O fio da meada:
Quem entra na Santa Casa de Misericórdia de Pelotas pela ala da doação de sangue depara-se com um artefato singular em um de seus pilares. Em comemoração aos seus 174 anos (completados em 2021), a instituição - que iniciou suas atividades logo após a Revolução Farroupilha - instalou uma cápsula do tempo para ser aberta em 50 anos. O objetivo é registrar o trabalho dos profissionais de saúde, com ênfase no período da pandemia de Covid-19.
Fiquei surpreso. Sempre ouvi falar ou vi em filmes pessoas e instituições que reuniam acervos de lembranças em recipientes herméticos para serem enterrados, permitindo que futuras gerações compreendessem o modo de vida de então. Mas, ali, a cápsula está na parede, à vista de todos, guardando documentos e itens que narram a história recente da casa.
Provavelmente não estarei vivo quando as pessoas se encantarem com a trajetória deste prédio e desta instituição que sempre caminhou de mãos dadas com a cidade e a região. A Santa Casa atravessou tempos bons e ruins, dificuldades e apertos, mas jamais abandonou sua vocação: ser o porto onde os desfavorecidos encontram abrigo para suas mazelas.
Na saída, olhei para a passarela suspensa que ainda atravessa a rua. Em outros tempos, ela era o caminho para o silêncio, onde se tratavam doenças pulmonares como a tuberculose. Foi por ali que, acompanhado de meu pai, fui visitar um tio que estava “tísico”. Nunca esqueci essa palavra, cujo significado só fui compreender ao sair dali. É difícil, ainda hoje, apagar da memória a figura debilitada que faleceria pouco depois.
Numa coluna de sustentação do prédio quase bicentenário, repousa a memória “oficial”. Carrega as sombras de pessoas que ali encontraram bálsamo para suas dores, despediram-se de entes queridos ou testemunharam o surgimento de novas vidas. É preciso aprender com a história: dos tempos remotos em que a “roda dos expostos” (roda dos enjeitados) era o alento para crianças abandonadas, aos dias de hoje, em que a saúde ainda precisa ser tratada como uma prioridade social…
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“Carrega as sombras de pessoas que ali encontraram bálsamo para suas dores, despediram-se de entes queridos ou testemunharam o surgimento de novas vidas…”
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(Revisão: IA Gemini. Imagem: Canva. Áudio e vídeo em https://youtu.be/Hvzb07wlRZY)

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