Janelas do Tempo:
O livro 1889, de Laurentino Gomes, detalha a queda da Monarquia e a Proclamação da República no Brasil. O autor descreve o esgotamento do Segundo Reinado, marcado pela fragilidade física de D. Pedro II e pelo isolamento da família imperial. O texto aborda a "Questão Militar", o descontentamento dos grandes proprietários de terras após a Abolição da Escravidão e a influência do Positivismo entre os jovens oficiais do Exército.
O livro narra o dia 15 de novembro não como uma revolução popular, mas como um golpe militar executado por uma elite descontente. Marechal Deodoro da Fonseca, figura central e amigo do Imperador, surge como um protagonista relutante, conduzindo um movimento que alterou a estrutura política do país sem a participação direta da sociedade civil.
1889 é um exercício de desconstrução de mitos. Laurentino Gomes utiliza uma narrativa jornalística para expor o contraste entre a imagem oficial do "grito republicano" e a realidade de um evento ocorrido quase por acaso, em meio a confusões de comunicação e interesses de ocasião.
O mérito da obra reside em humanizar as figuras históricas. O leitor percebe o cansaço de um Imperador que já não desejava o trono e a desorganização de um grupo republicano que sequer tinha um plano de governo consolidado para o dia seguinte.
Para quem analisa a comunicação social, o livro é um estudo de caso sobre como a construção de símbolos e heróis (como Tiradentes) foi necessária para dar legitimidade a um regime que nasceu sem apoio das massas.
É uma leitura essencial para compreender por que a República brasileira iniciou com um distanciamento tão acentuado entre o Estado e o cidadão.
(Revisão e imagem: IA Gemini)

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