Quartas com gosto de poesia
Não são as paredes que guardam o tempo,
É o silêncio que nelas se faz morada,
A poeira que vai tecendo lembranças
Pelo sol da tarde com que é iluminada.
Há um segredo no couro da poltrona,
No dorso dos livros que o tempo consome,
E um eco de passos, sem nenhuma pressa,
No assoalho antigo que range um nome...
A obra não se ergue de tijolo e cal,
É feita de esperas e alma vazia;
O refúgio onde a palavra que é dita
No peito se aquece e ganha energia.
O olhar que se encanta cruzando o horizonte,
Não busca o que falta, mas o que é permanência;
No recanto sagrado de cada traço,
A casa se perpetua em toda a sua essência.
(Revisão e imagens: Gemini)






