Muitas vezes, a gente olha para as histórias do Evangelho como se fossem quadros antigos, parados no tempo, cobertos de poeira e de uma solenidade que nos afasta. Mas a proposta aqui, no Café com a Palavra, é outra. É desvelar os sonhos de Deus que habitam a nossa alma. A palavra só faz sentido quando vira vida dentro da gente. Vais escutar o depoimento do paralítico de Cafarnaúm. Podes encontrar o texto no evangelho de Lucas, capítulo 5.
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“Certo dia, quando Jesus ensinava, estavam sentados ali fariseus e mestres da lei, procedentes de todos os povoados da Galileia, da Judeia e de Jerusalém. E o poder do Senhor estava com ele para curar os doentes.
Vieram alguns homens trazendo um paralítico numa maca e tentaram fazê-lo entrar na casa, para colocá-lo diante de Jesus.
Não conseguindo fazer isso, por causa da multidão, subiram ao terraço e o baixaram em sua maca, através de uma abertura, até o meio da multidão, bem em frente de Jesus.
Vendo a fé que eles tinham, Jesus disse: "Homem, os teus pecados estão perdoados".
Os fariseus e os mestres da lei começaram a pensar: "Quem é esse que blasfema? Quem pode perdoar pecados, a não ser somente Deus?"
Jesus, sabendo o que eles estavam pensando, perguntou: "Por que vocês estão pensando assim?
Que é mais fácil dizer: 'Os teus pecados estão perdoados', ou: 'Levanta-te e anda'?
Mas para que vocês saibam que o Filho do homem tem na terra autoridade para perdoar pecados" - disse ao paralítico - "eu te digo: Levanta-te, pega a tua maca e vai para casa".
Imediatamente ele se levantou na frente deles, pegou a maca em que estava deitado e foi para casa louvando a Deus.
Todos ficaram atônitos e glorificavam a Deus e, cheios de temor, diziam: "Hoje vimos coisas extraordinárias!"
O paralítico de Cafarnaum:
“Durante anos, o meu mundo foi o teto da minha casa. Eu conhecia cada rachadura, cada mancha de umidade, cada sombra que o sol desenhava no reboco enquanto o dia passava devagar. O mundo acontecia lá fora, no ruído dos passos na rua, no grito dos vendedores, no riso das crianças... mas para mim, o mundo era estático. Eu era o homem do leito.
As pessoas me olhavam com pena ou, ainda pior, com indiferença. Eu era apenas uma peça de mobília que precisava ser movida de vez em quando.
Até que veio aquele dia. O dia em que meus amigos — aqueles que não desistiram do meu peso — decidiram que o teto não seria mais o meu limite. Eu senti o vento quando eles abriram o telhado da casa onde estava Jesus. Quando descia, o céu azul parecia rasgar o meu mundo de sombras.
E, de repente, eu emergia na esperança. O medo era imenso, mas o olhar que me esperava lá embaixo era diferente de tudo o que eu já tinha visto. Jesus não olhou para as minhas pernas inertes. Ele olhou nos meus olhos. Ele viu a rachadura na minha alma, que era muito mais profunda que as rachaduras do meu teto.
Quando Ele disse 'teus pecados estão perdoados', foi como se o peso de mil anos saísse das minhas costas. O milagre não começou quando eu fiquei de pé; o milagre começou quando Ele me chamou de 'Filho'. Ali, naquele momento, eu deixei de ser um fardo para ser uma pessoa.
Quando finalmente me levantei, peguei aquele leito velho e saí caminhando, eu não estava apenas carregando um objeto. Eu estava carregando a minha história. As pernas agora obedeciam, mas era o coração que guiava o caminho que eu poderia percorrer…”
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Ao ouvir esta reflexão, que não encontres apenas um Deus distante, mas um Deus que se senta contigo à mesa, entende a tua timidez e valoriza o teu silêncio. Que a palavra de hoje não seja um peso, mas o fôlego que precisas para atravessar a semana com a alma leve e um sorriso no rosto. Se gostaste, compartilha nas tuas redes sociais. Nosso próximo encontro já está marcado para a próxima segunda-feira. Te espero. Deus a abençoe. Deus o abençoe. Deus nos abençoe. Meu grande abraço.
(Revisão e imagem: IA Gemini)
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