sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

A Complicada Arte de Ver,

Olá, Bom-dia! Obrigado por ter me acompanhado neste mês de janeiro, interpretando textos que não são de minha autoria. Para encerrar este ciclo, vou ler 

do educador e humanista Rubem Alves.

"Os poetas ensinam a ver. Ver é muito complicado. Isso é estranho porque os olhos, de todos os órgãos dos sentidos, são os de mais fácil compreensão científica. A sua física é idêntica à física óptica de uma máquina fotográfica: o objeto do lado de fora aparece refletido do lado de dentro. Mas existe algo na visão que não pertence à física.

Há muitas pessoas de visão perfeita que nada veem. 'Não é bastante não ser cego para ver  as árvores e as flores. Não basta abrir a janela para ver os campos e os rios', escreveu Alberto Caeiro. O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido.

Nietzsche sabia disso e afirmou que a primeira tarefa da educação é ensinar a ver.

A diferença se encontra no lugar onde os olhos são guardados. Se os olhos estão na caixa de ferramentas, eles são apenas ferramentas que usamos por sua função prática. Com eles vemos objetos, sinais luminosos, nomes de ruas e ajustamos a nossa ação. O ver se subordina ao fazer. Isso é necessário. Mas é muito pobre. Os olhos não gozam.

Mas, quando os olhos estão na caixa dos brinquedos, eles se transformam em órgãos de prazer: brincam com o que veem, olham pelo prazer de olhar, querem fazer amor com o mundo."

(Revisão: IA Gemini. Formatação e imagens: Canva. Este e outros textos em manoeljesus.blogspot.com. Áudio e vídeo em https://youtu.be/7F6711jdahE)

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