossa utilidade, descobrir o nosso significado. Por isso eu sempre peço a Deus para poder envelhecer ao lado das pessoas que me amem. Aquelas pessoas que possam me proporcionar a tranquilidade de ser inútil, mas ao mesmo tempo, sem perder o valor.
Quero ter ao meu lado alguém que saiba acolher a minha inutilidade. Alguém que olhe pra mim assim, que possa saber que eu não servirei pra muita coisa, mas que continuarei tendo meu valor.
Porque a vida é assim, fique esperto, viu? Se você quiser saber se o outro te ama de verdade é só identificar se ele seria capaz de tolerar a sua inutilidade. Quer saber se você ama alguém? Pergunte a si mesmo: quem nessa vida já pode ficar inútil pra você sem que você sinta o desejo de jogá-lo fora?
É assim que descobrimos o significado do amor. Só o amor nos dá condições de cuidar do outro até o fim. Por isso eu digo: feliz aquele que tem ao final da vida, a graça de ser olhado nos olhos e ouvir do outro: "você não serve pra nada, mas eu não sei viver sem você".
Padre Fábio de Melo
segunda-feira, 20 de junho de 2016
Inutilidade do envelhecer
Dois funcionários de uma empresa que atua no tráfego ferroviário urbano de São Paulo. Ela como manobrista, ele como controlador. Namoraram e resolveram casar numa estação de trem. Nenhuma novidade no Dia dos Namorados (12 de junho) quando, para o "show business" da televisão, o que importa é mostrar matérias de conteúdo humano, com amplo poder de empatia e, se possível, fazer chegar às lágrimas.
A noiva chegou à plataforma previamente preparada num trem, com padrinhos e sua corte, anunciando que iria até o altar acompanhada do pai. É então que as palavras desaparecem e as imagens fazem o efeito que mesmo os produtores mais experientes não esperavam: o pai era cadeirante, sendo empurrado pela filha, com toda a pompa e circunstância, para "levar" a noiva até o altar!
O padre Fábio de Melo brinca numa palestra que ao ficar velho espera que haja alguém que o coloque na rua, mas também alguém que o tire do sol. Fala do envelhecimento e do quanto é cansativo o papel que nos propomos desempenhar - e que os outros esperam de nós - de sermos permanentemente úteis. A velhice é o tempo da "inutilidade" - quando nos damos conta de que não podemos fazer tudo, por todos, todo o tempo. Então fica claro quem realmente nos amou e quem apenas nos usou!
Emociona ele dizer que "só nos ama, só vai ficar até o fim, aquele que, depois da nossa utilidade, descobrir o nosso significado". Acrescentando ser relativamente fácil descobrir quem vai ficar ao nosso lado no tempo de ocaso: "quem nessa vida já pode ficar inútil pra você sem que você sinta o desejo de jogá-lo fora."
O casal era jovem e conseguiu uma grande cobertura dos meios de comunicação. Tudo fazia parte de um grande sonho, que a mídia fez chegar às casas numa noite de domingo. Uma grande produção rendendo muitos comentários, muitas lembranças. Mas a filha não abriu mão de que, consigo, no seu momento de maior glória, entraria um símbolo da "inutilidade": um idoso, cadeirante.
Fui à cata do vídeo que vira da palestra do padre Fábio. Do conjunto da obra, ficou ressoando em meus ouvidos a serenidade com que ele chegava ao final de sua pregação. Deixou o gosto de uma lição de vida, daquelas que despertam alguma coisa em nós que não se basta por um momento de espetáculo: "é assim que descobrimos o significado do amor. Só o amor nos dá condições de cuidar do outro até o fim. Por isso eu digo: feliz aquele que tem ao final da vida, a graça de ser olhado nos olhos e ouvir do outro: "você não serve pra nada, mas eu não sei viver sem você".
A noiva chegou à plataforma previamente preparada num trem, com padrinhos e sua corte, anunciando que iria até o altar acompanhada do pai. É então que as palavras desaparecem e as imagens fazem o efeito que mesmo os produtores mais experientes não esperavam: o pai era cadeirante, sendo empurrado pela filha, com toda a pompa e circunstância, para "levar" a noiva até o altar!
O padre Fábio de Melo brinca numa palestra que ao ficar velho espera que haja alguém que o coloque na rua, mas também alguém que o tire do sol. Fala do envelhecimento e do quanto é cansativo o papel que nos propomos desempenhar - e que os outros esperam de nós - de sermos permanentemente úteis. A velhice é o tempo da "inutilidade" - quando nos damos conta de que não podemos fazer tudo, por todos, todo o tempo. Então fica claro quem realmente nos amou e quem apenas nos usou!
Emociona ele dizer que "só nos ama, só vai ficar até o fim, aquele que, depois da nossa utilidade, descobrir o nosso significado". Acrescentando ser relativamente fácil descobrir quem vai ficar ao nosso lado no tempo de ocaso: "quem nessa vida já pode ficar inútil pra você sem que você sinta o desejo de jogá-lo fora."
O casal era jovem e conseguiu uma grande cobertura dos meios de comunicação. Tudo fazia parte de um grande sonho, que a mídia fez chegar às casas numa noite de domingo. Uma grande produção rendendo muitos comentários, muitas lembranças. Mas a filha não abriu mão de que, consigo, no seu momento de maior glória, entraria um símbolo da "inutilidade": um idoso, cadeirante.
Fui à cata do vídeo que vira da palestra do padre Fábio. Do conjunto da obra, ficou ressoando em meus ouvidos a serenidade com que ele chegava ao final de sua pregação. Deixou o gosto de uma lição de vida, daquelas que despertam alguma coisa em nós que não se basta por um momento de espetáculo: "é assim que descobrimos o significado do amor. Só o amor nos dá condições de cuidar do outro até o fim. Por isso eu digo: feliz aquele que tem ao final da vida, a graça de ser olhado nos olhos e ouvir do outro: "você não serve pra nada, mas eu não sei viver sem você".
domingo, 19 de junho de 2016
Depressão: um triste mergulho na solidão
Era uma pessoa alegre e expansiva num dia; no seguinte, o rosto estava marcado por uma noite mal dormida e as lágrimas haviam deixado sinais. O inchaço demonstrava que alguma coisa estava mal. De contragosto, o reconhecimento: tivera uma crise depressiva. Não precisou muito tempo para que deixasse o jeito de pessoa radiante para demonstrar a vivência de uma das mais incômodas doenças da sociedade moderna.
A depressão se caracterizar por mudanças no humor e perda de sentido em atividades cotidianas, antes prazerosas ou motivadoras. Minha conhecida tinha tudo isto: dizendo que alcançara uma profunda tristeza, falta de motivação e muito, muito desânimo.
Vinte por cento da população mundial já teve depressão. Este distúrbio do sistema nervoso ocorre mais em mulheres do que em homens. Mas não é tão fácil delimitar sinais, sintomas e consequência: entendidos falam de fatores psicológicos e sociais (perda da pessoa amada, fim de um relacionamento, demissão), fatores biológicos (alterações nos níveis de neurotransmissores ou hormônios) e uso de alguns tipos de remédios.
Quem acompanha alguém que chega no estágio mais difícil sabe que parte o coração ver um ser querido que se atrapalha entre desejar estar só e um mergulho mortal na solidão. Uma amiga dizia que era "alguém triste" e que apenas a medicação a mantinha no pique. Conversamos um pouco e lhe disse que não. Não existem "pessoas tristes". No máximo, pessoas que, durante algum tempo, ficam tristes, mas que o ser humano não foi feito para mergulhar permanentemente na dor, mas para viver saudáveis momentos de felicidade.
De quem está próximo, a grande sacada é manter a pessoa ocupada, dar-lhe tempo para que respire só, mas não deixar que se isole, por mais que seja tentador. Na receita para alcançar a superação da crise está a capacidade de voltar a cuidar de si, encontrando nos seus espaços aquilo que lhe agrade e satisfaça, sem a preocupação de agradar a outros.
Durante algum tempo as pessoas tinham vergonha de dizer que estavam em depressão. Hoje, com as informações que se tem, o primeiro passo para vencer uma crise é reconhecer que ela existe, facilitando muito se a pessoa disser o que está sentindo. Mal comparando, é como alguém que gosta de jardim: há plantas que são mais sensíveis, estas precisam de atenção permanente. Algumas são mais toscas, precisam que lhes dê o elementar, como água, luz, poda. E outras que subsistem apesar de nós.Alguém propício a depressão merece cuidado permanente, sem ser sufocado. Basta encontrar a dose certa entre mantê-lo próximo e permitir que respire sua individualidade. Carinho, amor, afeto, fazem parte do "caldo de galinha" para minimizar uma crise. Ela mesma tem que encontrar seus caminhos. Augusto Cury tem razão: "nunca despreze a pessoa deprimida. A depressão é o último estágio da dor humana!"
A depressão se caracterizar por mudanças no humor e perda de sentido em atividades cotidianas, antes prazerosas ou motivadoras. Minha conhecida tinha tudo isto: dizendo que alcançara uma profunda tristeza, falta de motivação e muito, muito desânimo.
Vinte por cento da população mundial já teve depressão. Este distúrbio do sistema nervoso ocorre mais em mulheres do que em homens. Mas não é tão fácil delimitar sinais, sintomas e consequência: entendidos falam de fatores psicológicos e sociais (perda da pessoa amada, fim de um relacionamento, demissão), fatores biológicos (alterações nos níveis de neurotransmissores ou hormônios) e uso de alguns tipos de remédios.
Quem acompanha alguém que chega no estágio mais difícil sabe que parte o coração ver um ser querido que se atrapalha entre desejar estar só e um mergulho mortal na solidão. Uma amiga dizia que era "alguém triste" e que apenas a medicação a mantinha no pique. Conversamos um pouco e lhe disse que não. Não existem "pessoas tristes". No máximo, pessoas que, durante algum tempo, ficam tristes, mas que o ser humano não foi feito para mergulhar permanentemente na dor, mas para viver saudáveis momentos de felicidade.
De quem está próximo, a grande sacada é manter a pessoa ocupada, dar-lhe tempo para que respire só, mas não deixar que se isole, por mais que seja tentador. Na receita para alcançar a superação da crise está a capacidade de voltar a cuidar de si, encontrando nos seus espaços aquilo que lhe agrade e satisfaça, sem a preocupação de agradar a outros.
Durante algum tempo as pessoas tinham vergonha de dizer que estavam em depressão. Hoje, com as informações que se tem, o primeiro passo para vencer uma crise é reconhecer que ela existe, facilitando muito se a pessoa disser o que está sentindo. Mal comparando, é como alguém que gosta de jardim: há plantas que são mais sensíveis, estas precisam de atenção permanente. Algumas são mais toscas, precisam que lhes dê o elementar, como água, luz, poda. E outras que subsistem apesar de nós.Alguém propício a depressão merece cuidado permanente, sem ser sufocado. Basta encontrar a dose certa entre mantê-lo próximo e permitir que respire sua individualidade. Carinho, amor, afeto, fazem parte do "caldo de galinha" para minimizar uma crise. Ela mesma tem que encontrar seus caminhos. Augusto Cury tem razão: "nunca despreze a pessoa deprimida. A depressão é o último estágio da dor humana!"
segunda-feira, 28 de março de 2016
O olhar de Francisco
O papa Francisco pediu a crianças do Mundo que lhe enviassem perguntas. Algumas foram selecionadas e, juntamente com as respostas, fazem parte do livro "Caro Papa Francisco", onde os assuntos não são apenas religiosos, mas fazem parte do universo das famílias e mostrou o lado pedagógico deste que é um dos maiores formadores de opinião da atualidade.
Os sites já haviam noticiado o que foi matéria de televisão no último final de semana. Encantados, vamos passando pelas dúvidas de crianças na faixa dos 10 anos, que desejam saber porque os pais discutem por problemas de negócios, o que o papa faria se fizesse um milagre, ou se as pessoas más também têm anjos da guarda.
Se as perguntas já vinham carregadas de encantamento, as respostas deslumbram: pedir para os pais não irem dormir sem antes terem feito as pazes; "curaria as crianças. Nunca consegui perceber por que sofrem as crianças. É um mistério para mim"; que pedissem para seus próprios anjos falar com o anjo das pessoas más para que os convencessem a mudar!
Para os analistas de plantão, com certeza, esta é apenas uma jogada de marketing necessária para alimentar a presença do papa na mídia e recuperar o espírito religioso numa sociedade que está se afastando dos templos. É possível. Mas se vê, no homem Francisco, a disposição de fazer algo básico para todos os religiosos: ser pastor, cuidar de seu rebanho, cuidar de gente.
Uma charge recente mostrava um grupo de integrantes da alta hierarquia católica dentro de uma destas canoas de competição, todos com megafone em mãos. O papa chega e traz nas mãos um monte de remos, dizendo: "tá na hora de começar a trabalhar"! Simples, mas condizente com o homem que pode estar na mídia, porque a mídia também tem a ganhar quando lhe dá espaço. Mas o olhar, a o olhar! Este não mente e mostra um homem encantado em poder ser pastor... inclusive das crianças!
Nada a ver, mas uma propaganda de alimentos prontos que está no ar mostra um pai aquecendo alimentos como se fosse garçom num restaurante, perguntando a cada um o que queria do cardápio. Por fim, pergunta como pretendem pagar. O menor olha com todo o carinho e pergunta: "pode ser com beijinhos?"
A impressão que se tem é que são estes pequenos pagamentos que fazem a felicidade de Francisco. Depois que um outro homem simples andou pela Galileia e disse para deixar "vir a mim as criancinhas, porque delas é o reino dos céus", o papa segue seus passos, descomplica questões da Igreja, alimenta uma nova esperança nas relações sociais e tem no olhar a compaixão necessária para se tornar o pastor do qual o Mundo está tão carente.
Os sites já haviam noticiado o que foi matéria de televisão no último final de semana. Encantados, vamos passando pelas dúvidas de crianças na faixa dos 10 anos, que desejam saber porque os pais discutem por problemas de negócios, o que o papa faria se fizesse um milagre, ou se as pessoas más também têm anjos da guarda.
Se as perguntas já vinham carregadas de encantamento, as respostas deslumbram: pedir para os pais não irem dormir sem antes terem feito as pazes; "curaria as crianças. Nunca consegui perceber por que sofrem as crianças. É um mistério para mim"; que pedissem para seus próprios anjos falar com o anjo das pessoas más para que os convencessem a mudar!
Para os analistas de plantão, com certeza, esta é apenas uma jogada de marketing necessária para alimentar a presença do papa na mídia e recuperar o espírito religioso numa sociedade que está se afastando dos templos. É possível. Mas se vê, no homem Francisco, a disposição de fazer algo básico para todos os religiosos: ser pastor, cuidar de seu rebanho, cuidar de gente.
Uma charge recente mostrava um grupo de integrantes da alta hierarquia católica dentro de uma destas canoas de competição, todos com megafone em mãos. O papa chega e traz nas mãos um monte de remos, dizendo: "tá na hora de começar a trabalhar"! Simples, mas condizente com o homem que pode estar na mídia, porque a mídia também tem a ganhar quando lhe dá espaço. Mas o olhar, a o olhar! Este não mente e mostra um homem encantado em poder ser pastor... inclusive das crianças!
Nada a ver, mas uma propaganda de alimentos prontos que está no ar mostra um pai aquecendo alimentos como se fosse garçom num restaurante, perguntando a cada um o que queria do cardápio. Por fim, pergunta como pretendem pagar. O menor olha com todo o carinho e pergunta: "pode ser com beijinhos?"
A impressão que se tem é que são estes pequenos pagamentos que fazem a felicidade de Francisco. Depois que um outro homem simples andou pela Galileia e disse para deixar "vir a mim as criancinhas, porque delas é o reino dos céus", o papa segue seus passos, descomplica questões da Igreja, alimenta uma nova esperança nas relações sociais e tem no olhar a compaixão necessária para se tornar o pastor do qual o Mundo está tão carente.
domingo, 20 de março de 2016
Pedro: o Mundo era sua estrada
A Semana Santa tem uma série de personagens que merecem atenção quando se acompanha a jornada marcante que vai da chegada de Jesus a Jerusalém - Domingo de Ramos - passando por um tempo de tristeza e consternação vividos na noite de quinta e ao longo de toda a sexta-feira, com a prisão e morte; e a alegria de Seus seguidores ao se confirmar a profecia: no Domingo de Páscoa, Jesus ressuscitou!
O Ano Litúrgico da Igreja Católica tem no Evangelho de Lucas a preocupação em iluminar a História e suas reflexões. Escrito cerca de 30 anos depois da morte de Jesus, Lucas conversou longamente com São Pedro até completar o quadro dos sentimentos, reações e tristezas por aqueles últimos momentos. Pedro, fiel a Jesus, em muitos momentos, teve arroubos emocionados, o que não impedia que precisasse ser chamado de volta à realidade. Pois foi exatamente ele que traiu o Mestre: a frase "não conheço este homem" foi repetida três vezes em uma longa noite de vigília.
O homem tosco da beira do Mar da Galiléia já mostrava a sensibilidade para ser quem dirigiria o Cristianismo nascente. Mas haviam dores e marcas que o tempo e as suas novas vivências não conseguiriam apagar: em especial, o fato de ter negado Jesus, o galo cantar e, voltando-se, encontrar o olhar daquele que o convencera da nova missão com uma frase simples: "vinde a mim e Eu vos farei pescadores de homens!"
Passados os eventos em Jerusalém, restava um grupo desnorteado. Era preciso fazer alguma coisa. Pedro é prático: "vou pescar". Precisava do silêncio das águas e da largueza de seus horizontes. Enquanto a lide com o barco, as redes, organizar seus homens, recolher o pescado ocupavam seu tempo, seu pensamento fazia o percurso de três anos intensos. Não havia mais como ser o mesmo.
No final da tarde, sentado nas areias que conhecia tão bem, pensou em voltar para a vida simples entre a pesca, amigos e família. Mas a lembrança do Galileu o incomodava: depois do primeiro contato, todo o seu mundo se transformara. Crescera com a certeza de que Javé era Deus e era um deus terrível! Mas Jesus mostrou que não era bem assim, até o chamava de "Paizinho". Repetiu a palavra: "Paizinho", soava tão bem, era mais agradável do que tratar com um deus vingativo! Um ciclone chamado Jesus passara em sua vida e nada mais seria como antes.
Ainda não se falava em Cristianismo (chamavam de Seita do Caminho), tendo Pedro como pastor e Paulo como grande estrategista. Mas já se sabia que Pedro aprendera as lições básicas: não era apenas reunir aqueles que se dispersaram. O norte, agora, estava na missão: "ide e fazei discípulos de todas as nações". Não havia mais o que pensar. O Mundo era a sua estrada. E era longa! A Eternidade seria a sua recompensa.
O Ano Litúrgico da Igreja Católica tem no Evangelho de Lucas a preocupação em iluminar a História e suas reflexões. Escrito cerca de 30 anos depois da morte de Jesus, Lucas conversou longamente com São Pedro até completar o quadro dos sentimentos, reações e tristezas por aqueles últimos momentos. Pedro, fiel a Jesus, em muitos momentos, teve arroubos emocionados, o que não impedia que precisasse ser chamado de volta à realidade. Pois foi exatamente ele que traiu o Mestre: a frase "não conheço este homem" foi repetida três vezes em uma longa noite de vigília.
O homem tosco da beira do Mar da Galiléia já mostrava a sensibilidade para ser quem dirigiria o Cristianismo nascente. Mas haviam dores e marcas que o tempo e as suas novas vivências não conseguiriam apagar: em especial, o fato de ter negado Jesus, o galo cantar e, voltando-se, encontrar o olhar daquele que o convencera da nova missão com uma frase simples: "vinde a mim e Eu vos farei pescadores de homens!"
Passados os eventos em Jerusalém, restava um grupo desnorteado. Era preciso fazer alguma coisa. Pedro é prático: "vou pescar". Precisava do silêncio das águas e da largueza de seus horizontes. Enquanto a lide com o barco, as redes, organizar seus homens, recolher o pescado ocupavam seu tempo, seu pensamento fazia o percurso de três anos intensos. Não havia mais como ser o mesmo.
No final da tarde, sentado nas areias que conhecia tão bem, pensou em voltar para a vida simples entre a pesca, amigos e família. Mas a lembrança do Galileu o incomodava: depois do primeiro contato, todo o seu mundo se transformara. Crescera com a certeza de que Javé era Deus e era um deus terrível! Mas Jesus mostrou que não era bem assim, até o chamava de "Paizinho". Repetiu a palavra: "Paizinho", soava tão bem, era mais agradável do que tratar com um deus vingativo! Um ciclone chamado Jesus passara em sua vida e nada mais seria como antes.
Ainda não se falava em Cristianismo (chamavam de Seita do Caminho), tendo Pedro como pastor e Paulo como grande estrategista. Mas já se sabia que Pedro aprendera as lições básicas: não era apenas reunir aqueles que se dispersaram. O norte, agora, estava na missão: "ide e fazei discípulos de todas as nações". Não havia mais o que pensar. O Mundo era a sua estrada. E era longa! A Eternidade seria a sua recompensa.
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