sexta-feira, 9 de fevereiro de 2024

As nuances do teu semblante

O tempo invejou


Escultores, tecelões e amantes.

Moldurou rostos,

Onde traçou a delicadeza

Que somente quem usufrui da vida

Consegue transparecer.

A serenidade dos que viram a existência fluir,

Valorizando a jornada e o caminho.

 

A meiguice dos primeiros traçados

Deram lugar à firmeza das linhas,

Que o açoite das horas, dos dias

E dos anos rabiscaram em tua face.

Foi na velhice

Que a riqueza de um mosaico

Plasmou as nuances do teu semblante.

 

Admirado,

Encantava-me em procurar

Nos esboços recém delineados

O Artista que teve paciência e carinho

Ao produzir traços irregulares,

Em que deixou de lado a simetria,

Imergiu nos detalhes,

Valorizou o que se torna universal.

 

Depois de maravilhados pelos olhos,

Recebem

A confirmação das mãos,

Que fazem seu próprio percurso,

Rabiscando

Surpresas pela aventura

Em que se envolvem

Os sentidos e as expectativas.

 

O escultor acaricia a pedra e

Antecipa os detalhes de um corpo.

O tecelão entrelaça a tela,

Sabendo que os dedos

Despertam vida na imagem

Que vem à tona, ainda sonolenta.

Os contornos que buscam a forma,

No traçado que se infinita.

 

Ou quando o amante cerra os olhos,

Desliza os dedos pelo corpo amado,

No aprendizado de que não há apenas um rumo,

Mas a multiplicidade de suspiros e anseios.

É a duração de uma existência...

O suficiente para saber que

O detalhe tem o tamanho da própria vida.

Que não oferece uma segunda chance!

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