sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Chinelos, cultura e o tabi

O fio da meada:

Este verão atípico, com algumas manhãs de um frescor inesperado, levou-me a buscar algo mais que o habitual chinelo de dedo. Seguindo o sábio conselho de minhas "conselheiras familiares", rendi-me à
babuche. Para quem não associa o nome ao objeto, é aquela sandália com uma tira traseira versátil: ora firma o pé com segurança, ora repousa sobre o peito do calçado, transformando-o em um prático chinelo.

Ao calçá-la, fui transportado no tempo. Lembrei-me de como, antigamente, adaptávamos borrachas na parte de trás dos calçados das crianças, que ainda não dominavam o equilíbrio dos chinelos de dedo. Era um cuidado instintivo para evitar deslizes e quedas. Hoje, percebo que esse ciclo se fecha: a preocupação com a segurança, que antes focava nos pequenos, agora se estende a nós, idosos. Garantir a estabilidade não é apenas uma questão de conforto, é um ato de preservação.

A reflexão ganhou novos contornos enquanto eu acompanhava a cobertura do Globo de Ouro. Entre os flashes e premiações, vi a celebração do talento brasileiro: a vitória de Wagner Moura como melhor ator de drama por "O Agente Secreto". Mas, para além do troféu, o que me fisgou o olhar foram os sapatos do artista. O design, com o dedão em um compartimento separado, remeteu-me imediatamente à série japonesa "Rikuoh", que narra a saga de uma fábrica tradicional tentando sobreviver ao criar tênis de maratona baseados na anatomia humana.

Ali, descobri a existência das meias tabi. Tradicionais no Japão, elas separam o polegar dos demais dedos, permitindo o uso de calçados de tira com o pé aquecido. Pensei comigo: "Se eu soubesse disso antes, teria mantido meus chinelos de dedo, mesmo nos dias frios!".

O cinema e os grandes eventos, como o Globo de Ouro, são mais que entretenimento; são espelhos culturais. Eles revelam que há beleza e funcionalidade em tradições que, por vezes, ignoramos. Ao ver um brasileiro brilhando no topo do mundo, sinto que nossa persistente "síndrome de vira-lata" finalmente dá lugar ao orgulho e ao reconhecimento.

O Japão ensina, por meio de um simples calçado ou de uma meia centenária, lições de educação, respeito e design voltado ao bem-estar. No fim das contas, seja com uma babuche moderna ou uma milenar meia tabi, o que se busca é o mesmo: a firmeza necessária para caminhar com dignidade e segurança, valorizando o que é nosso e aprendendo com o que o mundo tem a oferecer…

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"Pensei comigo: "Se eu soubesse disso antes, teria mantido meus chinelos de dedo, mesmo nos dias frios!"."

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(Revisão: IA Gemini. Imagem: Canva. Áudio e vídeo em https://youtu.be/aPi3N1i4_GA)

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